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Ex-diretores do Sisem querem voltar ao poder

Estado – 01/10/2009

O Ministério Público Estadual está investigando o caso sobre a área de 15 hectares no Parque dos Poderes, próximo à Governadoria,  onde foram construídas mansões numa área que deveria ser construídas casas para servidores do município
 
Wilson Aquino
Acusados de provocar um prejuízo milionário aos servidores e funcionários da Prefeitura de Campo Grande, ex-diretores do Sisem (Sindicato dos Funcionários e Servidores Municipais) querem retomar a entidade para tentar abafar o caso que está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado. A denúncia é de Maria das Dores Rocha, presidente do sindicato. Segundo ela, no próximo dia 16 haverá eleição de diretoria da entidade e membros da ex-diretoria formaram uma chapa para concorrer com a sindicalista que é candidata à reeleição.
 
Maria das Dores tece duras críticas aos ex-diretores e afirma que o problema é “gravíssimo” pois envolve o desvio de boa parte de uma área de 15 hectares doados pela prefeitura há 11 anos para construção de sede social dos servidores e de moradias para estes. Ocorre que no local foram construídas algumas mansões e condomínios de luxo que não beneficiam um servidor sequer.
 
Essa área, segundo o Sisem, está localizada em pleno Parque dos Poderes, na Rua dos Poetas. O terreno começa a poucos metros da unidade do Corpo de Bombeiros e vai até a cerca de 10 metros depois da rotatória que demanda à Governadoria. “Trata-se de uma das áreas mais nobres de Campo Grande e que não está em poder dos servidores devidos a manobras escusas de ex-diretores do Sisem que teriam criado, há 11 anos, a Amac (Associação Municipal Atlético Clube) para administrar o projeto de construção de moradias e área de lazer para os servidores.
 
Há 11 anos os ex-diretores teriam firmado acordo com a empresa Progemix – Programas Gerais de Engenharia e Construção Ltda – que também instalou na área sua sede administrativa (há alguns metros do posto de combustíveis instalado no parque) – para a construção das moradias para os servidores. Ocorre que nenhuma casa ou apartamento foi construído por ela para os servidores. A Progemix se recusa a entregar até mesmo a área onde está instalada a sede do clube social dos servidores, que consta inclusive de um salão de festas. O local está ocupado com materiais de construção, espalhados em boa parte da área.
 
O sócio propreitário da Progemix, engenheiro Anagildes Caetano de Oliveira, segundo Maria das Dores, sente-se “dono” da área da Amac. Já tentou inclusive impedir a entrada da diretoria da associação e do sindicato ao local. “Não temos dúvida de que o Ministério Público vai colocar tudo isso em pratos limpos e esclarecer todas falcatruas existentes por trás de acordos e contratos”, afirmou a sindicalista.
 
O Sisem levou o caso à justiça e o Ministério Público Estadual, segundo Maria das Dores, está investigando as possíveis irregularidades existentes em torno de toda essa manobra de desvio da área dos servidores. A sindicalista lembra inclusive que pelo projeto de doação, aprovado pela Câmara de Vereadores, ficou estabelecido que 40% dos 15 hectares doados devem ser destinados para área de lazer dos servidores. Não podem, portanto, ser construído nenhum outro tipo de obra. Maria conta com isso para reaver logo, através da justiça, os 6 hectares que devem ser destinados para a sede social dos servidores.
 
Maria das Dores não tem dúvida de que a formação de uma chapa concorrente à sua para a direção do Sisem  é sim uma “manobra” dos ex-diretores “que mais cedo ou mais tarde serão condenados por eventuais crimes que teriam cometido nesse processo todo”, para tentarem se livrar das ações impetradas pela entidade contra esse e outros crimes.
 
“Não podemos deixar de citar também que essas pessoas detonaram com as instalações do Sisem ao longo de muitos anos. Tanto é que hoje a entidade não possui sede própria e mobília e equipamentos simplesmente desapareceram”, comentou a sindicalista que costuma dizer que há dois anos resolveu juntar os “cacos” do Sisem para lutar pelos interesses dos servidores e funcionários do município.
 
Esta semana alguns dos ex-diretores formaram um verdadeiro “batalhão de choque”, segundo Maria das Dores para chegar ao sindicato e intimidar a diretoria ao registrar uma chapa para concorrer às eleições que transcorrerão no próximo dia 16. Eles levaram inclusive membros da CUT, que estaria apoiando a chapa. “Não acreditamos que essa central, que é séria, tenha conhecimento dos verdadeiros crimes cometidos por esses ex-diretores de nosso sindicato. Se soubessem tenho certeza de que ela não os apoiaria”, comentou

Fonte: Folha de Dourados

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