Ex-prefeito Laerte Tetila rebate as acusações
Operação Owari – 23/07/2009
Ele presume que as licitações ganhas por empresas da família Uemura foram realizadas dentro da legalidade Tetila diz que cabe a justiça apurar se houve ou não ameaças aos concorrentes Em entrevista concedida ao Jornal O PROGRESSO, o ex-prefeito de Dourados, José Laerte Cecílio Tetila, que governou o executivo municipal no período de 2001 à 2008, rebateu algumas das acusações relacionadas a sua gestão e afirmou que todos os contratos feitos e licitações ganhas por empresas da família Uemura, foram realizadas dentro dos tramites legais exigidos por lei. A prefeitura abre as licitações e qualquer empresa que deseja concorrer pode pegar o edital para participar da concorrência, é assim que funciona, inicia a conversa. Tetila confirmou que durante os oito anos da sua gestão, empresas da família Uemura ganharam licitações, mas isso não tira a legitimidade do processo licitatório, afirmou o ex-prefeito ressaltando que a recomendação dele sempre foi de que tudo ocorresse dentro dos tramites legais. Toda segunda-feira à tarde eu me reunia com o primeiro escalão e essa era a minha recomendação. Se houve algum deslize ou irregularidade que seja apurado, relata Tetila.FUNERÁRIA Com relação aos serviços de velórios para famílias carentes, com fornecimento de caixão, realizados pela funerária do Grupo Uemura, o ex-prefeito disse que a empresa vem ganhando os processo licitátorios nessa área há vários anos. Não é de agora. Por ser o único grupo fornecedor de urnas funerárias não só de Dourados, mas de toda a região, a prefeitura não tem outra opção. Poderíamos instalar uma marcenaria, para a fabricação desses caixões. Mas na análise custo benefício, ficaria muito mais caro para o cofre público. Entraria a construção de prédio, compra de máquinas. Teria ainda custos com água, energia, telefone, matéria prima, além da contratação de profissionais e os encargos trabalhistas, como décimo terceiro e férias para funcionários. Esse foi o motivo que levou a prefeitura continuar comprando as urnas funerárias já prontas, por ficar mais barato, explicou Tetila.LOCAÇÃO No caso das locações de veículos feitas também numa empresa do Grupo envolvido na Operação Owari, o ex-prefeito disse que a família Uemura é representante em Dourados, da Localiza, que segundo ele, é a maior franquia de locação de carros do Brasil. O que a prefeitura faz quando precisa desse tipo de serviço. Ela abre uma licitação e deixa a disposição o edital para que todas as empresas interessadas possam ter acesso e se habilitar. E neste caso somente a empresa Localiza se apresentou para prestar o serviço. A prefeitura não pode escolher a empresa, se não estaria interferindo no processo licitatório. O executivo abre oportunidade para todos. A cidade tem várias empresas de locação de veículos, mas só uma se apresentou, declarou Tetila. O ex-prefeito disse ainda, que se o grupo envolvido na Operação Owari vinha coagindo outros empresas tanto do ramo de funerárias quanto de locação, não cabe a prefeitura se manifestar. Para isso existem outros órgãos e instâncias para apurar os fatos. Esse é um trabalho de investigação. A prefeitura cuida apenas da parte administrativa. HOSPITALQuanto ao contrato de arrendamento do Hospital Santa Rosa, que também é da Família Uemura, Tetila disse que toda a negociação foi realizada diretamente com a equipe técnica da Secretaria de Saúde. Essa foi a nossa quinta opção. Tentamos primeiro ampliar o Hospital Universitário, depois iniciamos a negociação de arrendamento com os proprietários do então Hospital São Luís. Tentamos a montagem de um hospital de campanha, com o Exército e até uma intervenção no Hospital Evangélico, só depois que fizemos contato para arrendarmos o Santa Rosa, explica o ex-prefeito.Tetila disse que na primeira tentativa de negociação com o Santa Rosa, foi pedido R$ 150 mil por mês e a equipe encarregada pela negociação, na época, encabeçada pelo então secretário João Paulo Esteves, conseguiu baixar para R$ 100 mil.O arrendamento depois de ser avaliado pela Comissão de Valores Imobiliários da Prefeitura, foi aprovado por unanimidade pelos 16 membros do Conselho Municipal de Saúde. Muita gente pensa que é só o prédio do hospital, mas isso envolve vários equipamentos, além de 70 apartamentos equipados com ar condicionado e televisão. O detalhe é que a prefeitura não desembolsa nenhum centavo para o pagamento do arrendamento, R$ 78 mil vem do Ministério da Saúde e R$ 28 mil do Estado, aprovados pelo CIB (Comissão Intergestora Bipartite). Como o Hospital Evangélico suspendeu os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde, a prefeitura teve que abrir dois hospitais em um mês, relatou o ex-prefeito.SHOPPING Tetila classificou como maldosa as informações de que a família dele teria se beneficiado com a abertura de lojas no Shopping Avenida Center. É o maior absurdo que se possa imaginar. Meu filho tem apenas um empreendimento dentro do shopping, mas com a mais absoluta lisura.O ex-prefeito disse que o filho dele, André Tetila, tinha recursos para compor a sociedade com outras duas pessoas e montar uma empresa de batatas recheadas. Ele havia saído do Exército onde foi tenente durante oito anos, e quando saiu teve direito aos pecúlios, que lhe renderam R$ 25 mil. Ele também vendeu um terreno no Jardim Mônaco por R$ 30 mil, mais algumas economias que juntou trabalhando como dentista, completando o valor para entrar na sociedade. Mas o meu filho já vendeu a parte dele.Quanto a loja de calçados que o filho do ex-prefeito tem no shopping, Tetila disse que André fez um empréstimo de FCO, no Banco do Brasil, no valor de R$ 200 mil para pagar em 11 anos. Ele já pagou um ano, faltam dez ainda. Não houve privilégio nenhum até porque 40% do espaço do shopping continua desocupado e a disposição de qualquer empresário que tiver interesse de montar seu empreendimento ou franquia. Meu filho iniciou atividades comerciais no shopping uma ano e meio após sua inauguração, enfatizou.ESTACIONAMENTO Questionado sobre a suspeita de que o estacionamento do shopping também seria de um membro da família, o ex-prefeito rebateu afirmando que o proprietário do estacionamento do shopping é um grupo do Paraná A empresa é a Federal Administração de Estacionamentos S/C Ltda e todas as informações relacionadas a ela está a disposição de qualquer pessoa. Esse grupo possui 167 estacionamentos em shoppings centers instalados em seis estados do Brasil, de modo que ninguém da minha família tem qualquer envolvimento com esse empreendimento, explicou o Tetila.ARI ARTUZITetila rebateu ainda as declarações do atual prefeito Ari Artuzi (PDT) Todo prefeito gosta de atribuir os problemas as administrações anteriores. Nenhuma administração é perfeita, inclusive nessa mega investigação que está sendo realizada, quase metade do secretariado dele caiu, agora se existe culpabilidade ou não, eu desejo que não exista nada por parte do primeiro escalão dele (Ari), concluiu o ex-prefeito. Com informações do Dourados Agora.
Fonte: Jornal O Progresso



