Délia, Roberto, Neno e Wilson

José Henrique Marques

Existe um adágio popular adaptado de ensinamento bíblico de que três coisas não voltam atrás: “A flecha lançada, a oportunidade perdida e a palavra dada”. O patriarca da família Razuk em Dourados, Roberto, é um cidadão de vida pública [já foi deputado estadual] reconhecido pelas posições firmes, às vezes extremadas e controversas, mas é um homem de palavra, que cumpre seus compromissos tanto particulares como políticos.

E nessas eleições, pela impossibilidade da matriarca, Délia, de tentar um novo mandato à frente da Prefeitura de Dourados – ficou sem partido, numa pexotada do PTB – o herdeiro político, o deputado estadual Neno, tirou da cartola um nome que já fez história por ser o primeiro indígena a se candidatar prefeito de uma cidade conhecida internacionalmente pelo descuido e preconceito com seus mais de 17 mil índios distribuídos em três aldeias.  

O advogado e militante da causa indígena, Wilson Mattos (PTB), é o único candidato nas eleições de 15 de novembro de Roberto, Délia e Neno. O burburinho de que a família colocará os pés em duas canoas não procede, absolutamente, com a candidatura petebista de última hora.

A tarefa de Wilson Mattos será hercúlea no enfrentamento com o racismo, ainda que velado, de parte substancial da sociedade douradense. O apoio da família Razuk ampliará o eleitorado do candidato. Mas, mesmo assim, sua eleição é duvidosa, embora deva ser bem votado.

A verdade, é que mesmo que não chegue lá, Wilson Mattos tem agora, pela primeira vez, instrumentos para debater Dourados uno – com as aldeias da Reserva Indígena e Aldeia Panambizinho, cujos problemas, a rigor, são os mesmos do povo miscigenado e marginalizado que habita as periferias da cidade.

Ao topar a parada, o mameluco Wilson Mattos lançou a flecha da esperança e não pode perder e oportunidade de incluir, com autoridade, seu povo no debate eleitoral. Quanto a palavra, é de Roberto e família.

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