‘Em defesa da Arte e Cultura’, por Ilson Boca Venâncio
Cultura – 14/12/2009
Com o fim da ditadura militar e a criação do Ministério da Cultura uma grande expectativa se criou em torno de um orçamento que passava do status de uma Secretaria para um Ministério, tendo por isso um aumento significativo no seu orçamento.
Artistas, produtores e representantes dos movimentos culturais se dirigiram para o Rio de Janeiro para compor com suas reivindicações um projeto que atendesse interesses da produção artística do país, representando o estado do Mato Grosso do Sul.
Através da Federação Sulmatogrossense de Teatro Amador – FESMATA – estando como delegados eu e o saudoso Geraldo Garcia, então presidente da entidade, estavámos todos muito animados com a possibilidade de dar um avanço na produção cultural do país, mais fomos surpreendidos por uma reforma tributária no Ministério da Cultura.
Essa reforma dividia o orçamento para os estados com a justificativa de estruturar as recém criadas Secretarias Estaduais de Cultura sobrando para a produção cultural apenas algumas migalhas. E mais uma vez o movimento cultural ficou a ver navios, literalmente falando, já que estávamos no Rio de Janeiro…
Hoje com a proposta de criação do Plano Nacional de Cultura, esse clima de euforia volta a se criar em torno da possibilidade de um grande aumento do orçamento para a cultura, onde se coloca como lei um orçamento mínimo de dois por cento do orçamento da União, um e meio do Estado e um por cento do orçamento do Município.
Esse orçamento pequeno em comparação com outros Ministérios como exemplo, o da Educação que recebe da União vinte e cinco por cento, para nós artistas seria uma grande evolução.
Eu e a poeta Odila Lange estivemos participando como delegados na Conferência Estadual de Cultura ocorrida recentemente em Campo Grande, representando Dourados, somos testemunhos do esforço da nossa classe artística e dos gestores de cultura de todo o Estado que além de discutirmos e elaborarmos propostas importantes para o desenvolvimento da nossa cultura, acreditamos nesse novo momento.
Desse nosso encontro foram escolhidos os delegados que representam as nove regiões do Estado e ainda dois delegados representando o Conselho Estadual de Cultura. Nossa tarefa agora é sensibilizar os nossos parlamentares a aprovarem a lei nacional que cria o Sistema Nacional de Cultura, que se encontra em votação no congresso.
Digo sensibilizar porque sei que todas as pessoas conscientes compreendem a importância da cultura para o desenvolvimento do nosso povo e consequentemente do país, mas, ainda temos alguns políticos reticentes a essa proposta.
Por isso nós artistas temos esse importante papel de despertar a aqueles que acham cultura um bem dispensável, a vê-la como artigo de primeira necessidade, capaz de mudar a história de um país, fazendo com que essa aprovação ocorra rapidamente.
O Caetano já cantou em uma das suas muitas composições que Narciso acha feio o que não é espelho, então que nossos parlamentares vejam na arte e na cultura uma extensão de conhecimento e mudanças e não façam somente a política de se manterem no poder, panis et circus, foi em outro momento, hoje a arte é inovadora e requer compromissos.
Cantinho da Poesia
Fala Camus!
‘Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.'( Albert Camus )
Escritor e filosofo português, viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formaram alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor.
Cantinho da Poesia
POEMINHO DO CONTRATodos estes que aí estãoAtravancando o meu caminho,Eles passarão.Eu passarinho!Mario Quintana
I
Fonte: Folha de Dourados



