Por Marcos Morandi, da Voz da Fronteira –
A tranquilidade da zona rural paraguaia foi rompida pelo sequestro de Almir de Brum, 32 anos, filho de um conhecido produtor rural brasileiro. O jovem foi levado na última sexta-feira, 21 de fevereiro de 2026, enquanto trabalhava na colheita de soja em uma propriedade familiar na região de Campos Morombi, na divisa entre os departamentos de Canindeyú e Caaguazú.
O desaparecimento foi notado no sábado (22), quando o pai de Almir, Valmir de Brum, perdeu o contato telefônico com o filho. Ao se dirigir à propriedade rural, o pai encontrou apenas a colheitadeira ainda em funcionamento, confirmando o sequestro em andamento.
O crime é fortemente atribuído ao autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), um grupo guerrilheiro que opera principalmente nas áreas rurais do norte e nordeste do Paraguai.

O EPP, classificado como organização criminosa e terrorista pelas autoridades paraguaias, é notório por realizar ataques armados, extorsões e sequestros. Estima-se que o grupo seja composto por um núcleo reduzido de cerca de 11 a 13 membros ativos.
Em um pronunciamento carregado de angústia, a família de Almir divulgou um vídeo solicitando o contato direto com os sequestradores. O cunhado da vítima, Silvio Giménez, ao lado do pai, Valmir de Brum, fez um apelo direto grupo.
“Vamos cumprir com o que foi pedido, mas pedimos que enviem uma prova de vida. Almir, estamos esperando por você”. A família não só se disse disposta a atender a todas as exigências, mas também pediu cautela às forças de segurança para não comprometer a integridade física do refém durante as operações de resgate.
Em resposta ao sequestro, o governo paraguaio mobilizou uma força-tarefa de grande porte. Equipes do Departamento Antissequestro da Polícia Nacional, membros da Força-Tarefa Conjunta (FTC) e agentes de diversas unidades policiais estão atuando intensamente na região desde a noite de sábado.
O Ministro da Defesa Nacional do Paraguai, Óscar González, confirmou que está em andamento uma “operação muito grande”, mas, por estratégia de segurança, evitou fornecer detalhes, afirmando que a prioridade absoluta é a preservação da vida de Almir.
No local do desaparecimento, foram encontrados um panfleto e um manuscrito que apresentam indícios de ligação com o EPP. Estes materiais estão sob análise do Departamento Antissequestro. Contudo, as autoridades mantêm cautela e evitam confirmar oficialmente a autoria até que haja mais elementos concretos.
Enquanto a polícia e o exército intensificam as buscas na área rural, a família aguarda ansiosamente por qualquer sinal que possa comprovar que Almir está vivo, na esperança de que as negociações avancem para um desfecho seguro.

