Falta de boi gordo faz frigoríficos suspenderem abates
Pecuária – 25/06/2008
Sob alegação de que a oferta de boi gordo está muito reduzida, vários frigoríficos que atuam em Mato Grosso do Sul suspenderam os abates. O Independência anunciou ontem que daria férias coletivas de 30 dias a funcionários da unidade de Campo Grande. A unidade abate mil animais ao dia.
A Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), em levantamento feito nesta terça-feira, constatou que outros três frigoríficos estavam com atividades suspensas desde a semana passada.
São eles: o Independência de Anastácio, que deve retomar as compras nesta quarta-feira, o Margem de Coxim, que informou que a previsão é de retomar as compras em julho e o Frigosul de Aparecida do Taboado, cuja previsão é retomar as compras no começo da próxima semana.
Paliativo – O presidente a Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Laucídio Coelho Neto, afirma que hoje há realmente dificuldades para que os frigoríficos comprem o boi gordo porque a oferta está reduzida, mas classifica a suspensão do abate como paliativo.
“Eles não podem ficar fechados o tempo todo. E se não conseguem comprar boi gordo em junho, quando está começando a entressafra, como vão fazer daqui 60 ou 90 dias”, questiona.
Segundo ele, nos últimos dois anos a oferta de fêmeas foi equivalente a 50% do total de abates, quando a série histórica é de 35%. Isso fez com que a produção diminuísse. Para ele, mesmo com a suspensão de abates o preço da arroba, hoje na casa dos R$ 90,00, deve se manter firme. “Todos os frigoríficos têm capacidade ociosa. Se um fecha, melhora para outro”, diz.
Oportunismo – O presidente da Famasul, Ademar Silva Júnior, classifica o fechamento temporário das unidades como uma manobra para tentar reduzir o preço, mas não acredita que isso ocorra diante da oferta reduzida. Ele lembra que a crise que a pecuária enfrentou nos últimos anos elevou muito o abate de matrizes e a reposição está difícil. “Nossa fábrica, que são as matrizes, foi vendida”, afirma.
Ele questiona a manobra dos frigoríficos, que classifica de “oportunistas”. “A indústria, que faz parte de uma cadeia pode parar sem problemas, se fosse a propriedade rural, ficaria passível de ser desapropriada para a reforma agrária”, compara.
Fonte: Campo Grande News



