2021: Arthur Lira e Alan Guedes, em Brasília

O município de Dourados voltou mais uma vez ao noticiário nacional, mas pejorativamente. Nova reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta quarta-feira (13), sobre o escândalo da venda de kits de robótica envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), cita o prefeito Alan Guedes, também do PP.

De acordo com a Folha, a empresa contratada para fornecer kits de robótica para prefeituras, por meio de recursos de emendas liberados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), vendeu os equipamentos ao poder público com uma diferença de 420% em relação ao preço que declarou ter pago em ao menos uma das compras que fez do produto.

Reportagem informa que enquanto municípios desembolsaram cerca de R$ 14 mil por cada robô educacional, nota fiscal obtida mostra que a Megalic adquiriu unidades por R$ 2.700 de um fornecedor do interior de São Paulo.

Informações obtidas pela reportagem do diário paulistano, mostram “que a Megalic já faturou em 2022 o total de R$ 54 milhões a partir de depósitos de prefeituras para kits de robótica, enquanto só gastou R$ 6,7 milhões. Em 2021, essa diferença foi entre R$ 15 milhões em recebimentos e R$ 2,7 milhões em gastos”.

“Esse volume recebido em 2022 pela Megalic refere-se a pagamentos feitos pelas prefeituras de União dos Palmares, Canapi, Barra de Santo Antonio, Santana do Mundaú, Branquinha, Maravilha, Flexeiras, Bom Jardim e Carnaubeira da Penha. Os dois últimos são de Pernambuco e os outros, de Alagoas, e todos receberam pagamentos do FNDE neste ano”, diz à Folha, ressaltando que “além destes, também pagaram à Megalic neste ano os municípios de João, Santo Antão, Serra Talhada (de Pernambuco), Ouro Branco (AL) e Dourados (MS). Essas prefeituras não receberam dinheiro federal para este fim”.

A Folha de S.Paulo afirma que “o maior valor recebido pela empresa para kits de robótica neste ano veio de Dourados, no total de R$ 17 milhões. A prefeitura é gerida por Alan Guedes, que é do PP, mesmo partido de Lira”. A Prefeitura aderiu a uma ata de registro do município de Delmiro Gouveia (AL), que colocou a Megalic como fornecedora.

Em nota, a prefeitura afirmou que planejou a aquisição de robótica para seus alunos para alcançar a exigência constitucional de alocar 25% das receitas em educação. “A adesão da ata da ocasião se deu porque as especificações técnicas e pedagógicas do documento atendiam fielmente o que estava proposto no planejamento da Prefeitura de Dourados, bem como baseado nas indicações. Nota-se que o próprio fundo nacional não possuía ata vigente na ocasião”, diz nota.

O Ministério Público em Dourados já tem uma investigação sobre o caso, mas não se manifestou.

Leia a matéria da Folha de S.Paulo, na íntegra:

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