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De saída do PSOL, Franklin Schmalz vê no PT ‘condições de ampliar a mobilização em defesa dos direitos sociais’

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Juliel Batista –

Em entrevista exclusiva para a Folha de Dourados, Franklin Schmalz, 29 anos, militante de esquerda de Dourados, revelou seus próximos passos na política municipal e como ele, enquanto quadro importante para a cidade, vem se mobilizando.

Trabalhando atualmente como redator publicitário, Franklin ganhou grande visibilidade em Dourados, em 2020, quando disputou uma cadeira na Câmara de Vereadores pelo PSOL e angariou 1.490 votos, em um partido sem protagonismo no cenário político da cidade e do Estado.

Foi o décimo mais votado, mas o PSOL, no total, não teve votos suficientes na chapa para eleger um vereador.

Militante desde a graduação em Relações Internacionais pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), e depois no mestrado, em Sociologia, pela mesma instituição, Franklin está ensejado em vários movimentos sociais. Durante 3 anos foi secretário estadual no PSOL, e agora se vê em novo projeto político no PT.

Confira a entrevista.

Folha de Dourados – Existem rumores sobre sua saída do PSOL, depois de anos de militância pelo partido. Quais são as razões para isso e como você enxerga o partido em MS e em Dourados?

Franklin Schmalz – Ainda não formalizei minha saída do PSOL, mas devo fazê-lo em breve. Depois de 7 anos de contribuição, sendo os últimos três como Secretário-Geral na direção estadual, decidi avaliar a continuidade da minha militância após o último congresso do PSOL em setembro de 2023. As limitações do partido para avançar nas causas e mobilizações foram os fatores considerados. Tenho certeza de que o PSOL continua sendo essencial para a esquerda brasileira, mas meu balanço da construção do partido aqui é negativo devido a grupos no PSOL MS sem compromisso com bandeiras de esquerda, agindo para garantir poder e benefícios. Infelizmente, esses grupos são maioria, tanto no estado quanto em Dourados. Nunca tive problemas com a disputa interna, que deve ser de ideias, não desleal. Como candidato duas vezes, enfrentei boicotes, como em 2020, quando a direção estadual tentou derrubar as campanhas de Dourados na Justiça. Esse é apenas um exemplo. Eu enfrentei isso de frente sempre, e junto a outros militantes muito comprometidos nós tentamos superar esses problemas, porém houve poucos avanços e eu entendi ser necessário refletir sobre o meu papel e a minha contribuição daqui pra frente. 

“há grupos no PSOL MS sem compromisso com bandeiras de esquerda, agindo para garantir poder e benefícios”

Nesse sentido, quais serão os seus próximos passos na vida política? Em relato pelas redes sociais, você cita o convite do PT. O que pensa do PT? Existe a possibilidade de se filiar ao partido de Lula?

Após reflexões e diálogos, concluí que não é viável uma nova campanha pelo PSOL. No entanto, não posso desprezar o capital político construído em mais de 10 anos na cidade, assim como eu não poderia deixar de ser responsável com as pessoas que me apoiaram nas eleições e que tem expectativas de que eu dispute em 2024. Avaliando a migração partidária, o convite do PT é o único que considero, sendo o partido onde vejo possibilidade de continuar construindo projetos com minhas bandeiras. O PT como qualquer outro partido, tem problemas, e eu não acredito que há fórmula mágica ou perfeita neste caso. Percebo no PT condições para ampliar a mobilização em defesa dos direitos sociais, enfrentar a extrema-direita e ser uma alternativa política de esquerda em Dourados. As tratativas estão avançadas, com reuniões para definir detalhes da filiação e bases para essa nova construção.

“O PT como qualquer outro partido tem problemas, e eu não acredito que há fórmula mágica ou perfeita neste caso’

Como se deu o convite por parte dos dirigentes do PT?

Ao longo da minha trajetória, estive envolvido na construção de espaços de mobilização e luta junto a companheiros e companheiras petistas, cultivando respeito e admiração mútuos.  Alguns conheço de longa data, como a professora Gleice, que agora é Deputada Estadual, nos conhecemos ainda em 2014. O professor Joca, presidente municipal do PT, que conheci ainda na época da graduação na UFGD, assim como o Professor Tiago Botelho. Rosa Dantas, que é sindicalista e integra o Diretório Municipal, entre outras pessoas que são parte do Diretório Municipal em Dourados ou militantes da base e que há um certo tempo tem dialogado comigo sobre essa possibilidade da filiação ao partido. Então, o convite veio mais de uma vez desde 2023, porém eu sempre tive muita clareza das minhas responsabilidades, e só passei a avaliar ele de fato quando foram se encerrando minhas responsabilidades como dirigente do PSOL. 

Qual é a sua visão sobre as eleições em Dourados; acredita que à esquerda terá êxito na disputa, principalmente no âmbito legislativo?

Vejo com preocupação a disputa deste ano, especialmente devido à administração atual ser muito mal avaliada pela população e que agora, para piorar, se aproxima mais da extrema direita bolsonarista para tentar a reeleição. Por outro lado, os possíveis candidatos apoiados pelo governo estadual representam a velha política oligárquica do agronegócio. Assim, no campo progressista, acredito que temos a tarefa crucial de apresentar uma candidatura à prefeitura capaz de mobilizar as pessoas insatisfeitas em torno de um projeto que mude as perspectivas. Precisamos de uma candidatura que movimente e mobilize para abalar a mesa do poder político local. Uma candidatura que faça as pessoas acreditarem que outra Dourados é possível. E é uma campanha assim que estou disposto a apoiar e construir.

“os possíveis candidatos apoiados pelo governo estadual representam a velha política oligárquica do agronegócio”

No legislativo, urge uma mudança radical para eleger representantes comprometidos com as lutas sociais, a renovação das práticas e a participação popular. Ao observar a Câmara Municipal, percebo um espaço distante do povo, localizado dentro de um shopping, simbolizando o quanto esse legislativo está afastando as pessoas. A ausência da Câmara nos bairros, na vida diária da cidade e a falta de proposições que desafiem privilégios e assegurem direitos evidenciam a necessidade de mandatos combativos e participativos. Precisamos de parlamentares que não tenham medo de denunciar injustiças e legislar contra desigualdades e opressões. Essa política, só a esquerda pode fazer, e isso requer uma chapa forte e representativa, capaz de alcançar todas as regiões da cidade. Candidatos comprometidos com esse projeto podem inspirar esperança e, assim, temos a chance de transformar o cenário e eleger mandatos progressistas.

O que você acredita que mais precisa em Dourados e o como você pode ajudar?

Dourados possui grande potencial, com uma população diversificada e muita riqueza. Contudo, enfrenta desigualdades e má gestão de recursos públicos, resultando em abandono e invisibilidade das periferias, comunidades indígenas, pequenos produtores e também da juventude. Nós só vemos investimento e atenção para os donos do poder econômico: o agronegócio. Então eu acredito que Dourados precisa ser pensada para a maioria das pessoas que vivem aqui e a maioria das pessoas que vivem aqui são trabalhadores e trabalhadoras, são indígenas, são as mulheres, é a juventude… Políticas públicas, obras, infraestrutura e investimento precisam ter como objetivo principal melhorar a vida das pessoas: moradia, saúde de qualidade, valorização da educação, meio ambiente, transporte público. Diante de inúmeros desafios, é crucial realizar um diagnóstico, sendo o povo quem deve apontar as prioridades. Acredito que posso contribuir nesse aspecto, pois sempre pratiquei uma política coletiva e participativa, ouvindo as pessoas para identificar suas necessidades. O caminho para avançar em soluções transformadoras é a participação ativa e a mobilização. Afinal de contas, nós merecemos uma cidade melhor.

“Diante de inúmeros desafios, é crucial realizar um diagnóstico, sendo o povo quem deve apontar as prioridades”

Suas considerações finais.

Agradeço ao espaço da Folha de Dourados e também aproveito para agradecer todo o apoio que as pessoas têm demonstrado a mim neste momento. Eu escolhi, por uma questão de transparência e respeito, compartilhar publicamente essa decisão da migração partidária justamente para ouvir as opiniões das pessoas e tenho recebido muito apoio, o que me dá força para seguir na construção e na militância política. 

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