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Fator econômico e tecnológico influenciam a realização de cesáreas

Para diminuir o número de cesáreas o Ministério da Saúde inclui novas medidas de incentivo ao parto normal

Na hora do parto – 01/08/2008

Na semana que passou, o Ministério da Saúde em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um conjunto de normas para maternidades dentro do qual está a medida que garante quarto especial para as grávidas que optarem pelo parto normal. A intenção é que o ambiente seja adaptado a todas as etapas do nascimento do bebê, que inclui os procedimentos realizados antes, durante e depois do parto e a medida passa a valer a partir de dezembro deste ano, devendo ser aplicada tanto em hospitais particulares quanto nos públicos.
 
Além de visar as mudanças estruturais nas unidades de atenção obstétrica e neonatal, o ministério visa incentivar o parto normal, considerado mais seguro, para assim controlar os possíveis riscos à gestante e ao bebê, reduzindo os índices de mortalidade materna e de recém-nascidos. O parto normal é apontado como mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15%.
 
Segundo informações do Ministério da Saúde, a cesariana já representa 43% dos partos realizados no Brasil, incluindo o setor público e o privado, sendo que a maior aderência se dá entre as mulheres que utilizam planos de saúde, com percentual chegando aos 80%. Já no caso das que utilizam o SUS, é mais baixo, correspondendo a 26%.
 
Em Dourados, levando em consideração os dados apresentados pelo Hospital da Mulher,  a realização de partos normais é maior do que cesarianas. De novembro de 2007 a abril deste ano, o hospital registrou 1250 procedimentos de parto, sendo que destes 666 foram normais e 584 cesáreas. Este resultado é de extrema relevância, já que o município quer atender ao pedido do Ministério da Saúde e também incentivar o parto normal.
 
Quando a gestante chega ao Hospital da Mulher para dar à luz, a carteirinha de pré-natal é analisada, ela passa por exames para entrar em trabalho de parto com segurança, recebe orientação sobre os procedimentos e tempo necessário para que se tenha dilatação e, somente no caso de isto não ocorrer, os médicos optam pela cesariana.
 
“A cesariana tem indicações técnico-científicas, se constitui em avanço da ciência para as situações de risco para a mãe e/ou bebê, mas tem sido comum a cirurgia ser marcada desnecessariamente, sem uma indicação precisa, o que aumenta as chances de complicações e morte para ambos”, explica o médico Adson França.
 
O alto índice de cesáreas além de causar prejuízos gerando custos mais elevados e desnecessários à saúde pública e privada, pode causar diversos complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. No caso das mães, o parto cirúrgico apresenta mais chances de hemorragia, infecção no pós-parto e uma recuperação mais difícil e no caso do bebê, estudos comprovam que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas) têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo UTI Neonatal. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.
 
Segundo o Dr. Adson, as infecções causadas pelo parto são a terceira maior causa de morte dos recém-nascidos e elas acontecem muito mais em partos cirúrgicos. ‘Com a cesariana o bebê é separado da mãe a princípio e perde o vínculo imediato com a mãe e não há nada melhor do que o acolhimento imediato do parto normal para fortalecer o sistema imunológico da criança’, explica.
Pesquisas afirmam que 70% das mulheres no início da gravidez pretendem realizar o parto normal, porém este quadro muda quando chega o dia de realizar o procedimento, onde muitas acabam mudando de idéia no ‘meio do caminho’ optando pela cesárea. Como a realização do parto normal é mais demorada, além da grande diferença em valores, e requer mais prontidão do médico, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão estuda uma maneira de remunerar melhor a categoria pela realização deste tipo de parto para que o fator econômico não seja empecilho.
 
Quais são os tipos de parto?
Após nove meses de espera e de passar por todas as turbulências que uma gravidez oferece, chega enfim o momento mais aguardado: o nascimento do bebê. Para que tudo ocorra da melhor maneira possível, o ideal é escolher o tipo de parto com cautela, estabelecendo uma relação de confiança e segurança com o médico, já que não há um único tipo de parto ideal para todas as mulheres, isto varia de acordo com cada caso.
Por falta de informação, muitas mulheres acreditam que só existe o parto normal e a cesárea, porém, existem outros tipos de partos que podem ou não, dependendo de cada caso, trazer benefícios para a mãe e o bebê.
Parto normal – É o método mais aconselhado pelos médicos, porém exige que a mãe se prepare desde o pré-natal. Para que ele aconteça, é preciso que a mãe apresente contrações e dilatação do colo do útero. Com exercícios de respiração e força, o bebê não demora a sair. Às vezes, no entanto, ele precisa de uma ajuda para vir ao mundo. Quando a mãe está cansada ou o bebê não sai de jeito nenhum, o médico faz um corte em um dos lados da vagina para auxiliar no processo de expulsão. “Enquanto a cesariana apresenta alguns riscos, como infecções, abscessos e acidentes anestésicos, o parto normal corre mais tranqüilamente. Além disso, a recuperação no pós-parto é muito mais rápida e a mulher pode voltar logo às suas atividades”, compara a ginecologista Sonia Valentim.Cesárea – Apesar de ser totalmente cirúrgica,esta é a modalidade preferida pelas gestantes. Este procedimento é muito criticado por alguns médicos, porque pode trazer conseqüências para o bebê, como dificuldades respiratórias, ou resultar em infecção hospitalar. No entanto, as mães a escolhem pela rapidez do parto – cerca de meia hora – e pelo uso de anestesia, que diminui as dores. Na cesárea, a mãe recebe anestesia peridural e depois se deita de costas. Seus braços são presos a suportes laterais e uma tela é colocada à sua frente, para que ela não possa ver nada durante a cirurgia. Depois, o médico faz um corte de 15 a 20 centímetros, em várias camadas, até chegar ao colo do útero. Para ajudar na saída do bebê pelo corte, um auxiliar empurra a barriga para cima. Assim que o bebê sai, é apresentado à mãe e levado para a sala de pediatria neonatal. A mãe é sedada logo após o fechamento do corte e ainda permanece em observação por algumas horas, antes de poder ver novamente o nenê. (Francielle Oliveira)

Fonte: Folha de Dourados

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