A atriz douradense Rebecca Loise

Estreia às 20 horas de sábado (horário de Brasília) a peça teatral “Cemitério Vertical” em cujo elenco está a atriz douradense Rebecca Loise. A encenação relaciona conceitos de necropolítica com o cenário do Brasil atual e é um trabalho derivado de laboratório de criação voltado especificamente para o formato de interação remota e virtual entre artistas e público.

A personagem de Rebecca Loise representa uma mulher artista, psicanalista e pesquisadora workaholic que vai perdendo sua memória, percepção e sanidade na medida em que seu companheiro se aproveita do isolamento social da pandemia do Covid-19 para enclausurar sua vida anímica com abusos psicológicos. A cena chama “Método de extermínio ou Câmara de Gás Light”.

Além de atriz, Rebecca Loise De Lucia é graduada em Psicologia e mestra em Psicologia Social pela PUC-SP e tem trabalhos como artista em Dourados, São Paulo e no Rio de Janeiro. Atende atualmente apenas de forma on-line – em razão da pandemia. Trabalha na área de pesquisa e criação artística em Arte & Psicanálise. Pós-graduanda em Corpo: Dança, Teatro e Performance pelo Centro de Artes e Educação Célia Helena. Escritora, poeta e colunista no Jornal Folha de Dourados. Contato: 67 999340822 (WhatsApp profissional); E-mail: [email protected]; Mídias e redes sociais: @rebecca.loise @rebeccaloise.psi (Instagram); /rebeccafreirepsicanalista (Facebook profissional).

Encenação online: ‘Cemitério Vertical’ com Rebecca Loise entreia neste sábado

Durante 03 meses, um grupo de 12 atrizes e atores que escrevem trabalharam sob a orientação e provocação do ator e diretor Eric Lenate. O objeto da pesquisa foi o estudo e análise da obra “Necropolítica”, do filósofo, teórico político, historiador e intelectual camaronês Achille Mbembe, e o consequente estabelecimento de correlações com o Brasil atual.

O objetivo dessa pesquisa foi a criação de um campo de experimentações em que esse grupo de atores e atrizes trabalharam seu desenvolvimento pessoal enquanto criadores e criadoras, tanto no campo da atuação, quanto no campo da dramaturgia. Ao final do processo, apresentamos este experimento ceno-expressivo virtual composto por 12 solos, em temporada via streaming pelo site da Inbox Cultural, com dramaturgia assinada pelo grupo e direção assinada por Eric Lenate.

O elenco de 12 artistas é formado por:  Diego Lima, Juliana Poggi, Lorena Garrido, Luís Paulon, Maria Amélia Lonardoni, Maria Eduarda Pecego, Michelle Braz, Paloma Alecrim, Paulo Castello, Rebecca Loise, Renato Izepp e Vinícius Aguiar. A assistência de direção e de provocação dramatúrgica é de Vitor Julian.

CEMITÉRIO VERTICAL é o resultado do laboratório de montagem “Cemitério Vertical – Poéticas de Resistência à Necropolítica”, criada por Eric Lenate especialmente para o projeto de Oficinas de Montagem Inbox Cultural. O resultado é desconcertante!

Ao adquirir o ingresso, no email de confirmação da compra, o público receberá um link do Site da Inbox Cultural, com o acesso à transmissão. No dia do espetáculo basta clicar nesse link a partir das 19h45 e aguardar o início da transmissão que acontecerá pontualmente às 20h. Ao final do espetáculo, o público receberá um novo link de acesso à sala do Zoom, onde acontecerá uma roda de conversa com o elenco e a direção de duração de 30 minutos.

NECROPOLÍTICA:

o que esse termo significa?

Os Estados modernos adotam em suas estruturas internas o uso da força, em dadas ocasiões, como uma política de segurança para suas populações. Ocorre que, por vezes, os discursos utilizados para validar essas políticas de segurança podem acabar reforçando alguns estereótipos, segregações, inimizades e até mesmo extermínio de determinados grupos.

Dessa ideia surge o termo “necropolítica”, questionamento se o Estado possui ou não “licença pra matar” em prol de um discurso de ordem. Neste texto, te explicamos como esse termo surgiu e como ganhou destaque recentemente.

Onde surgiu o termo necropolítica?

A origem da termo parte da obra do filósofo, teórico político, historiador e intelectual camaronês Achille Mbembe. Mbembe nasceu na República dos Camarões, país da região ocidental da África Central, no ano de 1957. Atualmente é professor de História e de Ciências Políticas do Instituto Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul e na Duke University, nos Estados Unidos.

Ele é reconhecido como estudioso da escravidão, da descolonização, da negritude e, também, como um grande leitor do também filósofo Michael Foucault, em quem se baseou para propor o livro “Necropolítica”, de 2011. Dessa forma, para entendermos melhor a obra de Mbembe, vale também conhecermos um pouco de Foucault.

Quem foi Foucault?

Michael Foucault foi um filósofo, historiador, teórico social, psicólogo, crítico literário e professor francês que pensou de forma crítica à história da modernidade. O trabalho de Foucault se tornou conhecido por suas reflexões sobre poder e sobre as estruturas políticas das sociedades ocidentais, desde a antiguidade até a contemporaneidade.

Para o filósofo, o poder está sempre associado a alguma forma de saber que emana de diferentes direções, pessoas e instituições, pois:

“o poder opera de modo difuso, capilar, espalhando-se por uma rede social que inclui instituições diversas como a família, a escola, o hospital, a clínica. Ele é, por assim dizer, um conjunto de relações de força multilaterais” (Foucault, 1999).

Foucault defende que, para embasar e fortalecer decisões, ações ou escolhas que influenciam várias pessoas, é preciso dominar técnicas e instrumentos que justifiquem e afirmem essas decisões. Por meio desses, podem ser viabilizadas diversas práticas de organização social como, por exemplo, os direitos e deveres em uma sociedade.

No entanto, para ele, essas técnicas e instrumentos serviram também para práticas autoritárias de segregação, monitoramento, controle dos corpos e até mesmo dos nossos desejos. Por isso, no pensamento de Foucault o discurso juntamente ao poder e ao saber, constituem um objeto de estudo constante.

O autor tinha a preocupação em conhecer por que determinados discursos são aceitos como verdadeiros e não outros. Como eles são criados? Quais os seus impactos? Foi aí que elaborou dois termos que serão de igual importância para a obra de Mbembe: a biopolítica e o biopoder.

Para Foucault, biopolítica é a força que regula grandes populações ou conjunto dos indivíduos, diferentemente das praticas disciplinares utilizadas durante a antiguidade e na idade média que visavam governar apenas o indivíduo.

 biopoder se refere aos “dispositivos” e tecnologias de poder que administram e controlam as populações por meio de técnicas, conhecimentos e instituições. Os biopoderes se ocupam da gestão da saúde, da higiene, da alimentação, da sexualidade, da natalidade, dos costumes, etc., na medida em que essas se tornaram preocupações políticas.

Por isso, os instrumentos do biopoder (a Biologia, a Matemática, a Economia, entre outros campos do saber), se tornaram, ao longo dos anos, fundamentais para fornecer dados, informações e políticas sobre endemias, natalidade, seguridade social, poupanças, etc.

Foucault desejava demonstrar com esses termos a ideia de como o poder mudou durante os séculos e como foi influenciando as relações sociais nas cidades modernas e, principalmente, nos discursos. Para ele, a civilização moderna assistiu várias transformações de suas estruturas de poder e saber durante a história, pois os conhecimentos, leis e as políticas mudaram muito desde os primórdios da humanidade, e de maneira ainda mais acelerada após a revolução industrial nos séculos XVIII e XIX.

A partir desse marco, todo o saber produzido visava controlar fenômenos, como aglomeração urbana, transformação dos espaços públicos, epidemias, organização da economia, manutenção da paz, organização das cidades e de suas estruturas. As sociedades modernas tornaram-se politica, econômica e socialmente organizadas de formas semelhantes. No entanto, essas estruturas semelhantes não colocaram fim aos conflitos.

Para atender aos interesses e vontades das mais variadas sociedades modernas, ideias de ameaça, medo e ódio ao inimigo foram mantidas como na antiguidade e na idade média. Mas há um diferencial: se antes as guerras eram iniciadas a fim de proteger o soberano, com objetivos delimitados, e a morte de uns asseguraria a existência de todos ao final, os conflitos travados ao longo dos dois últimos séculos mostraram uma crueldade humana sem precedentes. Ou seja, para Foucault os massacres, extermínios e regimes totalitários modernos, como o stalinismo e o nazi-fascismo, radicalizaram os mecanismos políticos de morte já existentes.

Ideias de controle dos corpos, purificação da população, supremacia de um determinado grupo sob outro não surgiram no século XX, mas nesse momento foram amplamente aceitas com base no poder exercido por governos e estruturas administrativas. Por meio do discurso do Estado tais práticas tornaram-se aceitáveis, mesmo visando a rejeição, expulsão e aniquilação de determinados grupos.

Assim, para Foucault, o discurso é o instrumento de poder que determina condutas e valida políticas. No entanto, como analisado pelo mesmo, é preciso cautela ao lidar com tal instrumento já que este acabou possibilitando práticas cruéis e políticas que reforçam estereótipos, segregações, inimizades e extermínios.

A teoria de Mbembe

Como vimos, em certos episódios da história da humanidade, alguns discursos políticos validaram massacres, extermínios e regimes totalitários modernos.

Foi a partir da ideia de que discurso é um instrumento de poder que Mbembe se inspirou em Foucault e foi além. Em seu livro “Necropolítica” apontou que esses dois conceitos são insuficientes para compreender relações de inimizade e perseguições contemporâneas. Como  estudioso da escravidão, da descolonização e da negritude, relacionou o discurso e o poder de Foucault a um racismo de Estado presente nas sociedades contemporâneas, que fortaleceu políticas de morte (necropolítica).

E o que é a necropolítica?

Para ele, necropolítica é o poder de ditar quem pode viver e quem deve morrer. Com base no biopoder e em suas tecnologias de controlar populações, o “deixar morrer” se torna aceitável. Mas não aceitável a todos os corpos. O corpo ”matável” é aquele que está em risco de morte a todo instante devido ao parâmetro definidor primordial da raça.

Mbembe explica que, com esse termo, sua proposta era demonstrar as várias formas pelos quais, no mundo contemporâneo, existem estruturas com o objetivo de provocar a destruição de alguns grupos. Essas estruturas são formas contemporâneas de vidas sujeitas ao poder da morte e seus respectivos “mundos de morte” – formas de existência social nas quais vastas populações são submetidas às condições de vida que os conferem um status de “mortos-vivos”.

Sabemos que em cada sociedade existem normas gerais para o povo – homens e mulheres livres e iguais. A política é o nosso projeto de autonomia por meio de um acordo coletivo nos diferenciando de um estado de conflito. Nesse sentido, Mbembe afirma que cabe ao Estado estabelecer o limite entre os direitos, a violência e a morte. Mas, ao invés disso, os Estados utilizam seu poder e discurso para criar zonas de morte. O filósofo levanta exemplos modernos: a Palestina, alguns locais da África e o Kosovo. Nessas zonas, a morte se torna o último exercício de dominação.

O autor afirma que quem morre em zonas como estas são grupos biológicos geralmente selecionados com base no racismo. Funciona assim: é apresentado o discurso de que determinados grupos encarnam um inimigo (por vezes fictício). A resposta é que, com suas mortes, não haverá mais violência. Assim, matar as pessoas desse grupo pode ser aceito como um mecanismo de segurança.

Outros pontos da obra de Mbembe

Mbembe também utiliza os conceitos de estado de exceção para mostrar como a relação de inimizade torna-se a base de uma licença para matar e como o poder apela a uma exceção (emergência fictícia da existência inimigo) para justificar um extermínio.

Outro ponto relevante das críticas do camaronês é que as análises de Foucault permaneciam em uma esfera eurocêntrica (focada na sociedade europeia) que ignora fenômenos ocorridos fora dessa visão desde o imperialismo colonial. Segundo o autor, a ideia de “eliminação de inimigos do Estado” sempre esteve ligada ao período escravocrata.

Por isso, Mbembe é considerado um dos poucos teóricos contemporâneos que pensa o contexto mundial atual utilizando ideias foucaultianas para analisar problemáticas de regiões periféricas e dar foco em genocídios não europeus a fim de demonstrar que estes seguem ainda hoje os padrões chamados por ele de tardo coloniais.

Como a obra se relaciona com a realidade?

Como observado por Foucault e Mbembe, alguns discursos podem promover inimizades entre grupos, ao instaurar regimes de medo, insegurança e precariedade. Geralmente, esses movimentos descrevem situações como “desordens”, “situações de emergência”, “conflitos armados” ou “crises humanitárias”.

A utilização de tais nomenclaturas não está incorreta em muitos casos. Diariamente percebemos diversas situações caóticas em nossa sociedade. No entanto, a preocupação acerca de tais discursos está relacionada ao limite ao qual pode-se chegar para “resolver” tais situações. Pois, como vimos, os discursos podem ter o poder de estabelecer parâmetros de aceitabilidade para tirar vidas.

Como Mbembe defende, a escravidão foi uma expressão necropolítica fundamentada pelo pensamento hegemônico eurocêntrico que negou por muitos anos aos negros o status de seres humanos. Esse pensamento resultou em milhares de mortes e, mesmo que aparentemente “superado” pela humanidade devido à abolição da escravidão, ainda tem reflexos enormes. Encontramos, na atualidade, estratégias de captura, aprisionamento, exploração, dominação e extermínio do corpo negro que segue ainda a cartilha do colonialismo.

Mas não só os negros. Quanto mais frágil for determinado grupo (em classe, raça, gênero, etc.) – sejam mulheres, indígenas ou outras minorias – maior o desequilíbrio entre o poder da vida e da morte sobre esse grupo. Por isso existem inúmeras discussões sobre estruturas racistas e patriarcais na sociedade que, direta ou indiretamente, produziram práticas e relações sociais desiguais, cujos efeitos ainda são nefastos.

As noções de “necropolítica” desenvolvidas pelo autor ajudam a compreender as formas pelos quais, no mundo contemporâneo, os Estados, por vezes, adotam em suas estruturas a política da morte – o uso ilegítimo da força por meio de seu aparato policial ou a política de inimizade em relação aos determinados grupos – como um discurso necessário para a política de segurança da maioria.

O que a necropolítica tem a ver com o Brasil?

No Brasil, ao longo de nossa história, alguns discursos tiveram o poder de retirar a humanidade de certos grupos através da desclassificação da pessoa, ou seja, da ideia de que ela merecia ser punida ou que as políticas são para a maioria e não para minorias.

A ditadura no Brasil foi um desses momentos. Os 21 anos do regime autoritário resultaram em mortes e corpos desaparecidos. À época, quando um opositor ao regime era preso, torturado ou assassinado, este corpo era considerado um inimigo visível e determinado que merecia um fim. O discurso promovido tinha o poder de estabelecer parâmetros aceitáveis para tirar vidas e controlar as pessoas.

A escravidão também foi um desses momentos. Os 300 anos da precarização de inúmeras vidas foram a base da construção e formação da sociedade brasileira. Mesmo assegurados a todos os direitos que nos igualam de forma jurídica, os dados mostram que nem todos tem as mesmas oportunidades.

Nesse mesmo sentido de marginalização de pessoas, existem discursos que fortalecem a ideia de que existem lugares subalternizados com alta criminalidade em que vidas podem ser tiradas em prol do bem comum. A guerra ao tráfico e à criminalidade no Brasil é um exemplo.

Mas também há necropolítica nas prisões. O tratamento da população carcerária, com punições com foco na privação da liberdade, a superlotação das cadeias e baixas condições sanitárias são reflexos disso. Conforme apontado pelo CONJUR, só em 2018 foram mais de 1.400 mortes em presídios no Brasil.

A necropolítica e o COVID-19

É fato que o coronavírus não faz distinção em seu contágio. A contaminação independe de raça, classe, gênero ou orientação sexual. No entanto, o comportamento adotado pelos Estados e suas sociedades pode ser capaz de produzir dinâmicas de diferenciação. A necropolítica pode ajudar a entender porque determinadas pessoas são mais vulneráveis ao Covid-19.

Desde o início da pandemia, as expectativas eram de que as favelas seriam grandes vítimas do coronavírus no Brasil. Como as principais medidas de combate à disseminação do vírus são o isolamento social e a higiene das mãos, não reunir condições de cumprir tais requisitos pode rapidamente tornar pessoas uma vítima da doença. Pessoas que não possuem acesso às instalações de saneamento básico adequadas, fornecimento de água tratada e recolhimento de esgoto tornam-se alvos fáceis.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apenas 41,5% dos municípios brasileiros dispunham de um Plano Nacional de Saneamento Básico em 2017. O resultado dessa falta de planejamento se reflete na saúde: um em cada três municípios relata a ocorrência de epidemias ou endemias provocadas pela falta de saneamento básico.

Da mesma forma, o isolamento requer a possibilidade de trabalhar em casa ou ter condições de locomover para o seu trabalho evitando aglomerações, o que não é possível para partes mais vulneráveis economicamente já que ocupam atividades que geralmente não poderiam ser executadas a distância.

Ocorre que, já em meio à pandemia, as comunidades veem o coronavírus se espalhar, mas as vítimas da doença permanecem quase invisíveis ao sistema epidemiológico. A alta letalidade e números de casos inexplicavelmente baixos põem em dúvida dados de Covid-19 nas favelas do Rio e desperta questionamentos acerca de sub-notificações, que podem ocasionar em uma falsa sensação de segurança e, assim, agravar a situação do contágio em determinados locais.

O Covid-19 tem gerado, portanto, um agravamento de uma crise já existente. Suas consequências escancaram a desigualdade social vivenciada diariamente por indivíduos em locais onde o isolamento é praticamente impossível. A situação é um anúncio de dados possivelmente preocupantes que podem evidenciar a  necropolítica em locais de vulnerabilidade.

Neste cenário já caótico, há também o debate sobre qual deveria ser a política prioritária neste momento: salvar vidas ou salvar a economia. Há estimativas de que a economia brasileira pode sofrer efeitos por mais de dez anos devido ao coronavírus, e esta é uma questão que deve ser levada em consideração, pois reflete diretamente nas áreas sociais e políticas do nosso país.

Contudo, houveram críticas aos posicionamentos de diversos governantes no mundo ao relativizarem a gravidade da situação ou afirmarem que “muitos iriam morrer”, desconsiderando o valor de algumas vidas. De forma geral a pandemia tem demonstrado, em alguns de seus impactos, que algumas vidas valem mais que outras e “quem tem pouco valor” pode ser facilmente desconsiderado ou descartado, afetando sempre as mesmas raças, classes sociais e os mesmos gêneros.

SINOPSE CURTA:

Você está diante do conjunto de lápides de um cemitério vertical. Uma espécie de condomínio funerário onde todos que aqui habitam foram colocados, em maior ou menor nível, de maneira imposta e impiedosa. Dizem que a morte a todos iguala. Mas os caminhos até ela são bem distintos.

SINOPSE TURÍSTICA:

Ao transitar entre as sepulturas deste cemitério vertical, você encontrará a “Verdade Paralela”: um futuro distópico ou uma realidade possível?; a Cabeça sendo comida por dentro pelos que – aparentemente soterrados – agora se manifestam; uma mulher artista, psicanalista e pesquisadora workaholic que vai perdendo sua memória, percepção e sanidade na medida em que seu companheiro se aproveita do isolamento social da pandemia do COVID-19 para enclausurar sua vida anímica com abusos psicológicos; uma personagem que nasceu, mas não viveu, e que tenta contato com Cristo em busca do seu direito de matar; uma mulher que, ao sentir a morte se manifestar em seu próprio corpo, percebe que passou a vida moribunda, sucumbindo à cultura machista de extermínio de mulheres e do feminino; uma mulher que alega estar acometida deDelirium Tremens Post-Mortem, que trata do alívio de finalmente ser diagnosticada com uma doença que poderia acarretar no ganho pleno da visão; um idealista que rememora sua trajetória até ali, refletindo sobre o que seus desejos e máscaras o transformaram; um executivo que se indiganão sentir é uma virtude ou um vício?”; a bala perdida que sempre encontra um corpo negro.

SERVIÇO:

Curta Temporada

Dias 24 a 25 de julho e 31 a 01 de agosto

Sábados e Domingos pontualmente às 20h

Pedimos que acessem o link do ingresso com 15 minutos de antecedência

Ingressos a R$10, R$20, R$30 ou R$50

Ingressos no Sympla

Via Streaming pelo site da Inbox Cultural

O link de acesso será enviado no e-mail de confirmação da compra do ingresso

Duração: 90 minutos

Todos os dias o público é convidado para uma conversa após a sessão

Classificação: 16 anos

CEMITÉRIO VERTICAL – FICHA TÉCNICA

Dramaturgia e Atuação | Diego Lima, Juliana Poggi, Lorena Garrido, Luís Paulon, Maria Amélia Lonardoni, Maria Eduarda Pecego, Michelle Braz, Paloma Alecrim, Paulo Castello, Rebecca Loise, Renato Izepp, Vinícius Aguiar e Vitor Julian

Organização Dramatúrgica | Criação Coletiva

Provocação Dramatúrgica | Vitor Julian e Eric Lenate

Dramaturgia de Encenação Virtual | Eric Lenate e Vitor Julian

Direção | Eric Lenate

Direção Assistente | Vitor Julian

Supervisão técnica | Eric Lenate

Operação técnica | Luís Paulon e Vitor Julian

Efeitos visuais | Juliana Poggi, Luís Paulon, Michelle Braz e Vitor Julian

Trilha sonora e desenho sonoro | L. P. Daniel

Músicas originais do solo “Verdade Paralela” | Michelle Braz

Arte gráfica e comunicação digital | Juliana Poggi

Assessoria de imprensa | Adriana Monteiro – Ofício das letras

Apoio na comunicação | Bossa Comunicação

Produção | Letícia Crozara

Direção de produção | Júlia Ribeiro e Kauê Telloli

Realização | Inbox Cultural

Parceria | Sociedade Líquida – Eric Lenate e L. P. Daniel

Agradecimentos | Estrela Straus, Gabriel Luiz, Luiz Eugênio, Manuella Loise, Daniella Luize, João Luiz, Marcelo Checchia, Bruno Javorski, Marcos Carvalho, Fabiano Manica, Priscila Venosa, Julia Medeiros, Patrícia Sakate, Mel Audi, Luís Rogério, Naara Aragão, Cyntia Batistetti, Jessica Moreira, Cíntia Moreira, Joana Lima, Tayná Campos, Maria Ignácia Rodrigues da Silva (em memória), Amélia de Castro Lonardoni (em memória), Arilda Rodrigues da Silva Lonardoni, Samira Lonardoni, Luíza Lonardoni Chá, Mariana Emiliano, Salete Alecrim, Marlene Alecrim.

Homenagem | Às bruxas, cientistas, curandeiras, artistas, donas de casa, profissionais de todas as áreas (especialmente da saúde pública), agricultoras, enfim, a todas as mulheres deste mundo que lutam ou já lutaram por liberdade, igualdade de oportunidades, direitos femininos e justiça de gênero. Às travestis, mulheres e homens transgênero, lésbicas, gays, pessoas não binárias. Aos corpos dissidentes do sistema cis-heteronormativo – os que vieram antes, os que estão aqui, os que virão depois. Às crianças transviadas. Às pessoas que resistem, todos os dias, ao estado de excessão permanente perpetrado pelo Estado nas regiões periféricas e/ou marginalizadas. Aos povos originários destas terras. Às pessoas indígenas e quilombolas. Às mais de 500 mil vítimas da Covid-19 no Brasil, dentre as quais, tantas mortes poderiam ter sido evitadas. Nosso respeito e compaixão por todos e todas que resistiram, mas tiveram suas vidas interrompidas pelo genocídio cotidiano motivado por questões de gênero, raça e classe.

Encenação online: ‘Cemitério Vertical’ com Rebecca Loise entreia neste sábado
Diego Lima, Juliana Poggi, Lorena Garrido, Luís Paulon (linha de cima); Maria Amélia Lonardoni, Maria Eduarda Pecego, Michelle Braz, Paloma Alecrim (linha do meio); Paulo Castello, Rebecca Loise, Renato Izepp e Vinícius Aguiar (linha de baixo) (Foto: Divulgação)

ERIC LENATEdiretor

Ator, diretor e cenógrafo. Foi formador convidado no curso de Direção e artista-orientador de Experimentos da SP Escola de Teatro entre os anos de 2013 e 2014. Iniciou suas atividades artísticas na dança aos 6 anos, optando pela formação clássica na adolescência. Já no teatro profissional em 2005, ingressou no CPT – Centro de Pesquisa Teatral do SESC, sob a direção de Antunes Filho. Foram quatro anos em contato estreito com suas práticas, em que Lenate desempenhou diversas funções: participou do Núcleo de Cenografia e atuou nas seguintes montagens do Grupo Macunaíma: “O Canto de Gregório”, de Paulo Santoro; “A Pedra do Reino”, de Ariano Suassuna e “Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues. Em 2006, com a criação de um programa novo de estudos implementado por Antunes, passou a desenvolver seu trabalho como diretor. Sua estreia profissional se deu com “O céu 5 minutos antes da tempestade”, da então também estreante, Silvia Gomez, na época integrante do Círculo de Dramaturgia do CPT. O espetáculo esteve em cartaz durante todo o ano de 2008 e foi nomeado para diversos prêmios como o Qualidade Brasil de melhor espetáculo na categoria drama. Foi diretor e cenógrafo da peça “Rabbit”, de Nina Raine, projeto da Companhia Delas de Teatro que estreou também em agosto de 2012, em São Paulo, no teatro Eva Herz. Este trabalho recebeu duas indicações ao extinto prêmio CPT 2012 (melhor trabalho apresentado em sala convencional e melhor direção). Ainda em 2012, Lenate foi indicado ao prêmio Shell na antiga categoria especial “pela força performativa de seus experimentos”. “Vestido de Noiva”, trabalho que dirigiu em 2013, esteve em cartaz em São Paulo. Este espetáculo rendeu a Lenate o prêmio Aplauso Brasil 2013 de melhor arquitetura cênica. “Sit Down Drama”, espetáculo que dirigiu em 2014, estreou no Teatro SESC Anchieta em São Paulo. Por este trabalho, Lenate foi indicado ao prêmio Shell de melhor direção. Em 2015 funda a Sociedade Líquida, projeto-provocação responsável pelos trabalhos: “Ludwig e suas irmãs”, de Thomas Bernhard; “Mantenha fora do alcance do bebê”, de Silvia Gomez; “Fim de Partida”, de Samuel Beckett, pelo qual foi indicado ao prêmio APCA de melhor ator em 2016; “O teste de Turing”, de Paulo Santoro, e “Refluxo”, de Angela Ribeiro, que esteve em cartaz em 2017 no Mezanino do Centro Cultural FIESP, pelo qual Lenate recebeu o prêmio Shell de melhor cenário e foi indicado ao mesmo prêmio na categoria melhor direção, em São Paulo. Em janeiro de 2017, no Rio de Janeiro, e em março de 2018, em São Paulo, estreou “Love, Love, Love”, de Mike Bartlett, em parceria com o Grupo 3 de Teatro. Por este trabalho, Lenate foi indicado aos prêmios APTR 2017 e Shell 2017 de melhor direção, ambos no Rio de Janeiro. Este trabalho ainda foi indicado em 2018 ao prêmio APCA de melhor espetáculo e ao prêmio Aplauso Brasil na categorias: direção e espetáculo, ambos em São Paulo. Em 2019, em parceria com Erica Montanheiro, estreou o projeto “Balada dos Enclausurados”, composto pelos solos “Inventário” – escrito e atuado por Erica, com direção de Lenate – e “Testemunho Líquido” – escrito e atuado por Lenate e dirigido por Erica. Balada dos Enclausurados foi eleito pela revista Veja como o “espetáculo do ano” e Lenate foi indicado ao prêmio APCA 2019 de melhor ator por sua atuação em “Testemunho Líquido”.

VITOR JULIANDiretor assistente

Vitor Julian é ator formado pelo Projeto Pedagógico do Espaço Cia da Revista (2017/18) e estudante de dramaturgia. Atuou nos espetáculos teatrais “A Resistível Ascensão de Arturo Ui”, de Bertolt Brecht, com direção de Kleber Montanheiro (2018); e “Oceano”, do Grupo XPTO, com direção de Osvaldo Gabrielli (2018). Estudou Danças Tradicionais Brasileiras, com a Cia Mundu Rodá; Presença de Atores e Performers, com Jan Ferslev; Teatro Gestual, com a cia franco-brasileira Dos à Deux; e Mímica, com Luis Louis.

 Entre os anos de 2017 e 2018, trabalhou no Espaço Cia da Revista ao lado do diretor artístico Kleber Montanheiro, como assistente de curadoria e administrador de pauta. No mesmo período, foi assistente da atriz e professora Daniela Flor em suas aulas de Interpretação e Expressão Corporal nos cursos de teatro da Escola de Atores Nilton Travesso. Como assistente de direção, trabalhou com o diretor Eric Lenate na fase audiovisual do projeto “Balada dos Enclausurados” e no experimento cênico virtual “Cemitério Vertical”, em que também foi provocador de dramaturgia. 

Desde 2020, faz parte do Núcleo de Dramaturgia Feminista, conduzido por Maria Giulia Pinheiro, com o qual realizou o podcast “Corte Perfeito Para” e o livro “Mentiras e Outros Pequenos Furtos: Um Inventário da Verdade” (Editora Hecatombe/Urutau, 2021). Atualmente, é estudante no curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro, coordenado por Marici Salomão.

solo “SEM NOME NO BOLSO” de DIEGO LIMA

Sem nome no bolso escancara a concretude da violência em que corpos pretos são submetidos todos os dias. O texto parte de uma lembrança pessoal do ator Diego Lima, a perda de um jovem amigo, fato este que ocorreu nos 90 e que ainda ressoa como estado de alerta. Era um dia qualquer, desses que a gente não imagina ser o último e três jovens foram brutalmente assassinados, seus corpos perfurados ficaram expostos no muro do colégio pedacinho de chão. Ei Zé, o que foi que aconteceu contigo? Entre as rimas, gírias e perguntas sem respostas, uma conversa que poderia ter sido evitada se desenrola por meio das lembranças fragmentas do ator que na época era só uma criança. Se se encena a dor de um corpo preto, é porque ela precisa ainda ser dita e reelaborada, assim como esses corpos também precisam ser encarados não como corpos suspeitos, mas como pessoas constituídas de subjetividades, conhecimento e tradições.

DIEGO LIMA, é formado em Artes Dramáticas pelo SENAC-SP e Licenciatura em Teatro pela Ítalo Brasileiro. Seus principais trabalhos no teatro são Mundus Immundus e Precipícios com a Cia Sassaricando São Paulo, Mesquinharia com o 1º Núcleo Experimental do Parlapatões com direção de Hugo Possolo e Luciano Gentile e Os Lunáticos infanto-juvenil com direção de Diego Dac. Além de ter colaborado com Natália Gonsales e Flávio Tolezani, nos espetáculos A Última Dança e Fala Comigo Antes da Bomba Cair como técnico de palco. Em 2019 formou o núcleo artístico Utópica Cia Teatral, no intuito de aprofundar sua dramaturgia e direção, desde então participa de algumas oficinas de dramaturgia, entre elas: Analisando Tennessee Williams com a Professora e Dra Lara Moler, Dramaturgia das Encruzilhadas e o Teatro Negro com Carlos Canarin e Você Escrevendo a História com Erica Montanheiro e Eric Lenate, onde iniciou o processo de escrita do solo O Último Canto da Araponga.No audiovisual gravou a WebSérie Club 27 com direção de Márcio Trigo, o curta metragem Mauro e Leon com direção de Paulo Gabriel Galvão, Chamado Central com direção de Daniel Nascimento, Carcereiros com direção de José Eduardo Belmonte e Herói Por Um Dia com direção de Fernando Grostein Andrade É criador do Cantinho da Criação ponto de cultura independente que desde a sua fundação segue sendo um espaço de acolhimento de projetos de jovens artistas.

solo “VOCÊ DECIDE”de JULIANA POGGI

E se o Jornal Nacional fosse pautado pelo WhatsApp? Recentemente um relatório da OCDE revelou que 67% dos alunos brasileiros de 15 anos não sabem diferenciar fatos de opiniões. Não deveria ser uma surpresa, numa era em que algoritmos nos colocam em bolhas que tornam cada vez mais difícil a convivência com o contraditório. A ideia de que apenas o que cabe na nossa narrativa própria sobre o mundo pode ser tido como fato alimenta a ficção binária que vem se esparramando pela realidade. Como seria nossa percepção da pandemia sem a grande mídia? Qual a última fronteira entre a mídia “independente” e a “paralela”? Acima de tudo, qual o nosso papel nisso, com a comunicação direta dos meios digitais? Nesta jornada, você decide: ou fake, ou fato. Como disse Cecília Meirelles, “é uma pena que não se possa estar ao mesmo tempo em dois lugares”.

JULIANA POGGI é formada como atriz pelo Lee Strasberg Theater and Film Institute New York e Teatro Escola Macunaíma, além de Bacharel em Audiovisual pela ECA-USP. Estudou com preparadores de elenco como Tomás Rezende, Estrela Straus e Christian Duurvoort, além do diretor Luciano Sabino. No audiovisual, foi a servente Janaina na novela Sete Pecados, de Walcyr Carrasco, direção geral de Jorge Fernando, na Rede Globo (2007) e atuou no Telecurso 2000. Trabalhou por mais de dez anos no marketing esportivo nacional, com projetos na Olimpíada de Londres, Copa do Mundo de 2014 e, especialmente, no São Paulo FC, produzindo conteúdo para cinema, TV e internet. Em 2018 retornou às artes. Está no elenco do longa “O Auto da Boa Mentira”, roteiro de Tatiana Maciel e supervisão de João Falcão, direção de José Eduardo Belmonte. No teatro, foi Lady Macbeth e Emilia em “Shakespeare e o Verme Que Comeu o Rei”, direção de Eric Lenate. Trabalhou ainda com diretores como Cynthia Falabella, Einat Falbel, Luciana Magiolo e Fausto Viana, entre outros. Traduziu e adaptou seis monólogos da peça Talking With… (Falando Com…), de Jane Martin, além de fazer parte do elenco da produção, que teve o processo de ensaio interrompido pela pandemia.

solo “REFLEXÕES PARA DANTES DO EXTERMÍNIO”

de LORENA GARRIDO

“Reflexões para Dantes do Extermínio”. De dentro de uma mochila com um bebê no extremo norte do país de nome vermelho e muito próximo a uma linha imaginária chamada equador, uma personagem que nasceu, mas não viveu, tenta contato com Cristo em busca do seu direito de matar.

Natural de São Luís do Maranhão, LORENA GARRIDO radicou-se em São Paulo há 14 anos onde se fez advogada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e atriz pelo Teatro Escola Célia Helena. Fez parte da Companhia Os Satyros de Teatro por sete anos, tendo participado de diversas montagens do grupo, com destaque para “Justine” (2016), a partir da obra do Marquês de Sade; “Cabaré Fucô” (2017), “Pessoas Brutas” (2017) e “O Incrível Mundo dos Baldios” (2018), todos com direção de Rodolfo Garcia Vazquez. Em 2019, fez parte do elenco de “INTERDITOS”, dirigido por Nelson Basquerville, espetáculo que nasce a partir das rubricas de Nelson Rodrigues. Em 2020 integrou o elenco do projeto “Uma Singela Floresta de Pessoas”, teatro-dança montado pela Napalm Cimpanhia de Teatro Danca da Cidade do Porto, em Portugal. Em 2021, escreveu e atuou no espetáculo online “Essas pessoas na (sua) Sala de Jantar”, dirigido por Estrela Straus.

solo “SEM SENTIDO”de LUÍS PAULON

Em janeiro de 2007 um dos violinistas mais famosos do mundo fez um experimento no metrô de Nova York. No intervalo entre suas apresentações, com lotação esgotada no Boston Symphony Hall, ele levou o seu Stradivarius de 1713 para uma estação de metrô, colocou um chapéu à sua frente, e tocou o seu recital de seis melodias de compositores clássicos. O experimento era para ver se ele, ou seu violino, ou as melodias perfeitamente executadas, seriam percebidas no meio de uma estação lotada. Coincidentemente eu passei por essa estação de metrô no mesmo dia e no exato momento em que ele tocava. Estava com fone de ouvido.

LUÍS PAULON teve uma carreira meteórica no teatro desde o seu início profissional no primeiro semestre de 2020. Em pouco mais de 15 meses no biênio 2020-21 passou por todos os grandes teatros de São Paulo, com montagens ousadas e apresentações com sucesso de público. Quem foi ao teatro pelo menos alguma vez desde 11 de março de 2020 – sua estreia com a peça “Suspensão” – ouviu falar da sua potência no palco na frente de plateias lotadas. Egresso da escola de teatro INDAC é membro da companhia Janelas Abertas.

soloMORTE DA MULHER DE VERDADE

de MARIA AMÉLIA LONARDONI

Um dia você desperta e percebe que suas crenças, pensamentos, relacionamentos, escolhas, conquistas e anseios são fruto de uma construção machista, de um ecossistema condicionante e opressor, que aprisiona o feminino. Constata que por mais bem sucedida que pareça, você não passa de chefe do departamento logístico: café coado, crianças na escola (com tarefa feita e lanche saudável), almoço adiantado, roupa na máquina, maquiagem na cara, relatórios entregues, reuniões realizadas, camisa do marido passada, cachorro no pet, unhas feitas… Seus desejos, quando não silenciados, são breves concessões numa rotina exaustiva, injusta e massacrante. Um dia você desperta na pandemia e precisa encarar essa verdade, que é a verdade de muitas mulheres. Verdade criada, conduzida, imposta pela sociedade dos “bons costumes” perversos. Cotidianamente, os sonhos, a liberdade, as diferenças, a diversidade, a criatividade, o brilho são ceifados de milhares de mulheres. É a morte a conta gotas, que muitas vezes traz sinais na psique e no corpo. Rouba o tempo e a saúde física e mental de crianças, jóvens, idosas e adultas de meia idade (seja lá que idade isso significa). E as que buscam sair dessa condição abusiva de existência, enfrentam uma morte ainda mais brutal e abrupta. Vítimas de feminicídio, pagam o preço com o que lhes restaria de vida. Não queimaram sutiãs mas tentaram matar essa “mulher de verdade” para viverem as suas verdades. Mas vocês não queriam igualdade? Não. Queremos ter tempo e espaço para ser, dizer, agir, pensar, fazer o que quisermos, sem termos de deixar a janta pronta. Nesta lápide do Cemitério Vertical, jazz a representação das mulheres que vivem mortas, mas que, a partir deste diagnóstico, tentam ressignificar suas vidas.

MARIA AMÉLIA LONARDONI é atriz e jornalista, integrou a Cia. Permanente de Teatro da Universidade Federal do Paraná – Palavração – durante cinco anos, onde iniciou sua formação teatral, atuando em peças como “O Incrível Retorno do Cavaleiro Solitário”, adaptação do livro Dom Quixote de La Mancha”, “Uma Coroa de Orquídeas para uma Fria Pecadora, adaptação de textos de Nelson Rodrigues, “La Chose Vivant”, fruto de um trabalho coletivo dos atores da companhia, e “Os Meninos da Rua Paulo”, adaptação do romance do escritor húngaro Ferenc Molnár. Todas as montagens foram escritas e dirigidas pelo então diretor da Cia., Hugo Mengarelli, com a contribuição dos atores. Como atriz, participou, ainda, do Recital de Poesia 250 anos Goethe, com direção de Julmar Leardine, e fez pequenas participações em produções cinematográficas locais. Trabalhou como produtora de alguns espetáculos em Curitiba, com destaque para “A Metamorfose”, livro de Franz Kafka, com adaptação e direção de Fernando Kinas. Realizou alguns cursos de interpretação e de roteiro para cinema, área na qual participa de alguns coletivos que discutem a participação da mulher na indústria cinematográfica. Como jornalista, trabalhou como repórter e apresentadora durante 8 anos na maior rede de tevê do Paraná, tendo vasta experiência em desenvolvimento de roteiros e de conteúdos televisivos e de vídeos institucionais. Atualmente, atua no marketing de uma instituição pública paranaense.

solo “DELIRIUM TREMENS POST-MORTEM”

de MARIA EDUARDA PECEGO

Delirium Tremens Post-mortem trata da reflexão frente ao quão deliberado pode se tornar o distanciamento dos indivíduos frente às causas sociais que não os atingem diretamente. Quais rastros nos acompanharão eternamente? O trabalho tem como ponto de partida o dia 26 de abril de 1500: quando a primeira missa foi celebrada em solo brasileiro. Ou também: marco da instauração de necropoliticas que se alastram até os dias atuais, com o continuo auxilio de instituições intocáveis.

Nascida em Vinhedo-SP, a atriz e bailarina MARIA EDUARDA PECEGO iniciou os estudos de teatro no Teatro Escola Macunaíma Campinas em 2012, ano em que ingressou na Universidade Estadual de Campinas, onde se formou em Gestão de Políticas Públicas e administração de empresas. Concluiu o curso profissionalizante de teatro em julho de 2016 após sete montagens teatrais encenadas. No inicio de 2019, Maria Eduarda decidiu se dedicar completamente à carreira artística. Desde então, tem como objetivo aprimorar-se constantemente como atriz de teatro e também de cinema. Participou de cursos e oficinas com grandes artistas brasileiros como Cacá Carvalho, Nelson Baskerville, Denise Fraga e outros. Atualmente está em cartaz com “Maria Velata” no espetáculo online (DAS)TRIPAS(CORAÇÃO) – Solos em confinamento, dirigido por Nelson Baskerville, onde apresenta junto a sete artistas solos de autoficção desenvolvidos durante o triste momento pandêmico.

solo “VERDADE PARALELA”

de MICHELLE BRAZ

Verdade paralela: Um futuro distópico ou uma realidade possível?

“Verdade paralela” é escrita partindo do cenário atual que se extrapola até uma realidade distópica mas possível. A dramaturgia é construída utilizando o sarcasmo e forçando os limites da realidade. Com referências que passam pelo futurismo, fascismo, nazismo e o renascimento do Ultra conservadorismo atual, se embebendo do universo das mídias sociais e digitais; a cada entrada se objetiva a questionar: esta será nossa futura realidade?

MICHELLE BRAZ é atriz, formada pela escola de atores Wolf Maya em 2014. Inserida no mundo do canto e dança há pelo menos 10 anos, atuou no mundo de musicais em diversas produções, que ocuparam palcos de teatros de SP e fizeram tournée pelo Brasil. Em 2015, Participou de programa de TV no multishow dirigido por Lili Fonseca; no cinema, já participou de alguns curta metragens e aguarda estreia no longa “Looping”, dirigido por Luiz Duarte Rocha. no teatro já foi dirigida por nomes como Ruy Cortez, Nelson Baskerville e Estrela Strauss. Teve seu primeiro contato com dramaturgia no processo de auto ficção “terminal só” com Nelson baskerville, sendo este processo mais uma oportunidade de expansão nesse campo.

solo “SUBMERSA”

de PALOMA ALECRIM

A BALA PERDIDA SEMPRE ACHA UM CORPO NEGRO.

SUBMERSA se assenta no tempo-espaço como um ritual cênico feminino em sua condição de isolamento e distanciamento social, em meio a pandemia do Covid 19 o corpo negro luta contra um vírus que não escolhe cor, mas expõe o racismo do Estado. O LABORATÓRIO DE MONTAGEM: CEMITÉRIO VERTICAL com Eric Lenate tem sido um espaço de lucidez em meio ao caos. Através de diálogos críticos, ampliação de repertório, provocações políticas e estéticas, “Submersa” nasce da dor urgente de querer permanecer viva no Brasil desgovernado. Enfrentamos uma crise sanitária e econômica, o mundo em convulsão e qual corpo é alvo? Sinto que a arte-luta de cada dia se faz urgente e necessária, a arte me possibilita ser veículo para possíveis reflexões e caminhos e outros. Em 08 de Junho de 2021, a designer de interiores Kathlen Romeu morreu depois de ter sido atingida durante uma ação da Polícia Militar na comunidade do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio. A jovem – que era negra, tinha 24 anos e estava grávida de 14 semanas – A PM negou que estivesse numa operação e alegou que agentes foram atacados. Mas a família de Kathlen contestou essa versão, dizendo que não houve troca de tiros e que os disparos partiram da polícia. “Se a minha filha fosse morta por bandido, eu não falaria nada com vocês. Foi a polícia que matou a minha filha”, afirmou a mãe da jovem. Cada corpo deste que despedaçam é um corte, um retalho de navalha, uma facada na alma, um tiro no meu coração. Eu, mulher negra, sou um corpo estraçalhado no chão. Estraçalhado. Picotado. Estuprado. Violentado. E nada, nada vão fazer com os pedaços do meu corpo sub-mer-so no chão.

PALOMA ALECRIM é Atriz, Performer e Produtora Cultural, nascida em Araçuaí, onde começou sua carreira se inspirando nas manifestações de cultura popular do Vale do Jequitinhonha e pesquisando a poética do sertão de Minas Gerais. Formada no Curso Técnico em Teatro pelo IFNMG – Instituto Federal do Norte de Minas Gerais em 2016, e também formada pelo NAC – Núcleo de Artes Cênicas em 2019 – Entre suas criações estão “Olhos d’água” (encenação e dramaturgia), premiado no FESTA – (Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Araçuaí) em 2018. Atua como atriz no “Doc.malcriadas”, dirigido por Lee Taylor, que estreou em Fevereiro de 2020 – Teatro João Caetano; Atua como atriz no espetáculo “Descontrole Público” que buscando investigar novas formas de espetáculo para novos tempos, dirigido por Pedro Granato – estreia dia 20 de Agosto 2021 – Reside em São Paulo, capital. Prêmios: MELHOR ATRIZ/ 2019 Espetáculo Olhos D’água Festival Internacional de Palco e Rua de Araçuaí MELHOR DRAMATURGIA/ 2019 Espetáculo Olhos D’água Festival Internacional de Palco e Rua de Araçuaí MELHOR INTÉRPRETE/ 2017 Poesia A Namoradeira Noite Literária da 7a Mostra Cultural de Jenipapo de Minas MELHOR INTÉRPRETE/ 2014 Poesia Escárnios Ditos Noite Literária do 31° FESTIVALE em Araçuaí MELHOR ATRIZ COADJUVANTE/ 2012 Espetáculo Terra Festival de Teatro de Teófilo Otoni.

solo “NEUROCISTICERCOSE”

de PAULO CASTELLO

NEUROCISTICERCOSE: Há palavras e expressões que de tanto serem usadas, se desgastam como um corpo que envelhece. E que de nunca serem usadas, não funcionam, como um carro que não se liga esquecido em uma garagem. “É sobre isso”, por exemplo, já é tão usada quanto ” Eu te amo”. E a palavra ” Empatia”, é desgastada por uso excessivo ou por falta de uso? Se colocar no lugar de outrem ou pensar em “por os sapatos alheios” é possível num mundo tomado pelo Egoísmo e imediatismo? É, realmente, possível? Por mais que se abra a cabeça, onde se guarda o egoísmo? Quem nunca se viu desesperado porque suas necessidades não foram atendidas? Todo mundo tem necessidades não atendidas. A grande questão é: as minhas necessidades devem ser atendidas primeiro que as suas? Numa infinita cadeia de necessidades não atendidas chegamos a um corpo que julga que fizemos um acordo social para que tivéssemos nosso ”instinto primitivo” controlado e ordem assegurada. Quem foi o primeiro homem ou mulher que assinou esse contrato e disse: “isso aqui é meu , isso aqui é seu, e eu vou administrar essa região para todos, para o bem estar geral.” Em looping infinito , não parece se chegar a lugar algum , se entra no paradoxo do ovo e da galinha e ante o caos e a ruína- esses sim, avançam , sempre – aparece, nesses questionamentos, o Ódio. A revolta. O desespero. Se a farinha é pouca e o seu pirão virá primeiro, quem sobra por último? Aliás, quem sobra? Quem vence? “Vencer”, essa palavra é real ou é tão falsa quanto a palavra ” estabilidade”? O fim ulterior é o verme que come a carne. Mas pensar sobre essas coisas nesse momento devora a cabeça, suga a força de pensamento, ataca o sistema nervoso central. E se então, os vermes, que sobrarão por último, fossem terroristas poéticos que se alimentassem de ”lixo selecionado” ? Se a vida fosse dos vermes e a morte fosse dos vivos, será que seria tudo diferente? Já me confundi, porque acho , sinceramente, que o mundo já é dominado por vermes. Mas se toda ação traz uma reação, deveriam existir outros tipos de vermes, além dos que conheço: os Vermes justiceiros, que parecem não existir e –segundo me disseram – repousam adormecidos em aparente utopia, pero que los hay, los hay.

PAULO CASTELLO é formado pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT) , sob coordenação de Antunes Filho e Bacharel em Artes cênicas com habilitação em Interpretação Teatral pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).Em Recife, de onde é oriundo, estreou Nossa Cidade, de Thornton Wilder com direção de Malu Bazan e Puro Lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade, com direção de Antônio Cadengue . Estudou com Marlene Fortuna e Cacá Carvalho e desde 2020 se aprimora na técnica Meisner e na Script Analysis de Judith Weston, sob supervisão de Tomás Rezende. No audiovisual esteve no curta Meia Idade, de Gabriel Carvalho,Café Coado, de Daina Giannecchini e co-produziu , roteirizou e protagonizou o Culto Pessoal, de Flávio Ermírio, trabalho que lhe rendeu o prêmio de melhor ator em curta metragem no Berlin Indie Film Festival.

solo “MÉTODO DE EXTERMÍNIO DA VIDA ANÍMICA OU CÂMERA DE GÁS LIGHT”

de REBECCA LOISE

Método de extermínio da vida anímica ou Câmera de Gás Light é uma atuação que fala sobre uma mulher artista, psicanalista e pesquisadora workaholic que vai perdendo sua memória, percepção e sanidade na medida em que o seu companheiro se aproveita do isolamento social da pandemia do COVID-19 para enclausurar sua vida anímica com abusos psicológicos.

REBECCA LOISE transita entre a psicanálise e as artes do corpo, da cena e da performance – ou o contrário, já que a arte veio antes em sua vida e na própria construção teórica da psicanálise do divã e fora dele. Iniciou nas artes do corpo com o ballet, aos 4 anos. Aos 10, fez sua primeira peça, “O menino maluquinho”, texto de Ziraldo, direção de Meire Milan, realização da Escola de Artes EntreArtes, em Dourados – MS. A peça conquistou prêmios no 2º Festival de Teatro Universitário de Dourados (Festudo) e de melhor direção, espetáculo e atriz no 21º Festival de Teatro de MS. Dos 4 aos 15 anos, participou como bailarina em mais de 20 festivais de dança idealizados pela Academia de dança Anna Pavlowa, nas modalidades de ballet clássico, dança moderna, dança contemporânea, sapateado, dança do ventre e jazz. Aos 15 anos, cursou o intensivo em Teatro/Canto/Dança/TV na Escola de Atores Wolf Maya. Pela FUNARTE-SP estudou contato-improvisação com Gisele Calazans e o método Laban com Maria Mommensohn (2014). Pela Escola SP de Teatro, fez o curso Drag Queen com o diretor e produtor Zecarlos Gomes (2018). Pela Escola Barco Cultural (SP) concluiu os cursos de atuação método Lee Strasberg com a atriz e diretora Estrela Straus (2018), de escrita criativa com a escritora e poeta Angélica Freitas (2019) e com o escritor Marcelo Rubens Paiva (2020). Pela Cia Atos & Divãs, fez a Oficina de Teatro e Psicanálise com o psicanalista, escritor e diretor Antonio Quinet (2020). Pela Unicamp, participou do Workshop Vozes em jogo: Coralidade e Musicalidade da Cena e do Texto, com Marcus Vinicius Borja (2020). Pela Inbox cultural, concluiu o curso de teatro audiovisual com Estrela Straus e pela mesma escola, participa do Laboratório teatral Cemitério Vertical, com o ator, dramaturgo e diretor Eric Lenate. Como atriz, atuou como “Carol” na peça O menino maluquinho (1999), fez uma participação no primeiro clipe da banda “O Terno”, música “66”, com produção Alaska Filmes (2012). Atuou no curta experimental, na categoria de videopoesia, “Um par de mãos”, com direção de Cadu Modesto, que ganhou 3º lugar na Mostra Audiovisual de Dourados (2019). Fez a prima louca na produção teatral-série-metragem “O Anjo Negro”, texto de Nelson Rodrigues, com direção de Antonio Quinet (2020), realização Cia Inconsciente em Cena e Bloco Pi Produções. Fez uma atuação-performance na peça on-line “Essas pessoas na (sua) sala de jantar”, com direção de Estrela Straus, realização Inbox cultural. Como escritora, tem contos, ensaios e poesias publicados em livros e jornais. É colunista no jornal Folha de Dourados. Além de artista, atua como psicanalista em consultório particular, é psicóloga e mestra em Psicologia Social pela PUC-SP, pesquisadora no Núcleo de Psicanálise, Política, Significante pelo Instituto de Estudos da Linguagem (Unicamp), com coordenação de Lauro Baldini, e pós-graduanda em Corpo: dança, teatro e performance pela Escola de Artes Célia Helena (2021-2022).

solo “IDEOLOGIA, EU QUERO UMA PRA VIVER?”

de RENATO IZEPP

Em sua lápide um idealista rememora sua trajetória até ali, refletindo sobre o que seus desejos e mascaras o transformaram.

“Ideologia, eu quero uma pra viver?” esmiuça a trajetória de experiências contrastantes de um sujeito que busca se expressar no mundo. Através de um pertencimento que o enquadra, mas não encaixa. Pai militar. Fervor religioso. Teatro. Uma bandeira imponente. Memórias e sentimentos se misturam com o fervilhar do desejo de mudar as coisas. De um ponto de vista ambíguo-excludente, o que pode resultar disso?

RENATO IZEPP começou no teatro com 15 anos com Neto Alves, na Oficina Regional Pagu, em Mongaguá. É formado em interpretação pela Escola-Teattro Célia Helena, tendo também estudado na Escola de Arte Dramática- USP. Participou de vários oficinas teatrais, entre elas “Interpretação” com Yara de Novaes, “Improvisação Teatral” com Ana Roxo, “Commedia Dell`Arte” com Deborah Serretiello, “Palhaço” com Bete Dorgam, entre outras. No teatro, atuou em Terror e Miséria do Terceiro Reich (Bertolt Brecht), As Bruxas de Salém, de Arthur Miller, ambas com direção de Fernando Nitsch; O inspetor Geral, De Nikolai Gogol; Dias Melhores Virão, de Júlio Adamanto, entre outras. Atuou também em curtas metragens: “Da origem ao Silêncio” (direção de Fábio Baldo) e Existência Seca (direção de Thon Apolinário) e algumas publicidades.

solo “(DES)ALMA”

de VINÍCIUS AGUIAR

No dicionário “Egocentrismo” é sinônimo de: “conjunto de atitudes ou comportamentos indicando que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo”. Egocentrismo rima com: ceticismo, pedantismo, socialismo, cepticismo, idealismo, empirismo, despotismo, esquematismo, reacionarismo, verbalismo, diletanstismo, organismo, egoísmo, poderia rimar com bernardismo. Bernardo Matarazzo Álvares Penteado, Paulistano do Jardins, 39 anos, esteta por natureza, educado nas melhores escolas, com repertórios cultural e intelectual invejáveis, sabia distinguir o que era bom do excelente. Era um referencial de estilo e sofisticação dentre os mais exigentes, figura tarimbada nas colunas sociais, fez parte da lista da Forbes Under 40 por 7 anos seguidos. Teve sua vida interrompida por causa da COVID-19 e ausência da vacina, que nem todo o seu dinheiro e status pode comprar. Jaz em túmulo da família no cemitério da Consolação, descansa em paz, é o que todos pensam, em um caixão de acrílico italiano, climatizado e blindado. É o que todos pensam. Atordoado dentro de um cubículo de 2×1 metros, questiona a brevidade da vida, a ausência de privilégios no seu status pós mortis, enaltece o design italiano e desfia críticas mordazes ao estado necropolítico atual, do alto de seu túmulo e condição precária, para quem foi criado às margens do Atlético Paulistano. (DES)ALMA é escrito e encenado pelo ator e dramaturgo Vinícius Aguiar

VINICIUS AGUIAR tem 39 anos, é ator, dramaturgo e jornalista. É inquieto, curioso e esteta por natureza também. Começou a trabalhar como ator ainda criança, aos 12 anos, no Rio de Janeiro, onde atuou em pelo menos uma dúzia de espetáculos infanto-juvenis e uma peça adulta. Fez TV e publicidade, seguiu atuando até os 18 anos, quando resolveu dedicar-se à Comunicação Social. Já em São Paulo, formou-se em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi e atua há 15 anos como jornalista e relações públicas. Aos 36 anos resolveu tirar do armário o ator e embarcou então numa série de estudos, retomando à carreira através do Célia Helena Centro de Artes e Educação, onde ingressou no Curso Técnico Profissionalizante em Teatro. Desde então, tem se dedicado à investigação das diferentes técnicas de atuação, estudos do corpo e da dramaturgia, tendo estudado com nomes como Samir Yazbek, Márcio Abreu, Nelson Baskerville, Tomás Resende, Estrela Straus, Luciano Sabino, Renato Rocha, Carla Ribas, Leda Maria Martins, Michelle Ferreira, Luiz Felipe Reis, Carolina Virguez, dentre outros, em instituições como CPT_SESC São Paulo, CAL – Casa de Artes de Laranjeiras, iNBOx Cultural, B_arco, com a Companhia Brasileira de Teatro e Cia dos Atores. Em dezembro de 2020, ano #1 do confirmamento, estreou o espetáculo teatral ‘Terminal Só’, sob direção de Nelson Baskerville, no qual apresentou o solo de autoficção com dramaturgia autoral ‘ELA’, que realizou uma segunda temporada de sucesso em março de 2021. Em maio deste ano estreou com a montagem audiovisual ‘Essas Pessoas Na (sua) Sala de Jantar’, sob direção Estrela Strauss, através do Sympla Streaming. Atualmente integra o elenco de atores residentes da Cia dos Atores, do Rio de Janeiro, em processo de investigação teatral com estreia de espetáculo prevista para dezembro de 2021. Assina seu primeiro roteiro para o cinema, de um curta-metragem que será filmado neste ano com o coletivo de cinema paulistano Cinemamente, do qual é integrante e co-fundador. É ainda co-criador e editor da revista eletrônica de arte e cultura 2+2 CULT.

Encenação online: ‘Cemitério Vertical’ com Rebecca Loise entreia neste sábado
Maria Eduarda Pecego, Renato Izepp e Rebecca Loise: em três dos doze solos Divulgação/Divulgação
Leia mais em: https://vejasp.abril.com.br/blog/na-plateia/peca-necropolitica-cemiterio-virtual/
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