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Família contribui para depressão em mães adolescentes

Geral – 29/09/2009

Gravidez precoce é um problema difícil de se falar, conforme especialistaO apoio da família é imprescindível para o futuro incerto de milhares de meninas que decidiram, de forma consciente ou não, trocar a boneca por um bebê. A gravidez na adolescência traz ao mundo das jovens mães o medo, a rejeição e os problemas de saúde que marcam a alma e o corpo delas.A questão social pesa – e muito – sobre as adolescentes grávidas. O alerta é dado pela coordenadora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare. Segundo a especialista, as principais dúvidas não estão relacionadas a problemas de saúde. “São angústias. Eles querem saber o que está acontecendo com o seu crescimento, com seu corpo”, detalha.De acordo com a psicóloga Auribete Deodato, a gravidez precoce é um problema difícil de se falar, pois está intrínseco à questão sexual. “Hoje o que se prega é apenas o uso de PRESERVATIVOS, e com isso o sexo pode ser liberado. Mas será que realmente nossa juventude se conscientiza que no melhor momento da relação tem que se parar para colocar a CAMISINHA?”, questiona.Ela acredita que a gravidez não surge como consequência da falta de informação, mas do despreparo do adolescente em começar a vida sexual tão cedo e não pensar no resultado disso.”No que se refere especificamente à gravidez e às dificuldades emocionais que a acompanham, geralmente a adolescente fica grávida de um namorado com quem não está junto há muito tempo, e essa é sempre uma desculpa para o fim do relacionamento, o que traz como consequência a rejeição, autodesvalorizão e, muitas vezes, a dificuldade de criar o filho sem o pai”, observou.Muitas delas deixam de estudar porque perdem o interesse, além da dificuldade de aprendizagem que surge com o fato de o filho ocupar grande parte do tempo da mãe. “E as que voltam para a escola têm o atraso na idade escolar, que muitas vezes também dificulta a continuação dos estudos”, complementou.As principais mudanças que ocorrem na vida das garotas estão ligadas às responsabilidades que passam a ter depois que engravidam, principalmente na questão financeira, uma vez que muitas famílias já se encontram com dificuldades de sobrevivência e com mais um bebê, a situação fica ainda pior, ressaltou.DEPRESSÃO – Outro problema que surge com a gravidez precoce é a depressão. Conforme Auribete, a doença está relacionada às atitudes da família, das pessoas que cercam a jovem e do pai da criança.”Pois quando há rejeição, o afastamento da família, a discriminação e o fim do relacionamento, as adolescentes percebem-se sozinhas para lidar com a gravidez, e ainda mais por terem perdido a pessoa com quem estava mantendo o relacionamento, que possivelmente fez promessas para que a relação sexual iniciasse. Perceberem-se sozinhas é um possível motivador para a angústia, depressão e, algumas vezes, dificuldade para aceitar o filho que estão gerando”, destacou.Este processo também dificulta o entendimento de se tornarem mães, principalmente daquelas que chegaram a cuidar de irmãos mais novos, esclarece a psicóloga. “Há uma fantasia de que o bebê vai ser um bonequinho, que não vai dar problema. E quando as dificuldades começam a acontecer, a adolescente se dá conta que ser mãe requer muito mais cuidado e responsabilidade do que ela imaginava. E é aí que possivelmente surgem os problemas na criação de filhos, hoje tão presentes nas relações familiares. Vemos que por essa falta de conhecimento inicial, se desenrola toda uma causa social frente às crianças, adolescentes e adultos sem orientações e responsabilidades”, observa.FAMÍLIAS – “É preciso que as famílias sejam muito bem orientadas, não só para lidarem com a realidade da gravidez precoce, mas também do risco que as relações sexuais feitas sem responsabilidade pode acarretar, como frustrações, perda de perspectivas, atraso no desenvolvimento psicossocial e abalo emocional no sentido de que os sentimentos não são levados em conta pelos adolescentes, apenas o êxtase do momento”, advertiu a psicóloga Auribete Deodato.Cai número de partos em meninas entre 10 e 19 anosDados do Ministério da Saúde, divulgados na semana passada, mostram que a quantidade de partos realizados na rede pública de saúde em meninas com idade entre 10 e 19 anos caiu 30,6% nos últimos dez anos.Foram 699.718 partos em 1998 contra 485.639 registrados em 2008, em todo o País. Em Roraima foram registrados 1.866 partos em meninas entre 10 e 19 anos em 1998, e 1.742 ano passado, representando uma redução de 6,65%.Na região Norte o número de partos em garotas caiu de 79.363 para 69.837, uma redução de 12%. A queda maior foi observada em Rondônia, com diminuição de 51,67%. Já o Amapá fez o caminho inverso, cresceu em 39,26% o número de partos em meninas.Ainda que em Roraima tenha ocorrido uma queda de 6,65% em dez anos, o Estado apresentou crescimento de 5% no índice de mães adolescentes no primeiro semestre deste ano, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram 944 partos entre adolescentes nos seis primeiros meses de 2008 e 999 no primeiro semestre de 2009. 

Fonte: Folha de Boa Vista – PR

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