Fraude no leite pode levar crise a pequenos produtores
A atividade leiteira que vinha conquistando aumento de ganho pode entrar em crise
Conseqüência – 05/11/2007
Os pequenos produtores do país são os grandes responsáveis pela produção de leite, e são eles quem mais devem sentir os efeitos da crise causada pelo escândalo de leite contaminado por água oxigenada e soda caustica, que deixou o país inteiro perplexo pelo absurdo do caso.
A chegada de tecnologia de resfriamento ao campo e o trabalho em equipe através das cooperativas, ajudaram a elevar o preço do leite ao produtor, que se via constantemente ameaçado a paralisar a atividade por causa do baixo preço pago pelo produto na origem. O produtor que há cerca de três anos recebia em torno de 25 centavos por litro, estava recebendo perto de 70 centavos antes da divulgação da contaminação.
O temor dos produtores é que o escândalo, associado à chegada do período do chuvoso (quando a produção aumenta), faça despencar o preço do leite para os patamares antigos. As cooperativas Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil) e Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) estão sendo investigadas por acrescentarem água oxigenada e soda cáustica no leite produzido. Entre os clientes delas estão Parmalat, Nestlé e Calu – há ainda marcas próprias, como Centenário (Copervale).
As indústrias que produzem o leite longa vida acusam os seus fornecedores de leite cru como responsáveis pela fraude e pela crise que chegou ao setor. Fornecedores são grandes laticínios que trabalham como atravessadores do leite. Eles compram o leite do produtor e revendem para as fábricas de leite longa vida. De acordo com a Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), os responsáveis pela fraude são esses atravessadores, e se dizem vítimas do escândalo. Mas quem mais deve sofrer com a queda do leite é mesmo o pequeno produtor, aquele que todos os dias levanta cedo para ordenhar suas vaquinhas.
Fonte: Folha de Dourados



