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Gaeco aponta que ex-chefe da Saúde de MS condicionava leitos à contratação de editora

Redação –

Um dos principais desdobramentos da Operação Gutenberg, que investiga um esquema de fraudes em contratos públicos nas áreas da Saúde e Educação em Mato Grosso do Sul, revela que o ex-chefe da Regulação da Secretaria Estadual de Saúde, Ed Carlo Burgatt, teria condicionado a liberação de leitos hospitalares e exames à contratação da Editora Avante por prefeituras municipais.

As informações constam em relatório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que aponta que Burgatt, atualmente preso, atuava em conjunto com o advogado Gabriel Taquino de Paula, especialista em licitações. Segundo as investigações, ambos utilizavam a estrutura da regulação estadual para pressionar gestores municipais a firmarem contratos com a editora, muitas vezes sem processo licitatório.

Conversas revelam ameaças a prefeitos

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mensagens obtidas durante a investigação mostram diálogos entre os investigados sobre negociações envolvendo a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul.

Em uma das conversas, Ed Carlo Burgatt questiona Gabriel Taquino sobre quem conduziria as tratativas com o município. Ao ser informado de que havia risco de o contrato não ser firmado, o então chefe da Regulação reage afirmando que iria dificultar o atendimento da cidade.

Segundo o relatório, Burgatt escreveu que iria “trancar” a regulação e ligar para o prefeito, afirmando que havia ajudado diversos gestores municipais “para nada”. Em outra mensagem, ele diz que se reuniria com o chefe do Executivo para colocá-lo contra a parede, afirmando que caberia ao prefeito decidir “o que é melhor para a população dele”, acrescentando que, caso não houvesse acordo, haveria “saúde zero”. A declaração foi respondida com risadas pelo comparsa, conforme o documento do Gaeco.

Propina e favorecimento

As investigações também apontam que, após a concretização do contrato com Nova Alvorada do Sul, os dois investigados comemoraram o resultado por meio de mensagens.

Conforme o MPMS, Gabriel Taquino informou que Burgatt receberia R$ 80 mil pela negociação. Em resposta, o ex-chefe da Regulação afirmou que destinaria ao município cerca de R$ 300 mil em exames, além de cirurgias, indicando que a oferta de serviços de saúde estaria vinculada à contratação da Editora Avante.

Para os investigadores, as mensagens reforçam a suspeita de que o acesso a leitos, exames e procedimentos especializados era utilizado como instrumento de pressão para beneficiar a empresa.

Operação Gutenberg

A Operação Gutenberg apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos nas áreas da Saúde e Educação em Mato Grosso do Sul. Entre os investigados está a dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Ministério Público como proprietária oculta da Editora Avante.

Segundo a investigação, a empresa acumulou contratos milionários com prefeituras sul-mato-grossenses, em diversos casos sem licitação, utilizando um esquema que agora também envolve suspeitas de chantagem, corrupção e direcionamento de serviços públicos.

As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos e dimensionar os prejuízos causados aos cofres públicos e ao atendimento na saúde pública.

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