Pular para o conteúdo
Sábado, 7 de novembro de 2026 Dourados 28 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

folha: Uma velha escola em Dourados

Artigo – 20/08/2007

            Folha: Uma velha escola em Dourados
                                                           Cícero Faria()
 
            É muito bom ver que a Folha de Dourados volta às mãos dos leitores, agora sob a direção do jornalista José Henrique Marques. A satisfação é redobrada. Primeiro porque é mais um veículo de mídia que se abre na cidade. Segundo porque tive a oportunidade de atuar por quase um ano na Folha, quando era dirigida pelo seu fundador Theodorico Luiz Viegas.
            Foi no ano 1976, quando tinha recém-chegado  a  empoeirada Dourados  para trabalhar como correspondente do  “Correio do Estado” e do jornal “O Estado de S. Paulo”. Um teste de coragem enfrentar o jornalismo 30 anos atrás, vindo de Campo Grande onde atuei por dois anos no  já moderno sistema de impressão off-set, no “Diário da Serra”.
            A Folha, ao lado de O Progresso (sem esquecer a Rádio Clube), foram escolas para quem, naquele tempo,  se aventurou nesta espinhosa profissão, difícil até hoje pela série de implicações que os jornalistas conhecem muito bem.
Quando cheguei na  cidade, os jornais eram publicados três vezes por semana. Sistema a quente, na linotipo, o chumbo derretido e fotolito.  Passados dois meses, o Theodorico – com o reforço de fora, decidiu publicar a Folha de Dourados diariamente, pelo menos, de terça-feira a sábado. Foi um sucesso imediato de venda nas bancas.
Também pudera! A violência em Dourados naqueles tempos  não era diferente de hoje, com assassinatos, roubos e outros crimes que chocavam a cidade. Só que em  décadas passadas a criminalidade tinha maior impacto. E as manchetes de oito colunas na primeira página atraiam os leitores, como até hoje acontece.
O Theorico com o seu espírito mais jornalístico do que comercial ou de  amizade, não corria da raia. Tanto que foi preso pela ditadura, teve a cabeça raspada no quartel e passou humilhação porque “mexeu” com um major à serviço dos militares.
Com as notícias de hoje  nas bancas no dia seguinte, a Folha arrebentou na circulação. Isso incomodou, positivamente, o concorrente e semanas depois O Progresso passou a ser diário também. Ganharam os leitores, porque Dourados – depois de Campo Grande e Cuiabá (então a capital), era a única do interior a ter dois jornais diariamente nas ruas.
Pela Folha passaram o Antonio Viegas, o Valfrido Silva, o Geraldo Resende e tantas outras figuras, hoje conhecidas, que atuaram  nos vários setores do jornal. É por isso que foi uma boa escola para muitos.
Mas a Folha de Dourados, por uma série de circunstâncias foi definhando, sendo corroída em seus objetivos. As tentativas se ressuscitá-la foram sem sucesso. Mas tal qual a figura mitológica do pássaro Fênix, o jornal renasce das cinzas. A publicação impressa semanal e mais os site na internet dão uma nova esperança de que a Folha de Dourados está chegando para ficar. É o desejo de toda a comunidade, esperando que seja feito um jornalismo plural, aberto e democrático. Vamos brindar o seu renascimento!
 
(
) Jornalista.
 
 

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial