Henrique Sartori

José Henrique Marques

A documentação obtida com exclusividade pelo jornalista Clovis de Oliveira, que baseou reportagem publicada no início da noite de ontem (13) no jornal Douranews, não deixa nenhuma dúvida de que os órgãos de fiscalização da coisa pública têm uma missão imperiosa a fazer em nome da sociedade douradense: investigar a existência de suposta organização criminosa que pode ter desviado milhões de reais do povo através de verbas destinadas à publicidade.

As informações contidas na matéria “Tentando escapar de inquérito, Prefeitura informa pagamentos ‘desproporcionais’ à mídia” são estarrecedoras e, a bem da verdade, confirmam as suspeitas denunciadas pela imprensa insubordinada (como define o jornalista Valfrido Silva os veículos não chapas brancas), de que o esquema montado dentro da Câmara Municipal, sob a presidência do atual prefeito Alan Guedes (PP), em 2019 e 2020 – a suposta farra da publicidade denunciada pela vereadora Lia Nogueira (PP) – alçou tentáculos na Prefeitura de Dourados.

Alçou tentáculos, não migrou, continua na Câmara, porque o atual presidente do Legislativo, Laudir Munaretto (MDB) botou a mão da cumbuca ao pagar R$ 36.792,00 ao jornalista Alfredo Barbara, dono do Diário MS e agora chefe de Gabinete de Alan Guedes, numa transação surreal em que Barbara tentou devolver o dinheiro, carimbando o rolo. Aliás, como a Câmara não pôde ser ressarcida, onde está a grana? Depositada em juízo?

E pela documentação entregue por Lia Nogueira ao Ministério Público de Dourados e à Procuradoria-Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, há evidências de cortesia de Munaretto com dinheiro público a sites suspeitos, como o 67 News, da família de Milton Junior, dono da Lupa Publicidade (a agência que detém a conta da Câmara), e assessor especial de Alan Guedes na Prefeitura, e a outros jornais eletrônicos de ex-políticos, de puxa-sacos e de analfabetos, além, claro, do misterioso Indicador Econômico.

Não há dúvidas de que Laudir Munaretto juntou-se a Alan Guedes, Alfredo Barbara e a Milton Junior no “projeto” de comunicação social que hoje norteia a Câmara e a Prefeitura de Dourados. Mas, a matéria do Douranews mostra o surgimento de um quinto elemento nessa história: o secretário de Governo Henrique Sartori, o ordenador de despesas da publicidade.

Artífice do golpe na UFGD há dois anos, que já provocou a redução de quase 2 mil acadêmicos na universidade e, assim, prejuízo milionário à economia de Dourados, Henrique Sartori tentou esconder os documentos do promotor Ricardo Rotunno, jogando a culpa na conceituada Agência Art Traço, que tem o contrato para distribuir a verba publicitária da Prefeitura.

Decerto, Sartori acreditava nas fakes news espalhadas por prepostos de Alan Guedes e Laudir Munaretto na imprensa e nos botequins da cidade, de que nunca existira farra da publicidade e que o MP não iria investigar. Estaria tudo conversado entre o prefeito e o promotor.

Ricardo Rotunno construiu reputação ilibada em Dourados, embora tenha recibo críticas pela pirotecnia em certas operações à la “República de Curitiba”. Mas é um promotor respeitado em todo o Mato Grosso do Sul. Ao exigir de Sartori a documentação sob pena de abertura de inquérito civil, fez jus ao respeito que tem junto à sociedade, ainda porquê o poder público tem obrigação constitucional de dar transparência aos seus atos.

Dissipada a desconfiança que pairava em Dourados de que as denúncias da suposta farra da publicidade não dariam em nada, como plantaram os paus mandados de Alan Guedes e Laudir Munaretto, a expectativa agora é que se apure a existência ou não de desvio milionário de dinheiro público.

De antemão é inegável que o quinteto cometeu várias irregularidades. Se houve dolo ou não, cabe ao MP investigar. Fora a tentativa de devolução do dinheiro dado a Alfredo Barbara, o surgimento “mágico” do 67 News, os mais de 30% da verba publicitária da Câmara ao Diário News, as suspeitas de caixa 2 na campanha de prefeito de Alan Guedes, como justificar R$ 70 mil a uma empresa do estado de São Paulo para incentivar o esporte ou pagar quase R$ 12 mil mensais a um site de Maracaju?

Valorosos membros do Ministério Público: a sociedade douradense exige investigação. Esse é o clamor das ruas. Não se trata de disputa política ou revanche da imprensa insubordinada e, sim, de suspeitas procedentes.  

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