Fidel a América e o “sonho”
Artigo – 20/02/2008
Vencido pela (falta de) saúde, o comandante Fidel Castro chega frustrado ao fim de sua jornada. Não conseguiu aquilo que parecia lhe ser mais caro: exportar e consolidar “la redentora revolución”. Apesar do seu carisma e inegável esforço, e da insistência dos “bravos conpañeros”, o modelo cubano serviu apenas para Cuba. Se é que serviu… Mesmo quando ascenderam ao poder, os admiradores e cultuadores do ditador, entre eles o próprio presidente Lula, sentiram a impraticabilidade do socialismo fora da ilha, agindo como autênticos (talvez nem tanto!) capitalistas. Com o recolhimento de Fidel, transformam-se em suas singelas “viúvas”.
Carismático, Fidel esteve no lugar certo, na hora exata. Aproveitou-se da insatisfação dos cubanos com a situação de “quintal” dos EUA e tomou o poder pela força, apoiado pelo povo. Recebeu apoio integral da União Soviética, pela posição estratégica da ilha, e, com costas quentes, encarou os norte-americanos. Fez coisas que o povo necessitava, como a saúde e a educação, mas deixou de fazer outras também fundamentais. Se tivesse realizado tudo, não haveria tanto cubano, inclusive sua família, arriscando a vida para fugir.
Desde o desmantelamento do comunismo soviético, o afastamento de Fidel era apenas uma questão de tempo. Ele durou mais que o mundo esperava e conseguiu, até o fim, ser festejado no exterior por aqueles marqueteiros que fazem reverência à sua revolução, mas agem de forma diferente. Agora, com a posse do irmão, Raúl, desprovido do seu carisma e sua “mão de ferro”, ninguém é capaz de prever o futuro da política cubana.
Todos os que fizeram sua trajetória política na utopia cubana terão agora que, pelo menos, rever seus conceitos. Primeiro, levar em consideração de que uma nação e um regime político não se constroem sem a liberdade e a dignidade do seu povo e nem sobre a figura de um homem ou de um pequeno grupo. Sentir que a ação radical, a mordaça na imprensa e o isolacionismo só servem para impor o atraso e o sofrimento, e que liberdade é fundamental a qualquer povo.
Os importadores de regimes políticos que tanto sofreram e fizeram sofrer, especialmente os da América Latina, precisam acordar do sonho dessas cinco décadas e chegar à conclusão de que política se faz a partir das características e condições locais. As fórmulas prontas só servem para atender aos interesses de grupos e o povo, mesmo, é quem sofre. O legado de Fidel com certeza, servirá como exemplo para colocar em seus devidos lugares figuras como Hugo Chávez e Evo Morales e baixar a bola de todos aqueles que um dia quiseram cubanizar seus países. Inclusive os do Brasil…
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)[email protected]
Fonte: Folha de Dourados



