Erminio Guedes – Consultor/Sustentabilidade –

Domingo é dia das Mães – Das datas, a principal. Ora de devoção. Mãe, a palavra bendita, com três letrinhas apenas. Pequena, mas de infinito significado, em dedicação, renúncia, força e sabedoria. Ditado judaico diz que Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.

Devo muito do que sou à minha Mãe! No seu ventre ganhei alma, no seu colo o calor do sentimento e nos seus braços a força do amor. Seu olhar de confiança no horizonte me fez confiar que a vitória será sempre de quem lutar por ela. O passarinho inicia a voar, na confiança que a Mãe lhe deu.

– Estou contigo, na simplicidade dos teus gestos e na generosidade dos teus atos.

Como disse Carlos Drummond de Andrade, por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga, veludo escondido na pele enrugada, na sua graça que deveria ser eterna. Só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação.

Mãe é apenas menor que Deus! Não sabe o caminho de voltar, somente o de ir, na luz dos seus olhos. Mãe é criação do tamanho do céu, na beleza das flores, doçura do mel e no brilho das estrelas.

Suzana, minha Deusa, companheira de todas as horas é Mãe amorosa, que ensinou as filhas a serem mães carinhosas e estas ensinarão as filhas a sabedoria das mães de, se necessário, retirar espinhos da estrada, para serem felizes. Assim, a cadeia encantada da vida.

Todas as mães, sem exceção, geraram filhos inocentes, mas se a vida as enganou em seguida, delas não foi a culpa. O passarinho voa e vira produto do meio onde viver. A Mãe mostra o caminho, mas cada um escolhe o seu.

– No entanto, as lágrimas sempre derramam no colo e nos braços da Mãe.

Ser mãe é alcançar a divindade da Terra, na força ética do convívio ecossustentável de Gaia (nome poético dado pelos antigos gregos à Deusa da Terra). Aliás, viemos da terra e a finitude será no pó da terra. Povos originários veneram a Mãe-Terra, como fonte espiritual e material da existência.

No Dia da Terra, os povos originários brasileiros declararam – “a luta pela Mãe-Terra é a mãe de todas as lutas”.

– A Mãe-Terra está morrendo! O clima mudou. Falta água e ficou difícil respirar em vários lugares. O alimento escasseou e a esperança diminuiu. Nossos santuários naturais, estão invadidos e causando feridas profundas na pele. Espíritos da natureza estão nos abandonando!

– Mas te pedimos, Generosa Mãe – não desista de nós!

Infelizmente, mães são discriminadas, negras e pobres, solteiras, viúvas ou abandonadas, são rejeitadas, assim como são as mães indígenas. Todas sofrem nas feridas deste país racista até a medula. Em caso recente, mãe e filha ao serem injuriadas por racistas do Paraná, o marido e pai, Roger Machado, técnico do Grêmio, referiu-se ao momento político brasileiro: “Os indivíduos [racistas] que estavam escondidos [porque a sociedade os reprimia] se sentem autorizados a se manifestar segundo as posturas do líder da nação. Temos que resistir, porque sua intenção é que retrocedamos”.

E nós suplicamos!

– Generosa Mãe, de onde estiver, não permita que erremos novamente!

Pensem nisso!