Esclarecimento sobre a judicialização da lista tríplice da UFGD: Ponderações ao artigo “Sobre a nova intervenção do MEC na UFDG (sic): ‘Prefeito, golpista?’, indaga professor”


Em relação ao artigo intitulado “Sobre a nova intervenção do MEC na UFDG (sic): ‘Prefeito, golpista?’, indaga professor”, publicado no dia 09/02/2021 pelo jornal Folha de Dourados e assinada por um professor da UFGD, cabe-nos o dever de esclarecer ao público sobre as inverdades e falsas acusações apresentadas contra quem ele denomina como “Chapa Perdedora” (Perdemos o que? Só perde algo quem tem alguma coisa. O que tínhamos? Nada além da boa vontade em contribuir legitimamente com o salutar debate acadêmico, e só!).

A falácia do espantalho, que o autor tentou empregar como recurso retórico no seu fatídico artigo, volta-se agora contra si próprio. É a consequência de quem se pronuncia motivado por um abalo emocional, quando então a racionalidade, sensatez e sobriedade,
deixam de lhe fazer companhia.

Lamentamos a vulgaridade, incompatível com a academia, da insinuação trazida pelo autor do artigo:”…(pior que jogar e perder, é jogar e não saber perder)”. Jamais poderíamos imaginar que a seriedade do debate acadêmico tivesse se transformado num “jogo”, no dizer do autor. Não é assim que vemos a política universitária. A universidade não é um joguete. Ela não pode se deixar transformar num tabuleiro de xadrez onde os membros da comunidade acadêmica sejam transformados em “peças” manipuladas para lá e para cá, conforme a vontade e as estratégias de “jogadores”. Da nossa parte, nos recusamos aceitar essa visão, cuja vulgaridade põe em descrédito um processo tão sério que é o debate acadêmico. Reconhecemos que apresentamos sim à comunidade acadêmica um projeto sério, exequível de universidade e que muito contribuiria para o desenvolvimento da UFGD e, dessa forma, demos nossa contribuição ao debate sobre a universidade.

No referido artigo, o seu autor sentencia: “Tudo começa em 2019, quando uma das chapas perdedoras na consulta prévia, mesmo não se inscrevendo no colégio eleitoral, acusa a todas e todos com mentiras”. Sobre essas afirmações, resta-nos as peguntas: A que acusação o autor se refere? Quem são “todas e todos”? Quais mentiras? Sem objetividade nas afirmações, essas acusações ditas ao vento, podem ser interpretadas como um “disse-me-disse”, com suposto propósito de apenas semear intrigas e marcar pessoas com o carimbo da má-fé e, dessa forma, arrogando para si o monopólio da virtude e se colocando como detentor da régua moral, sinaliza à oletividade para que proceda uma caça impiedosa aos “maus”, prática comum do grupo político que esteve administrando a UFGD na “primeira década”, que ele tanto elogiou no texto.

Ademais, tais insinuações servem de alegoria para fundamentar a segunda afirmação do autor, tão grave quanto a primeira, vejamos: “Ancorada em seus próprios devaneios, essa chapa perdedora recorreu à judicialização, acusando o colégio eleitoral de fazer – veja só! – o mesmo que fizera há então 4 anos, quando a eleição favoreceu o seu grupo”.

Mais do que uma grande mentira, essas acusações são GRAVÍSSIMAS por demonstrarem uma premeditação que tem o claro interesse apenas de jogar a comunidade acadêmica e opinião pública contra pessoas que já encerraram o debate eleitoral universitário desde o início de 2019, e que retornaram para suas lidas, às quais foram contratadas pelo serviço público.

Para o restabelecimento da verdade, A CHAPA 2 “UFGD em Ação” (Chapa Perdedora, no dizer do autor), pela qual estávamos responsáveis como presidente em 2019, ao contrário do que afirma o autor em seu referido artigo, NÃO RECORREU À
JUDICIALIZAÇÃO e nem fez qualquer acusação ao colégio eleitoral. Aliás, nenhuma das chapas o fez.

A verdade sobre a judicialização pode ser obtida dos autos do processo da Justiça Federal. Dele se extrai que a referida judicialização foi motivada por uma Ação Civil Pública, de autoria do Ministério Público Federal, que teve como base uma denúncia
cuja prova documental parte de um enredo excêntrico e pitoresco envolvendo conversas de Whatsapp trocadas entre servidores da própria faculdade do candidato primeiro colocado da consulta, sendo um deles descrito como seu próprio amigo e correligionário
(conforme afirmou em depoimento à Justiça). Foi justamente o conteúdo dessas trocas de mensagens de voz via whatsapp, que ensejaram a fundamentação da denúncia junto ao MPF, feita por outro servidor, também lotado na mesma faculdade do primeiro colocado da consulta, que possivelmente teve acesso aos áudios vazados, desencadeando o processo de judicialização. O conteúdo desse enredo constrangedor, não convém aqui ser explicitado, por não coadunar com a reputação e a grandeza da nossa instituição, cuja imagem deve ser preservada. Mas todas as afirmações aqui apresentadas podem ser constatas no processo, disponível para consulta pública no link:
https://pje1g.trf3.jus.br/pje/ConsultaPublica/DetalheProcessoConsultaPublica/listView.seam?
ca=016b0d2be20a2fb558e607ca8d36dadd6a1b56b15c23a105

Portanto, definitivamente, a então CHAPA 2 “UFGD em Ação”, NÃO TEM QUALQUER RESPONSABILIDADE COM PROCESSO DE JUDICIALIZAÇÃO, assim como com os fatos decorrentes desse feito. Nem tampouco seus outrora representantes tiveram
qualquer interesse na abertura desse processo.

Seria desnecessário informar, mas diante das perseguições e agressões recorrentes, em tempo, ressaltamos que não dispomos e nunca dispusemos de quaisquer procurações de pessoas, de reitoria pró-tempore, nem de órgãos do governo ou de partidos, muito menos dos órgãos da Justiça, para tomadas de decisão e influência sobre os acontecimentos na UFGD. As decisões judiciais e administrativas tomadas são prerrogativas dos órgãos competentes e ,independente de nossa opinião, apenas respeitamos e acatamos. Da mesma forma, os representantes da chapa não têm responsabilidade sobre decisões e ações de quaisquer pessoas após o término do processo eleitoral, até porque ela, a chapa “UFGD em Ação”, foi desfeita desde então. Somos servidores comuns, devotos de nossas estritas obrigações no serviço público. Desde 2019, o que nos resta, assim como aos demais servidores da instituição, é permanecermos acompanhando o momento atual que a universidade atravessa, desejando que haja, o quanto breve, uma solução definitiva para o bem da UFGD e da sociedade que dela necessita.

Como representantes e presidente da então Chapa 2 “UFGD em Ação”, temos orgulho pela contribuição prestada, à época, ao debate acadêmico, muito salutar às reflexões e ações visando construção de uma universidade cada vez melhor. Fizemos isso
respeitando plenamente os princípios democráticos, assim como a dignidade dos demais candidatos, nossos colegas e pelos quais prezamos, zelando pelo decoro e pela imagem da nossa instituição. Encerrado o processo eleitoral, encerrou-se a chapa. Nossa
contribuição à universidade, desde então, passou a ser a mesma dos demais servidores, que não vivem somente da “política”, mas do trabalho dedicado em salas de aula, laboratórios e setores administrativos, dando suas contribuições para o crescimento da
universidade em suas ações no ensino, pesquisa e extensão.

Por fim, lamentamos as falsas acusações proferidas pelo nosso colega, autor do artigo e por quem sempre cultivamos e continuaremos a cultivar o mais elevado respeito e apreço.

Ademais, vimos a público pedir que, definitivamente, cesse todo esse clima de perseguição, violência, opressão, assédio e desrespeito na UFGD!

Esperamos que as próximas vezes que formos instados a pronunciar publicamente, sejam não mais para digerir sobre assuntos emocionais que não nos interessa, mas para tratar de pautas verdadeiramente relevantes e urgentes à instituição e à sociedade, como QUALIDADE DO ENSINO, EVASÃO, INSERÇÃO DOS NOSSOS ESTUDANTES NA SOCIEDADE E NO MERCADO DE TRABALHO, INCLUSÃO, SUSTENTABILIDADE, PESQUISA E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, SOLUÇÕES DA UNIVERSIDADE À SOCIEDADE NO ENFRENTAMENTO À PANDEMIA E PROPOSIÇÕES PARA O PÓS-PANDEMIA, dentre outros temas importantes, aos quais estamos preparados, queremos e desejamos contribuir.

Joelson Gonçalves Pereira – Presidente da então Chapa “UFGD em Ação”

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