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Governo britânico tornará públicas atas de reuniões sobre Guerra do Iraque

Internacional – 27/02/2008

O regulador de acesso à informação no Reino Unido ordenou hoje ao Governo britânico que torne públicas as atas de reuniões mantidas em março de 2003 nas quais foi discutida a operação militar contra o Iraque.
“Há um interesse público maior em que se tornem públicas as atas do Governo neste caso particular que em que se mantenha a informação sem revelar”, afirmou hoje o escritório do chamado comissário para a informação, Richard Thomas, em comunicado.
A decisão foi tomada após o pedido apresentado por um cidadão para obter, conforme a Lei sobre Liberdade de Informação, uma cópia das atas do Governo e dos documentos relativos a duas reuniões mantidas entre 7 e 17 de março de 2003, dias antes do início do conflito.
Nessas reuniões, os membros do Executivo de Londres, então presidido por Tony Blair, estudaram a assessoria legal do então procurador-geral britânico, Peter Goldsmith, sobre a guerra.
O Governo se recusou a tornar pública essa informação por considerar que estava isenta disso por se referir à formulação da política governamental e às comunicações ministeriais, segundo o comunicado do escritório do comissário de informação.
Em sua decisão, Thomas desprezou esses argumentos ao afirmar que a divulgação dessa informação permitirá à sociedade “entender melhor” a decisão do Governo sobre a Guerra do Iraque.
O Governo, que conta agora com cinco semanas de prazo para recorrer da decisão perante o Tribunal de Informação, está analisando sua resposta, segundo um porta-voz citado pela imprensa britânica.
A decisão do regulador sobre o acesso à informação pode reabrir a polêmica sobre a posição de Lorde Goldsmith a respeito da guerra.
Ele foi muito criticado por mudar de opinião sobre a legalidade do conflito, o que foi interpretado como uma concessão às pressões do número 10 de Downing Street.
A ex-ministra trabalhista Clare Short, que renunciou devido à Guerra do Iraque, considerou que, embora se tratasse de um precedente importante, as atas das reuniões “não revelariam nada” e pediu uma investigação sobre a decisão de ir à guerra.
No mesmo sentido se pronunciou o porta-voz de Assuntos Exteriores do Partido Liberal-Democrata, Edward Davey, para quem a decisão do regulador “reforça os argumentos” a favor dessa investigação.
“O muro de secretismo dos trabalhistas sobre a Guerra do Iraque está sendo derrubado tijolo a tijolo”, afirmou.

Fonte: EFE

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