Entidades se articulam com BNDES pra controlar usinas em MS
Estado – 18/10/2008
Na quinta-feira da semana que vem, dia 23 de outubro, às 14:00 horas na Procuradoria Regional do Trabalho, à Rua Pimenta Bueno Nº139, sedia uma reunião especial com todas as entidades que estejam ligadas à discussão da problemática do trabalho em Mato Grosso do Sul, ocasião em que será recebida uma equipe de trabalho do Ibasa do Rio de Janeiro para articulação da “Plataforma BNDES” com o objetivo e proposta de trabalho do “Grupo de Trabalho Etanol”.O objetivo da visita a Mato Grosso do Sul é apresentar as orientações às organizações locais, tanto as de Campo Grande quanto da possível micro-região afetada, com intuito de formar uma “Rede de Monitoramento Social Local”, ou seja a articulação das entidades que estão atuando nos municípios diretamente impactados pelas usinas de álcool financiadas pelo BNDES. Plataforma BNDESHá cerca de 4 anos tempo, um grupo de organizações e movimentos começou a discutir a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por entender que este agente central na promoção do desenvolvimento do país é uma instituição fechada e pouco transparente, avessa a qualquer forma de controle social e financiadora de atividades que têm beneficiado o grande capital além de secundarizar os impactos sociais e ambientais ocasionados pelos atores que financia. A partir daí foi criada a Plataforma BNDES com o objetivo de iniciar um processo de diálogo para reorientar o BNDES tanto em suas prioridades como no seu modus operantis.Foi escrito um documento coletivo, no qual as organizações que compõem a Plataforma fizeram um diagnóstico do BNDES e fizeram propostas objetivas para a sua mudança. Foi estabelecido um agenda prioritária e iniciamos uma conversa com o Banco. Para tal, se dividiram em GTs e apresentaram propostas para começar a mudar a cultura insitucional de fechar os olhos aos impactos de seus financiamentos.GT EtanolUm dos passos importante dados pela Plataforma, foi a construção do GT Etanol. Formado por várias organizações da sociedade civil, representa um importante vetor para a construção do controle social das atividades do Banco. Uma de suas conquistas foi a possibilidade de discutir no nível de direção do BNDES, uma proposta de monitoramento dos financiamentos para expansão do etanol.O escopo da proposta é a (1) construção junto com a sociedade civil e movimentos sociais nos municípios, onde o BNDES está financiando cana para etanol, de um rol de indicadores dos impactos gerados pelas usinas; (2)construção de uma rede de atores locais ou micro-regionais empoderados e capazes de monitorar os impactos criados pelas usinas; (3) construir um processo de diálogo e de contato sistemático com o BNDES no sentido de que essa instituição se responsabilize por seus financiamentos e exerça um papel ativo na pressão sobre as usinas para a redução/mitigação destes impactos. Também está no nosso horizonte que o BNDES comece a internalizar outros critérios de análise/aprovação/acompanhamento dos projetos, já que hoje só são levados em consideração os critérios que avalia o negócio em si.Dentre os Estados que mais vão receber financiamento do BNDES para plantio de cana para etanol está o Mato Grosso do Sul. Por esta razão, em diálogo com atores sociais com atuação no Estado, optou-se por ir a campo e discutir com os atores locais a proposta e avaliar conjuntamente a possibilidade de realizarmos este trabalho na região. Para selecionar o/os município/s onde ocorrerão as atividades, uma equipe do Ibase/ Plataforma BNDES deverá ir ao estado para, a partir dos atores locais que já fazem parte da Plataforma, contactarem outros mais, nas várias micro-regiões impactadas pela cana e etanol.
Fonte: Folha de Dourados



