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Erminio Guedes: O fracasso humano na ‘terra em ebulição’

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Erminio Guedes (*) –

Me permitam esta indignação. Não temos mais o direito de continuar errando. O dinheiro feito na destruição da natureza, agora precisa voltar em dobro para refazer os estragos, se quisermos algum sonho de futuro seguro.

O que vi no Rio Grande do Sul é o triste retrato do fracasso humano, na natureza. Em menos de 7 dias, metade da chuva prevista para todo o ano de 2024 caiu no Estado, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Depois de enchente record em 2023, em 2024 a tragédia nunca vista. O vale do Taquarí destruído pela segunda vez e a Grande Porto Alegre na maior inundação da sua história.

O clima subtropical bem marcado (primavera, verão, outono e inverno), de repente virou recorrentes secas abrasivas e enchentes arrazadoras. Os rios voadores vindos da Amazônia foram bloqueados por zona quente localizada no Centro Oeste (área desmatada), os impedindo de espalharem chuvas pelo Brasil, descarregara no Rio Grande do Sul. Ou seja, na origem do problema o desmatamento, no Brasil. No solo gaúcho restam apenas 7% da Mata Atlântida e o Bioma Pampa é um dos mais ameaçados.

A pergunta inevitável: Que progresso econômico é esse que, para se manter, precisa destruir a natureza e submeter pessoas humildes ao fracasso existencial? Que modelo sacana é esse, que saqueia o meio ambiente para acumular e manda os mais pobres pagarem a conta? Que sentimento mais perverso é esse, que se delicia com as labaredas subindo a céu e se alimenta nas cinzas da natureza?

Para Heverton Lacerda, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o negacionismo precisa parar nas catástrofes, cada vez mais intensas. “Os atuais governos, tanto do estado quanto das prefeituras, estão sob comandos políticos negacionistas climáticos”. Lacerda cita como exemplo o projeto do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), aprovado na Câmara dos Deputados em março último. A medida autoriza o corte de vegetação nativa não florestal – como Pampa, Cerrado e do Pantanal. Na prática, uma área equivalente aos estados do Rio Grande do Sul e Paraná de mata nativa podem sumir do mapa se a lei passar no Senado.

Neste momento, a prioridade é mobilizar socorro às vítimas e, depois, refazer a natureza. Precisamos segurar o apetite da rapina ambiental e as insanidades dos dirigentes políticos, por queimar a natureza e afogar inocentes. Incrível, o MPF ora investiga desvios de recursos de 2023 destinados a prevenção de desastres climáticos no RS. A prova dos desmandos, em Lageado (RS), na APP do Taquarí, um símbolo macabro do “lucro a qualquer preço”, na tocha messiânica do poder corrupto.

O Rio Grande do Sul, sem dúvidas, é vítima da ação humana e precisa mudar. Municípios construíram planos urbanos errados e colocaram a populações na beira dos rios, ou penduradas em morros. A agricultura, por sua vez, vinda da cultura colonial da rapinagem ambiental, despiu os campos e, de forma mesquinha, continua ignorando solenemente a crise climática, em favor do rito predatório. Para Clóvis Borges, diretor da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), há décadas o Rio Grande do Sul perdeu a resiliência para enfrentar extremos climáticos. Foi o primeiro estado a cobrir seu território com atividades agrícolas e eliminar áreas naturais, levando isso para o resto do País. As contundentes consequências, estamos vendo agora.

A população precisa reagir a cumplicidade, dos eleitos a serviço dos infratores ambientais e dos donos do capital pisando no pescoço dos que precisam da natureza viva. Lá, se vão esperanças e sonhos de pessoas simples, que lutam para viver, mas morrem sufocadas no sangue da natureza. Mães, sem ter onde se se segurar, morrem agarradas aos filhos, na sujeira humana.

O Rio Grande precisa mudar, porque ultimamente elegeu muitos representantes da elite que os financia, para trabalharem contra o coletivo. Com esses, a certeza, do pior acontecer.

Realmente, a elite brasileira nunca pensou no Brasil e nos brasileiros, mas em si mesma, mandando o resto “se lascar”. Até quando?

Pensem nisso!

(*) Consultor e colaborador da Folha de Dourados

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