Escutas revelam fraudes em licitações do Hospital da Mulher
Operação Owari – 22/07/2009
Na investigação da Polícia Federal que apura possíveis fraudes em licitações está o Hospital da Mulher de Dourados cujo prédio pertence ao grupo Uemura. As instalações foram arrendadas para a Prefeitura em 2007 por R$ 2,7 milhões.Oito meses depois, em novo contrato, a Prefeitura investiu R$ 3,3 milhões, sob a justificativa de locação de equipamentos e implantação do Hospital da Mulher.O prefeito Ari Artuzi (PDT) que teve quatro secretários presos durante a Operação Owari negou que as fraudes tenham ocorrido durante a sua gestão. “O prefeito anterior administrava três hospitais e licitava todas as coisas. Neste ano nós repassamos o dinheiro para o Hospital Evangélico comprar as coisas que precisam nos hospitais, portanto, não tem esse tipo de licitação (…)”.Artuzi referiu-se ao Hospital da Vida (antes Hospital de Urgência e Trauma) e à Maternidade, já que o Hospital Universitário foi repassado para a UFGD.O ex-prefeito Laerte Tetila insiste que as licitações foram feitas dentro da legalidade. “Todo o procedimento foi acompanhado pelo Ministério Público e aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Saúde de Dourados que tem 16 membros, a Prefeitura de Dourados não gasta nem um centavo com o aluguel daquele prédio (referindo-se ao prédio arrendado do grupo Uemura)”.Tetila disse que R$ 72 mil são repassados pelo Ministério da Saúde e R$ 28 mil pelo Governo do Estado e para o Estado inteirar esta parte para inteirar R$ 100 mil precisou da aprovação do Conselho de Interventor dos Gestores de Saúde de Mato Grosso do Sul.As investigações da PF começaram em 2007, período em que os contratos foram assinados. Nos dois últimos anos da gestão do Tetila 32 negócios foram feitos entre a Prefeitura e o grupo Uemura. De acordo com as investigações, as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelam o favorecimento em alguns processos licitatórios. O MP e a PF querem saber a real dimensão das fraudes. O valor das transações entre a Prefeitura e o grupo Uemura somente nos últimos dois anos chega a R$ 20 milhões. O ex-prefeito diz que todos os negócios levaram em conta os interesses do Município e que não houve irregularidades. “(…) Não há ilegalidade nos procedimentos, tudo que fizemos foi dentro da legalidade (…)”.Outros detalhes das negociações não podem ser divulgados. A pedido dos advogados do grupo Uemura, os processos correm em segredo de Justiça. Todos os contratos estão sendo analisados pela PF e periciados pela Controladoria Geral da União. O inquérito deve ser concluído nos próximos dias.No total a PF já indiciou cerca de 90 pessoas nas operações Owari e Brother, ambas iniciadas cerca de 15 dias.
Fonte: Folha de Dourados



