Governo avalia que Congonhas chegou ao limite
Crise Áerea – 19/07/2007
O acidente com o Airbus da TAM consolidou dentro do governo a convicção de que o Aeroporto de Congonhas chegou a seu limite e oferece mais riscos do que benefícios. Mesmo que as investigações apontem que a pista do terminal não teve influência no pouso do vôo 3054 e induziu à colisão com o terminal de carga da companhia a idéia de construir um novo terminal em São Paulo ou ampliar o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, já está em andamento.
Na avaliação de um ministro que integra o Gabinete de Crise criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “Congonhas não pode mais ter o volume de operações que tem, ainda mais estando no centro de São Paulo”. Porém, o governo sabe que promover o deslocamento dos passageiros para outro terminal que não seja o de Cumbica em Guarulhos, é difícil. Pior, pode ser encarado como uma penalização adicional aos usuários de transporte aéreo, que teriam que abrir mão da comodidade de usar um aeroporto central. “Não é fácil, sabemos que isso significa pisar no calo de quem vôa”, afirma o ministro.
A reunião do Conselho de Aviação Civil, o Conac, já estava agendada para a próxima sexta-feira, pode determinar as primeiras mudanças aconselhando uma redução da malha aérea no País, com foco nas operações de Congonhas. Porém, há muita resistência das empresas em relação a essa mudança.
A redução do número de operações em Congonhas conta com o apoio inclusive da oposição. Ontem o governador de São Paulo José Serra (PSDB) também reivindicou essa mudança. “O aeroporto tem problemas estruturais, não para funcionar, mas para funcionar no volume que tem hoje. Para nós, deve haver uma redução desse volume. Essa é uma decisão que cabe ao governo federal e à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e nós vamos fazer sentir o peso de São Paulo sobre essa posição”, disse ontem em entrevista coletiva.
Segundo o mesmo ministro, não há uma preocupação explícita nesse momento com a perda do prestígio internacional que o espaço aéreo brasileiro ainda granjeia, mas o governo reconhece que, com dois acidentes de grandes proporções em menos de dez meses, a imagem ficou arranhada. “É evidente que acidentes como esses arranham nossa imagem, mas o Brasil tem uma grande tradição de segurança de vôo”, avalia.
O governo que evitar ao máximo a politização do assunto, e vai tentar não responder aos ataques da oposição como o do relator da CPI do Senado, senador Demóstenes Torres (Democratas-GO), que ontem em entrevista coletiva voltou a pedir a saída do ministro da Defesa Waldir Pires e a chamá-lo de “incompetente”. “Esse jogo político é normal. Mas não vamos politizar esse assunto, nem mesmo nessa fase em que há várias versões para o acidente”, salienta o ministro.
Para evitar essa politização em torno do acidente, Lula também não vê como prioridade visitar os parentes das vítimas ou ir a São Paulo acompanhar o trabalho dos membros do governo. Ontem, o presidente revelou que está satisfeito com o tratamento que vem sendo dado aos parentes das vítimas e com o ritmo das investigações. Por hora, segundo interlocutores, o presidente avalia que uma viagem à capital paulista ou a Porto Alegre não contribuiria para a solução dos problemas.
Fonte: Redação Terra



