Desde 1968 - Ano 56

33.9 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioPolíciaEnquanto aguarda transplante, bebê sobrevive com coração mecânico

Enquanto aguarda transplante, bebê sobrevive com coração mecânico

Quando Eloah tinha apenas 1 ano de idade, a mãe começou a perceber que algo não estava bem. A criança passou a se alimentar menos, teve episódios de vômito e começou a apresentar suor intenso e respiração ofegante. O que parecia inicialmente um problema respiratório acabou revelando uma doença cardíaca grave.

“Uma noite ela começou a suar excessivamente, a ponto de molhar a roupa e o travesseiro, e a respiração ficou mais ofegante. Ali, vi que tinha algo errado”, conta Isabelle Peixoto, de 25 anos.

No hospital, exames mostraram que o coração da criança estava muito aumentado. O diagnóstico foi de miocardiopatia dilatada, uma condição em que o músculo cardíaco perde força e não consegue bombear o sangue de forma eficiente.

Segundo a cardiologista pediátrica Julianne Avelar, responsável pelo caso no Hospital e Maternidade Sepaco, em São Paulo, a doença pode evoluir rapidamente em crianças pequenas.

“A miocardiopatia dilatada é uma doença em que o músculo do coração se encontra enfraquecido e dilatado, reduzindo sua capacidade de bombear o sangue de forma eficiente. Em crianças, essa condição pode evoluir rapidamente”, explica.

Diagnóstico e momentos críticos

Após o diagnóstico, os médicos alertaram a família sobre a gravidade do quadro. Em pouco tempo, Eloah apresentou episódios de parada cardíaca.

“A Eloah acabou parando. Foram três sequências. E quando voltava, apresentava arritmia grave. Foi bem assustador ver os médicos reanimando minha filha”, relembra a mãe.

Diante da instabilidade do quadro e da falha dos tratamentos convencionais, em março de 2025, a equipe médica decidiu iniciar o suporte por ECMO, uma tecnologia que pode assumir temporariamente as funções do coração e dos pulmões.

A decisão ocorre quando o paciente não responde mais às medidas tradicionais de suporte. “No caso da Eloah, identificamos persistência de instabilidade hemodinâmica e risco iminente de colapso circulatório. Nessa situação, a ECMO passa a ser uma estratégia de resgate”, explica Julianne.

Como funciona a ECMO?

A ECMO, sigla para oxigenação por membrana extracorpórea, funciona como uma circulação artificial temporária. O sangue é retirado do corpo do paciente, passa por um equipamento que realiza a oxigenação e remove o gás carbônico e depois retorna ao organismo.

“Em pacientes com falência cardíaca utilizamos principalmente a modalidade venoarterial, que oferece suporte tanto para o coração quanto para os pulmões, permitindo que esses órgãos descansem”, afirma a médica.

O recurso é considerado um dos mais avançados da medicina intensiva e está disponível em poucos hospitais do país, já que exige equipe especializada e monitoramento contínuo.

Eloá no hospital. Metrópoles
No caso de Eloah, o suporte foi determinante após falência circulatória refratária, uma condição grave que requer tratamento intensivo e imediato

Recuperação e nova etapa do tratamento

Eloah permaneceu cerca de duas semanas conectada ao equipamento durante a primeira fase do tratamento. “Foram 14 dias em ECMO e todos esses dias foram tensos. Mas eu vi minha filha abrindo os olhos em ECMO, brincando em ECMO, reconhecendo a minha voz”, relata Isabelle.

Depois de uma melhora inicial, a criança voltou a apresentar piora do quadro e precisou novamente do suporte.

“Ela ficou por 25 dias em ECMO com o peito aberto. Os médicos precisavam tirá-la da ECMO, mas ela não suportava ficar sem o aparelho”, conta Isabelle.

Após esse período, Eloah passou a utilizar um dispositivo chamado Berlin Heart, um coração mecânico que ajuda a manter a circulação enquanto aguarda um transplante. “Hoje, com 2 anos, ela aguarda um coração novo e sobrevive com esse órgão mecânico, que a sustenta e a mantém viva”, diz a mãe.

Para Isabelle, a tecnologia foi decisiva para que Eloah tivesse uma nova chance. “Eu diria que a ECMO salvou a vida da minha filha por duas vezes. Se não fosse por esse suporte, ela não teria resistido”, destaca.

Desde que a filha ficou doente, Isabelle deixou o trabalho como enfermeira para se dedicar integralmente aos cuidados da criança enquanto aguardam o transplante cardíaco.

(Informações Metrópoles)

- Publicidade -

MAIS LIDAS