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Estudo mostra que cérebro de astronautas se desloca dentro do crânio após missões espaciais

Um novo estudo científico indica que voos espaciais não alteram apenas a percepção dos astronautas sobre o planeta, mas também a posição física do cérebro dentro do crânio.

A pesquisa, publicada em 12 de janeiro, identificou um padrão consistente de deslocamento cerebral após a exposição à microgravidade, com efeitos que podem persistir por meses depois do retorno à Terra.

Em vez de observar o cérebro como um todo, a equipe dividiu o órgão em 130 regiões distintas e avaliou cada uma separadamente. A análise regional revelou deslocamentos significativos em diversas áreas, sugerindo uma reorganização ampla do cérebro dentro do crânio, e não um efeito localizado.

De forma geral, os dados mostraram que o cérebro tende a se mover para trás e para cima, além de apresentar uma rotação para cima após o tempo em órbita. O efeito foi mais acentuado em astronautas que permaneceram mais tempo no espaço, com deslocamentos de até 2,52 milímetros registrados em participantes de missões mais longas, de até um ano.

Ao comparar os resultados com os voluntários do experimento de repouso em terra, os cientistas observaram movimentos em direções semelhantes, mas com diferenças importantes. Nos astronautas, o deslocamento para cima foi mais intenso, enquanto nos participantes em repouso predominou o movimento para trás. Parte das alterações vistas no espaço não foi totalmente reproduzida no modelo terrestre.

O estudo também investigou se essas mudanças estavam associadas ao desempenho dos astronautas após o pouso. Os pesquisadores encontraram uma correlação entre o deslocamento de regiões ligadas aos sentidos e quedas mais acentuadas no equilíbrio, um problema comum após o retorno à gravidade terrestre, quando o sistema vestibular ainda não se reajustou.

Embora os astronautas normalmente recuperem o equilíbrio em cerca de uma semana, as alterações anatômicas no cérebro foram detectadas por até seis meses após o voo. Ainda assim, a pesquisa não identificou sintomas graves, como prejuízos cognitivos ou dores persistentes, apenas episódios temporários de desorientação ou enjoo.

Os autores destacam que o estudo enfrenta limitações típicas da pesquisa espacial, como o número reduzido de participantes, e defendem investigações futuras com mais astronautas e diferentes durações de missão. Segundo os cientistas, compreender como essas mudanças começam, evoluem e regridem será essencial à medida que a exploração humana do espaço se torne cada vez mais prolongada.

(Informações R7)

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