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Grampo telefônico revela diálogo de prefeito de PP com Uemura

Polícia – 16/07/2009

Grampos telefônicos permitidos judicialmente indicam que o prefeito de Ponta Porã, Flávio Kayatt, do PSDB, negociou uma carga que seria de quatro ou cinco carros com Eduardo Uemura, filho do empresário Sizuo Uemura, tido pela Polícia Federal como o chefe de uma organização criminosa que, entre outros crimes, fraudava licitações e compras públicas principalmente nas prefeituras das cidades de Dourados e Ponta Porã, parte sul de Mato Grosso do Sul.
Atuavam na suposta quadrilha de Uemura, desbaratada numa operação de combate à corrupção, na semana passada, segundo a PF, políticos, empresários, servidores públicos e profissionais liberais.
Diálogo captado pela Polícia Federal, divulgado na edição desta quinta-feira do jornal O Estado, de Campo Grande, revela que o prefeito tratou o negócio com Uemera em julho do ano passado, justamente no período que Kayatt já cuidava de sua campanha pela reeleição, pleito ocorrido em outubro.
Na escuta telefônica da PF, Eduardo Uemura, que comanda uma das maiores concessionárias de veículos, em Dourados, e o prefeito Kayatt conversam como velhos conhecidos, tanto que eles se tratam como “querido”, “Dudu” e “irmão”.
De acordo com a PF, a conversa teria ocorrido no dia 9 de julho do ano passado. Não fica claro de onde partiu a ligação se de Uemura ou do prefeito. De qualquer modo, já no início, Eduardo Uemura, dispara esta explicação sem que o prefeito lhe indagasse nada: “atrasou um pouquinho porque demorou pra chegar a carreta, tá?”.
A evidência de que a carga seria de carros aparece nesta fala, já que Eduardo é revendedor de veículos e os veículos são levados para Dourados em carretas.
Antes do assunto da carreta, o prefeito havia dito: “Come que cê tá, meu irmão?”. Lá na frente, fica claro que a carreta citada por Uemura era a que atua no transporte de veículos.
“Deve tar pra chegar, agora acho que essa semana aí, acho que segunda ou terça já tá aí”.
Mostrando-se interessado na carga, Kayatt responde assim: “Mas você… Mas você quer que… é… é… que eu mande o pessoal aí buscar ou você manda?”. Eduardo logo assegura: “Não, eu mando pra você aí, pode deixar”.
A partir deste trecho, os dois revelam do que tratavam: “Mas eu posso contar com os cinco, né?”, pergunta o prefeito Kayatt. “Quatro tá bom, né?”, responde Eduardo Uemura.
Kayatt esbraveja: “Não, cinco. Você prometeu cinco (na sequência, o prefeito teria dito um palavrão, segundo a transcrição da PF).
Eduardo suaviza o diálogo e acalma o prefeito ao responder assim: “Tá bom, vamos ver. Tá bom”. E o prefeito tranquiliza: “Tá bom”. Logo, os dois se despedem. “Um abraço, meu velho”, diz Eduardo. “Tchau, Edu”, assim o prefeito termina a conversa.
A escuta telefônica deixa a entender que os “quatro” ou “cinco” carros enviados ao prefeito seria fruto de uma promessa amigável, não comercial. Isto porque se o prefeito estivesse comprando os carros, Uemera poderia não errar os números dos veículos, se quatro ou cinco. E quando tratavam deste assunto, Kayatt ficou irritado, tanto que dispara um palavrão após insistir: “você prometeu cinco”.
E mais: se fosse um negócio pago pela prefeitura, Kayatt não deveria se preocupar em ir buscar os carros, no caso. O prefeito pergunta se Eduardo quer que ele “mande o pessoal aí buscar ou você manda”. Uemera fecha o assunto concordando em ele mandar os cinco carros ao prefeito.
A transcrição deste diálogo será incluída no inquérito policial que investiga a quadrilha supostamente chefiada pelo empresário Sizuo Uemera.
Na conhecida operação Owari (ponto final, em japonês), desencadeada pela Polícia Federal na semana passada 42 pessoas foram postas na prisão. Elas já foram libertas e agora devem responder por processo judicial por crimes de formação de quadrilha, agiotagem, exercício ilegal de atividade financeira, crimes contra a ordem econômica, sistema financeiro, fraude à licitação e ainda por corrupção.
 

A reportagem do Midiamax tentou conversar com o prefeito nesta manhã, por telefone. Dois recados foram registrados no celular de Kayatt, que até a conclusão deste material, não havia retornado à ligação. Ao assessor do prefeito, também foram feitas ligações, mas ninguém atendeu o celular.

Fonte: Midiamax

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