Empresa faz plástico de cana-de-açúcar
Novidade – 31/03/2008
Empresa faz plástico de cana-de-açúcar
A Braskem anuncia o desenvolvimento do primeiro polietileno linear certificado do mundo feito com matéria-prima 100% renovável. O produto é o resultado de uma composição com 90% de eteno e 10% de buteno, gases obtidos a partir do processamento da cana-de-açúcar. De acordo com Antonio Morschbacker, responsável-técnico por biopolímeros da companhia, o polietileno linear tem aplicação na produção de filmes transparentes e muito flexíveis, como os utilizados para embalar frios, arroz e feijão, por exemplo. “O desenvolvimento dessa tecnologia vai ajudar a Braskem a ampliar sua linha de polietilenos verdes”, diz Morschbacker. Quando o produto, certificado pelo laboratório Beta Analytic, começar a ser comercializado no mercado, em 2010, seu preço deverá ficar em torno de 30% acima dos produzidos a partir do combustível fóssil. O primeiro polietileno verde desenvolvido pela Braskem, o de alta densidade, ganhou, no ano passado, na cidade de Colônia, na Alemanha, o Oscar do setor em inovação de bioplástico: o Bioplastics Awards 2007. Morschbacker diz que o polietileno de alta densidade só utiliza eteno. “Há cerca de 200 clientes no exterior de setores como os de cosméticos, automobilístico, brinquedos, que já manifestaram interesse em importar o produto a partir de 2010, quando começa a ser produzido.” O especialista da Braskem explica que existem três aplicações para o produto: filmes, materiais injetados ou “soprados”. No primeiro caso, é possível obter embalagens flexíveis não transparentes, como as de supermercados ou de butiques, de alta qualidade. No processo de injeção, são fabricadas tampas de plástico para refrigerantes, mangueiras, utensílios domésticos, entre outros. Por meio da técnica denominada de sopro, são modeladas garrafas, embalagens de óleos combustíveis, cosméticos etc. Segundo Morschbacker, o processo de degradação do produto não é diferenciado em relação aos fabricados a partir de combustíveis fósseis. Indagado sobre o problema ambiental causado pela lenta degradação de plásticos, o especialista diz que a questão deve ser vista com cautela, pois o melhor caminho para se olhar o ciclo de um plástico passa por sua reutilização, reciclagem mecânica e reciclagem energética. “Melhor que jogar o plástico no aterro, com forte geração de metano, é reutilizá-lo, reciclar ou queimá-lo, para produção de energia elétrica.”De acordo com o especialista da Braskem, o polietileno verde permite a fabricação de sacolas de excelente qualidade, que o consumidor guarda e reutiliza, em vez de jogar no lixo. Na reciclagem mecânica, o plástico pode ser transformado em novo produto. E, na energética, é queimado e gera energia. “A Suíça recupera 20% dos plásticos produzidos. Os outros 80%, são queimados para geração de energia. È bom lembrar que um quilo de plástico tem tanta energia quanto um quilo de óleo diesel.” Segundo Morschbacker, o único caso que valoriza a biodegradação é a destinação em cidades que têm usinas de compostagem. “São Francisco, nos Estados Unidos, por exemplo, fez elevados investimentos em compostagem. Com a compostagem, você troca a emissão de metano por gás carbônico (gás não-poluente e, portanto, menos danoso ao meio ambiente) e o produto resultante é fertilizante.”
Fonte: DiarioNet



