Ex-jovem infrator diz que só internar não resolve problema
Geral – 28/10/2008
Pastor em Campo Grande e locutor de um programa evangélico de uma Rádio AM, Jorge Rodrigues (*), 24 anos, rapaz moreno, de traços indígenas, semblante sereno, conhece bem os dois lados da moeda: o da internação com acompanhamento em liberdade assistida, mas também a prisão. Para ele, manter o jovem trancafiado não ajuda a recuperá-lo, como pensam os autores da proposta que tramita no Legislativo.
Ele passou cinco anos em conflito com a lei – dos 15 aos 21.
Quando era adolescente, Rodrigues vivenciou dois episódios de violência distintos. Ele atirou contra a cabeça de dois jovens que, apesar dos ferimentos sobreviveram. Envolvido num misto de “valentia” e revolta, características da pouca idade, ele diz ter sido tomado pela raiva e, com a pistola 357 comprada de um policial, efetuou os disparos. “Eu tinha a arma para me defender e era muito nervoso”, conta.
O jovem foi apreendido numa ronda policial. “Estava de bicicleta e com medo quando vi o camburão. Saltei e comecei a disparar contra os policiais, que reagiram”, conta.
O garoto acabou internado na Unidade Educacional de Internação (Unei). Ele pediu uma nova chance e conseguiu a progressão, o que fez com que ele recebesse o atendimento semanal na Unidade Educacional de Atendimento em Liberdade Assistida Camalotes, em Campo Grande.
Já na fase adulta, perto de completar 20 anos, o jovem foi apontado como latrocida e seguiu para um presídio, onde passou um ano. “Os presos mais velhos me diziam: você é novo, ainda tem tempo para mudar sua vida. Foi o que eu fiz”, diz o rapaz. Rodrigues que conseguiu provar sua inocência e ser absolvido no Tribunal do Júri.
Relembrando o período em que ficou internado como adolescente em conflito com a lei, Rodrigues afirma que o regime de ressocialização em privação de liberdade é ineficaz. “O ensino na casa de internação é muito fraco. Foi difícil conseguir trabalho quando saí de lá, pois quase ninguém nos dá uma chance”, diz.
Indagado sobre o projeto aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara, que aumenta o tempo máximo de internação, o rapaz pondera. “Tem que tratar da família desestruturada e se preocupar em dar educação e ensinar algum trabalho para o jovem sair da internação preparado. Se eu tivesse saído direto para o presídio, nem sei o que teria sido de mim. Conheci a droga pesada na penitenciária”, frisa. O nome é fictício a pedido do entrevistado.
Fonte: MIdiamax



