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Governo é acusado de turbinar Orçamento de 2008

– 24/10/2007

Os deputados estaduais devem rejeitar o pedido do governo de suplementação do orçamento em 40%. Essa margem, que assegura ao governo liberdade para alterar a proposta original dependendo do desempenho da arrecadação, deve ser reduzida para 20%. A primeira emenda ao projeto orçamentário, apresentada pelo deputado Paulo Duarte (PT), reduz o percentual. Pela proposta do governo, o orçamento, que estima aa receita e fixa as despesas em R$ 6,5 bilhões, pode ter suplementação de até R$ 2,6 bilhões.
Para os deputados, uma suplementação de 40% é quase a metade do orçamento. O deputado Paulo Duarte diz que a Assembléia Legislativa não pode dar um ‘cheque em branco’ nesse valor. Uma vez aprovado o orçamento, o Poder Executivo não precisa mais de autorização legislativa para gastar além do previsto. Historicamente, a Assembléia Legislativa sempre reduziu o índice de suplementação. O percentual só chegou a esses níveis durante o período de inflação alta, que refletia diretamente nos gastos com a máquina.
Segundo Paulo Duarte, não há escalada inflacionária e os números precisam se aproximar da realidade. “Em uma economia estável o normal é prever margem de suplementação de 25%”, diz o deputado, que já foi secretário de Receita e Controle. “Noventa por cento de toda a receita é proveniente da arrecadação de ICMS, não dá para superestimar o orçamento”, adverte. 
Os deputados da base governista, no entanto, pensam diferente e analisam que em função da expansão econômica a receita pode ter incremento acima das previsões. O deputado Junior Mochi (PMDB) diz que defende a suplementação de 40%, confiando na equipe econômica do governo. Nesta semana o projeto orçamentário segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJR). Mas os deputados já podem apresentar emendas. No ano passado foram apresentadas 700 emendas.
O líder do governo, Youssif Domingos (PMDB), não acredita que a peça orçamentária seja transformada em ‘colcha de retalhos’. O deputado Marcos Trad (PMDB) também prevê poucas emendas. Segundo ele, a proposta reflete entendimentos e diálogos que o governo estabeleceu com a Assembléia, dentro de uma proposta que mais se aproxima ao consenso. NÚMEROS DO ORÇAMENTO Os poderes vão consumir R$ 729,2 milhões do Orçamento Geral do Estado no ano que vem. O governo estima a receita fixa as despesas em R$ 6,525 bilhões, valor 18% maior que o orçamento que está sendo executado este ano. A projeção corresponde a R$ 5,1 bilhões do orçamento fiscal e R$ R$ 1,357 bilhão da seguridade social. É o maior crescimento projetado nas duas últimas décadas. Para os deputados, o orçamento “é uma peça fictícia”, que pode se concretizar ou não. De qualquer modo, o governo projeta crescimento da receita baseado na expectativa da expansão econômica do Estado, que deve ser impulsionada pelo setor sucro-alcooleiro e outros projetos industriais. Do orçamento total, R$ 345 milhões sairão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O crescimento ‘excepcional’ na projeção orçamentária é atribuído, também, a grandes volumes de transferências constitucionais e investimentos da iniciativa privada. No orçamento de 2008, o governo restabeleceu uma parte dos cortes que havia feito nos duodécimos dos poderes – exceção do Tribunal de Justiça e Defensoria Pública. O orçamento segue as Diretrizes Orçamentárias (LDO), que assegurou uma ligeira recuperação dos duodécimos dos poderes – 2 décimos percentuais para a Assembléia Legislativa, 2 décimos percentuais para o Tribunal de Contas e 0,1% ao Ministério Público. Segundo o projeto orçamentário, a Assembléia terá uma fatia de R$ 143.457.100,00; o Tribunal de Contas e suas fundações, R$ 87.763.300,00; Defensoria Pública – R$ 83.081.600,00 e mais R$ 442.200,00 do Fundo Especial; Tribunal de Justiça (e fundo especial) – R$ 318.723.600,00; e Ministério Público (incluindo fundo especial) – R$ 135.745.600,00. Esses valores, segundo a área econômica do governo, correspondem aos índices estabelecidos pela LDO, que são aplicados sobre a receita líquida corrente. Os percentuais são os seguintes: Assembléia Legislativa – 3,5%; Tribunal de Contas do Estado – 2,1%; Ministério Público Estadual – 3,3%. O duodécimo do Tribunal de Justiça se manteve em 6,3% e a Defensoria Pública permanece com índice de 1,5% sobre a receita líquida. “A proposta orçamentária para 2008 cumpre todos os indicadores de responsabilidade fiscal”, diz o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Youssif Domingos, confirmando que uma boa parte dos recursos vão sair da iniciativa privada e de transferências constitucionais, incluindo recursos do PAC. Os investimentos devem chegar a R$ 922 milhões. As transferências constitucionais aos municípios, correspondentes a 25% da receita líquida, chegam a R$ 993 milhões. Os encargos e juros da dívida vão consumir R$ 463 milhões. As despesas de pessoal e encargos sociais vão consumir R$ 2.213.071.000,00 bilhões. Da receita global estimada, R$ 6.5 bilhões, 14,1% (R$ 921,8 milhões) serão destinados a investimentos. Mais de um terço da arrecadação, no entanto, serão gastos com salários e encargos sociais do funcionalismo. O governo prevê gastar 33,9% com pessoal e encargos, o que corresponde a R$ 2,2 bilhões. Os juros, encargos e amortização da dívida vão consumir R$ 463 milhões, ou seja, 7,1% da receita estimada. O custeio e outras despesas também vão consumir boa parte da arrecadação. Serão R$ 1,9 bilhão com as chamadas “despesas correntes”, que inclui o custeio básico da máquina pública. A fatia dos municípios, formada basicamente pela receita com ICMS, corresponde a 15,1% da receita estimada para 2008. São R$ 993,1 milhões a serem divididos entre os 78 municípios

Fonte: TV Morena

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