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Homem que empurrou mulher de penhasco é indiciado por seis crimes

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apurou o caso de Ana Cláudia da Silva Souza, diarista empurrada de um penhasco na Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Silvanildo Amâncio de Araújo, ex-companheiro da vítima, foi indiciado por seis crimes.

Segundo a delegada Gislaine de Oliveira Rios, as provas reunidas durante a investigação demonstram que Silvanildo planejou o ataque e pretendia fugir para outro estado após matar a ex-companheira.

“A gente vê que ele já estava com todos os objetos dentro do carro para que ele pudesse fugir. Ele tem parentes no estado da Bahia e o objetivo dele era realmente ir para outro estado”, afirmou.

Ainda de acordo com a delegada, o suspeito levava dinheiro, roupas e diversos aparelhos celulares no veículo no dia do crime, o que reforçou a conclusão de que ele já havia preparado a fuga.

“A polícia concluiu também que houve sim a tentativa de ocultação do cadáver, porque lá é um local de dificílimo acesso, é um local que não só ele queria ceifar a vida da vítima, mas também queria que o cadáver não fosse encontrado”, disse Gislaine.

Ao fim da investigação, o suspeito foi indiciado pelos crimes de tentativa de feminicídio, descumprimento de medida protetiva, sequestro e cárcere privado, roubo, estupro e tortura.

Vítima era perseguida e tinha medida protetiva
As investigações apontaram que Ana Cláudia encerrou o relacionamento em fevereiro deste ano devido ao comportamento violento do ex-companheiro. Conforme a delegada, perseguições, ameaças e controle faziam parte da rotina da vítima, que chegou a conseguir uma medida protetiva contra Silvanildo.

“Em fevereiro ela havia terminado com ele por causa dos problemas no relacionamento: perseguições, ameaças e controle eram comuns. Ela conseguiu uma medida protetiva contra ele”, explicou.

Mesmo após a decisão judicial, o homem continuou perseguindo a diarista. Segundo a investigação, ele frequentava o local de trabalho da vítima, a escola da filha do casal e até a observava pela janela da casa onde ela passou a morar após a separação.

No dia do crime, ele abordou Ana Cláudia quando ela seguia para o trabalho, ameaçou a vítima com uma faca, a obrigou a entrar no carro e a manteve em cárcere privado durante o trajeto até a Serra do Rola-Moça. Durante o percurso, roubou a bolsa, o celular, documentos e cartões bancários da diarista.

Estupro antecedeu tentativa de feminicídio
Antes de empurrar a vítima do penhasco, Silvanildo obrigou Ana Cláudia, sob ameaça de faca, a praticar sexo oral. Conforme a investigação, ele ainda obrigou a vítima a engolir o esperma e, em seguida, anunciou que iria matá-la.

A delegada explicou que o abuso sexual foi motivado pela intenção do investigado de humilhar e subjugar a ex-companheira.

“Ele sempre foi uma pessoa que teve comportamentos de violência doméstica. A Polícia Civil conseguiu comprovar também que isso ocorreu pelo fato de ser mulher. Ele queria realmente subjugá-la perante ele”, afirmou.

Após tentar jogá-la de um primeiro ponto da serra, o suspeito desistiu porque havia uma testemunha nas proximidades. Em outro trecho do penhasco, Ana Cláudia ainda conseguiu se segurar nas primeiras tentativas, mas acabou sendo empurrada na terceira investida.

Ela sobreviveu após passar toda a noite no local, sem conseguir pedir socorro porque estava sem o celular. A vítima sofreu escoriações por todo o corpo e fraturou o nariz.

Confissão e prisão
Inicialmente, Silvanildo negou saber do paradeiro da ex-companheira quando foi procurado por familiares. Depois, confessou ao genro que havia empurrado Ana Cláudia da serra, mas indicou um local errado para as equipes de resgate, o que atrasou em cerca de 24 horas a localização da vítima.

O suspeito foi preso posteriormente em Várzea da Palma. Segundo a Polícia Civil, ele chegou a confessar o crime em uma gravação feita por policiais militares, embora tenha permanecido em silêncio durante o interrogatório na delegacia.

Além do histórico de violência contra Ana Cláudia, a investigação identificou outros episódios envolvendo mulheres. Conforme a Polícia Civil, Silvanildo já havia sido denunciado por ameaçar uma passageira quando trabalhava como motorista de aplicativo e chegou a ser banido das plataformas. Segundo as delegadas, ele também utilizava perfis falsos em redes sociais e diferentes números de telefone para continuar perseguindo a ex-companheira.

(Informações R7)

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