29/07/2019 07h35 – Por: Folha de Dourados

Clique aqui e curta nossa página no Facebook

Por, Victor Teixeira

As autoridades criminalísticas paulistas e a opinião pública de todo o país conferem a Paulo Cupertino Matias um certo favoritismo entre seus candidatos à ocupação do sistema penitenciário nacional. Tamanho é o apelo para que o mencionado receba essa destino porque ele assassinou um incipiente ator e os pais dele na tarde do dia 9 do mês passado. Esse posicionamento concomitantemente institucional e social, porém, ainda é menos propenso a gerar resultados corretivos sobre os impactos do triplo homicídio e preventivos quanto á repetição de tais dramas do que seria se com igual intensidade estivesse pautado na defesa de comportamentos exemplares juvenis como aquele apesar de cujo exercício o jovem artista teve sua vida interrompida e arrochos na legislação criminal.

Rafael Miguel, de 22 anos, estabeleceu cedo seu lugar na mídia através de uma peça publicitária em que pedia verduras à mãe, Miriam Selma Miguel,. Daí seguiu para participações na TV, a mais famosa em “Chiquititas”. A esse currículo ele uniu, ao conhecer Isabela Tibcherani, de 18 anos, planos de uma vida conjugal que incluíam viagens internacionais, interesses esplendorosos em paralelo ao que é visto nascendo entre boa parte da juventude contemporânea.

A continuidade da relação só dependia da reação dos familiares de ambos a seu surgimento. O encontro que Rafael, sua já citada mãe e o pai, João Alcísio Miguel, pretendiam ter com os homólogos representantes legalmente reconhecidos de Isabela na casa destes na Estrada do Alvarenga, Jardim Pedreira, zona sul de São Paulo, tinha esse mero propósito. O letal ataque armado ao trio visitante foi a singela expressão por Paulo Cupertino, pai de Isabela, do único rumo que admitia para um dos meios pelos quais a menina buscava, em proveito à autonomia legal conferida pela maioridade, satisfações pessoais.

O comerciante se mandou, amparado até agora pelo desinteresse dos comandos das instituições policiais por onde se crê que tenha passado em relação a colaborar na montagem do específico quebra-cabeça, deixando entre duas famílias os mais fortes rastros de seu abuso de autoridade no qual a esposa e a filha viam pistas de que algo assim estava por vir. Agressões e intimidação eram seus meios de domínio. O conteúdo dos registros pela polícia do envolvimento de Cupertino em atividades contra as quais a instituição tem de agir traça as origens desse nunca aceitável patamar de controle.

O bastante recente alcance da maioridade por Isabela aponta ou ao menos sugere que sua ideação de futuro pessoal desenvolveu-se ainda quando a garota não desfrutava de total responsabilidade legalmente reconhecida sobre seus direitos e deveres. Podendo, enfim, dar vazão a suas aspirações dotadas de sabedoria que tornavam o controle abusivo de sua rotina pelo pai mais condenável que o já suficiente, a moça vê desaparecer também pelas mãos deste ser que abusava de sua autoridade sobre ela legitimada pelo sangue uma das melhores chances para o usufruto da autodeterminação etária como meio de fuga.

A decolagem tentada por Isabela junto a Rafael para planos de uma convivência deliberadamente atada ao começo no exercício das intrínsecas responsabilidades foi até onde pôde em virtude da disposição de ambos a se impor contra os desarranjos na ordem social que, aliados a deficiências na legislação penal, estariam alimentando as opressões que se abatiam sobre eles. Ambos teriam apoio na atual configuração dos ditos nichos de influência comportamental para, juntos ou em circunstâncias separadas, aderirem à naturalização por determinados círculos sociais da precocidade no consumo de álcool e na condução de veículos cujo manejo requer habilidades ensinadas, consumo de entorpecentes ilícitos ou similares promiscuidades para gastarem uma notória parte da vida ou ela completa posicionando-se e progredindo no mercado de trabalho e constituindo e sustentando famílias mediante o que sobrasse das necessárias aptidões depois de uma inconsequente transição para a maioridade.

Em uma parcela regional do país e em seu centro nervoso há mobilizações por parte dos governantes rumo ao aprimoramento de sua resposta à violência doméstica. A partir de sua sanção por Bolsonaro, a carta branca para o delegado titular de alguma cidade desprovida de juiz próprio onde for registrado um crime dessa natureza ou, na falta deste, o policial em cujas mãos caia a ocorrência prenderem os elementos denunciados aproxima de um idealizado caráter absoluto a permeabilidade territorial do vigor da Lei Maria da Penha sobre esta pátria. Mato Grosso do Sul pode ganhar proeminência entre os estados dessa nação se intensificar os trabalhos de reabilitação de famílias assoladas pela violência autóctone no grau possibilitado por nova lei proposta pelo depurado Marçal Filho (PSDB) que coloca crianças envoltas nessa categoria de problema entre as prioridades na oferta de matrículas escolares. Se também tiver êxito ao tramitar na Assembleia e ser implementada, a proposta do parlamentar, que pretende dar à polícia o dever de verificar se esses infratores têm posse ou porte de armas e à justiça a missão de suspender esse direito de quem o tiver, reforçará a viabilidade do alcance de resultados dignos para esforços de profilaxia do desague de hostilidades conjugais em tragédias.

Além do tanto de esforço direto que houver para seu vigor prático, essas determinações de como encarar tal sangrento panorama terão a eficácia a ser dada pelo quão o poder público e a coletividade cidadã dedicarem-se a corrigir pormenores dos princípios fundamentais a seu funcionamento disponíveis para colidir com as normas. O recuo de Bolsonaro com seus decretos desburocratizadores do acesso legal dos cidadãos a armas por causa das pressões do Legislativo e do Judiciário motivadas pela concorrência da ordenança com o Estatuto do Desarmamento demonstra a que os ajustes na Lei Maria da Penha estão vulneráveis se a trajetória legislativa preliminar do Pacote Anticrime confirmar a negligência das disposições constitucionais que asseguram as liberdades individuais a ponto de condenar facilitações ao encarceramento de alguém prestes a tolher ou lesar gravemente a vida de outrem como alvos para ideias de emendas junto aos pontos da Carta Magna que versam incompletamente sobre o cumprimento das penas após condenação em segunda instância. Diante das instituições sociais com autoridade cultural em vez de força burocrática a morte de Rafael, através de seu potencial de sensibilizar o público, reafirma para mais além do satisfatório a visibilidade do mérito de se abrir portas na medida do possível a ideias e práticas de quem precocemente esboça lúcidas estratégias para as futuras conquistas profissionais e pessoais, dado o relevante papel a ser esperado desses indivíduos em uma profunda resposta a crises morais impactantes sobre a coletividade.

O grau de acomodação do mal na sociedade foi largamente exposto pelo abrupto fim da vida de um jovem ator e também de seus pais no exercício liderado pelo primeiro de um gesto direcionado a sua pretendente com vista a colocá-la frente a horizontes de vida mais amplos e aprazíveis que os oriundos do tratamento dado a ela pelo pai, responsável por como a empreitada se encerrou. Não dando para reaver as oportunidades do tempo anterior perdido, esse triplo homicídio induz perplexidade pública no por enquanto mais atrativo patamar para ser canalizada pela coletividade e o Estado em uma cada vez maior valorização de iniciativas que germinem em meio à massa contra quaisquer más influências possíveis de vislumbrar os costumes da mesma a cada época e menor percepção da impunidade para os sujeitos propensos a, sob algum encorajamento de más ações às vezes respaldadas por convenções sociais, aviltarem contra a dignidade de seus semelhantes em nível adequado para sanções jurídicas e penais.

Gesto cortês repelido em ilegítima defesa

Comentários do Facebook