Embargo da obra já causa demissões
Hotel Ibis – 26/06/2008
O embargo da obra do Hotel Ibis, que estava sendo construído no mesmo terreno do Shopping Avenida Center de Dourados, já provocou a demissão de oito pedreiros. Os outros 14 funcionários foram remanejados pela construtora e agora ajudam na montagem de uma loja de artigos esportivos no interior do shopping. A construtora, no entanto, garantiu que eles permanecem trabalhando apenas até 17 de julho. Todos receberam aviso prévio da empresa e ontem os operários anunciaram que o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil havia disponibilizado assessoria jurídica para que eles entrassem com processo por perdas e danos contra o empresário Stefano Hugo Telo, autor da ação que embargou a obra do Hotel Ibis. Os operários estão indignados com a liminar concedida pelo juiz da 5ª Vara Cível de Dourados, Jonas Hass Silva Júnior, que paralisou a construção. Segundo o apontador Luiz Carlos, todos os trabalhadores são douradenses e ganhavam R$ 620 por mês. ‘Quero saber se a pessoa que entrou com a ação tem família pra criar’, questiona. ‘Todo mundo gosta de trabalhar aqui. A construtora paga em dia, nosso salário iria aumentar e já estávamos ganhando até cesta básica’.O despacho atende a recurso impetrado pelo empresário do ramo da hotelaria, Stefano Hugo Teló. A alegação é de que a obra seria irregular porque está sendo construída em área do shopping que não poderia ser desmembrada, já que foi subsidiada pela prefeitura ao Grupo Ingá, para uso exclusivo do Avenida Center. A lei que autorizou o desmembramento foi aprovada pela Câmara de Vereadores em 2007. No entanto, o juiz entendeu que a obra fere a Lei Municipal de Uso do Solo que limita em 70% a ocupação do terreno, o que já ocorreu com a construção do Avenida Center. A multa fixada pelo juiz é de R$ 3 mil por dia, caso o grupo continue tocando a obra. ‘A gente não sabe o que fazer. Por causa de uma atitude dessas vamos perder o emprego no meio do ano, a pior época para arranjar outro’, afirma o operário. ‘A maioria das obras começa em janeiro. Depois que o serviço vai terminando, só existe lugar pra quem é especializado’, explica.O servente Antônio Sérgio classifica o embargo como uma ‘palhaçada’. ‘Quem tirou o nosso serviço deveria arrumar outro. O que um patrão vai pensar de um funcionário que tem a carteira assinada só por três ou quatro meses’, afirma. Os 14 operários remanejados trabalhavam na estrutura da loja esportiva no momento em que a reportagem de O PROGRESSO esteve no shopping. Todos eles demonstraram muita insatisfação com o embargo. ‘Não sabemos nem a quem procurar’, citou Luiz Carlos.
Fonte: O Progresso



