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Ferrovia Dourados-Guaíra é um sonho ainda distante

Esperança – 05/11/2007

Construir essa linha de estrada de ferro ligando dourados ao Paraná não é uma idéia nova, tampouco sul-mato-grossense. Em 25 de maio deste ano, autoridades paranaenses, sul-mato-grossenses e paraguaias assinaram a Carta de Guairá, um documento que pede o “desenvolvimento integral da Ferroeste”.
 
O documento pede o “completo desenvolvimento da Ferroeste” porque, segundo consta no histórico da empresa paranaense, quando ele foi criada em 15 de março de 1988 por decreto do Governo Federal, o objetivo era “construir e operar uma ferrovia entre Guarapuava, Estado do Paraná, e Dourados no Estado do Mato Grosso do Sul, e servindo o Oeste e extremo Oeste paranaense, o Mato Grosso do Sul, Paraguai e norte da Argentina”, como está registrado no site da empresa.
 
Atualmente a Ferroeste tem a extensão de 250 km, todos em território paranaense, ligando os municípios de Guarapuava e Cascavel. Desde a criação da empresa (88) até o início (91) e término das obras (94) deste trecho foram seis anos de trabalho que absorveu investimento de aproximadamente 360 milhões de dólares, uma fortuna, porém, menor que os 420 milhões de dólares previstos para fazer chegarem às terras de Marcelino Pires os trilhos da Ferroeste.
 
Isso leva a crer que se o estudo de o estudo de viabilidade que será feito pela Ferroeste ano que vem demonstrarem que existe potencial econômico neste trecho (Guairá-Dourados) para implantação do ramal ferroviário, esse projeto ainda levará alguns anos para ser concretizado.
 
Além do custo elevado, a Ferroeste vive um novo momento administrativo, iniciado no começo deste ano, quando o Governo do Paraná, depois de uma longa batalha jurídica, retomou o controle da empresa, que em 1996 havia sido privatizada e estava sob concessão da Ferropar. Ao longo dos últimos dez anos poucos investimentos foram feitos pela concessionária, obrigando o governo a fazer investimentos pesados em maquinários (locomotivas e vagões) para dar novo impulso à Ferroeste. A situação financeira herdada pela empresa obrigou a empresa a enfrentar dificuldades para pagar os vencimentos dos funcionários em dezembro do ano passado. Aliás, a falência da Ferropar (concessionária privada que administrou a ferrovia até o final do ano passado) demonstra que a saúde financeira da re-estatizada Ferroeste não é das melhores e pode-se inferir que, até agora, o trecho existente não foi lucrativo.
 
Outro fator que não contribui para acreditar que o projeto do ramal Dourados-Guaíra se torne realidade a curto ou médio prazo, é a prioridade da empresa paranaense para os próximos anos. “Para o próximo ano, a Ferroeste programou cinco estudos de viabilidade econômica e financeira de trechos ferroviários entre Curitiba e Guarapuava, Paranaguá e Curitiba, Guapira e Cascavel e Cascavel e Foz do Iguaçu, além do ramal ferroviário do Porto do Mercosul, no litoral do Estado. É o chamado Corredor Oeste, frisa o presidente. A construção do trecho ferroviário entre Cascavel e Campo Mourão está prevista para os anos de 2010 e 2001, segundo a planilha”, resume nota do governo do Paraná.
 
Outro projeto que parece estar próximo do topo das prioridades da Ferroeste é a construção de novos portos no rio Paraná. No último dia 26, quatro dias depois de ter proferido palestra em Dourados, o presidente da Ferroeste Samuel Gomes viajou para Brasília, onde, segundo o site notícia oficial do Governo do Paraná, ele apresentou ao “Ministério dos Transportes e do Planejamento, do termo de referência para o estudo que o Bird (Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento) vai financiar para a implantação de portos no Rio Paraná. As estruturas vão ser construídas nos municípios de Foz do Iguaçu, Santa Helena e Guaíra, no Oeste do Paraná”, disse a Ferroeste, também em nota.
 
Para se ter uma idéia da dificuldade de implantação de uma ferrovia, desde o ano 2000 o estado vizinho, Mato Grosso, vive a expectativa de ver implantada a ferrovia Rondonópolis-Alto Araguaia, prometida pela Ferronorte. Até agora, oito anos depois, a empresa sequer realizou o estudo de viabilidade do trecho de 260 km. A demora já é tanta, que o ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, disse há poucos dias que poderá até cassar a concessão da empresa, e orientou Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a estabelecer um prazo de 180 dias para que a concessionária da Ferronorte apresente os estudos de viabilidade”, conforme noticiado pela Gazeta Mercantil.
 
No Mato Grosso a obra parece que vai tomar rumo agora, com a chegada do dinheiro do PAC, que vai destinar recursos para essa obra. Por aqui, fica a esperança de que o Governo Federal inclua o ramal Dourados-Guaíra no programa de expansão da malha ferroviária nacional, cujo objetivo é elevar em mais de 10% o potencial desse tipo de transporte no país. Na semana passada o senador Valter Pereira (PMDB) conseguiu aprovar no Plano Pluri-Anual (PPA) da União emenda que garantiria a realização desta obra.

Fonte: Folha de Dourados

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