Fazenda de brasileiro é atacada no Paraguai
Policial – 08/10/2008
Dois seguranças de uma fazenda de um produtor brasileiro na cidade de Edelira, no sul do Paraguai, ficaram feridos em um ataque realizado por camponeses paraguaios sem-terra nesta terça-feira (7). O ataque foi quase simultâneo a uma reunião para discutir a tensão no campo.
O presidente Fernando Lugo encontrou líderes de organizações camponesas para falar sobre a violência nas áreas rurais. O encontro acabou com um acordo parcial entre os sem-terra e o governo para frear as ocupações de fazendas agrícolas.
Em troca, Lugo prometeu impulsionar a reforma agrária. Elvio Benítez, da Coordenadora de Produtores Agrícolas de San Pedro Norte e aliado do presidente, disse aos jornalistas que estão dispostos a expulsar de suas terras os fazendeiros brasileiros –conhecidos como brasiguaios.
Em sua maioria, os agricultores brasileiros estão estabelecidos na fronteira e se dedicam ao cultivo de soja. Calcula-se que 300 mil brasileiros vivem ao longo da fronteira Brasil-Paraguai.
“[Vamos] ocupar terras, brigar, até mesmo expulsar esses brasileiros, que estão invadindo e sendo amparados pela Justiça paraguaia”, declarou Benítez.
A tensão nas áreas rurais do país aumentou desde que, na semana passada, um sem-terra morreu durante a desocupação da fazenda de um brasileiro no departamento de Alto Paraná, na fronteira com o Brasil.
No ataque realizado ontem, um dos guardas –identificado como Luciano Flores– teve o rosto atingido por vários tiros de chumbinho. Com um ferimento no olho, ele foi encaminhado para um hospital da Encarnación (370 quilômetros ao sul de Assunção).
A polícia informou que os guardas foram atacados de um monte vizinho à fazenda do brasileiro Rogério Zwirtes, que, segundo denunciou, já foi vítima de vários ataques de sem-terra da região. “Estas pessoas não querem nos deixar trabalhar. Não há segurança”, declarou o produtor.
Fonte: Folha de Dourados



