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Eles defendem ou apenas representam?, por Waldir Guerra

Eles defendem ou apenas representam?, por Waldir Guerra

Opinião – 01/09/2009

                                                               Waldir Guerra  
         As entidades de classes como sindicatos, associações e demais congêneres começam a ser questionadas publicamente, especialmente pela grande imprensa brasileira, pelas contribuições que recebem e seu consequente retorno em serviços. 
         O jornal Folha de S. Paulo (Fernanda Odilla) diz, em matéria publicada no dia 27/08, que no atual governo Lula a Petrobras aumentou em 10 vezes patrocínios a entidades sindicais. Levantamento da Folha contabilizou todos os repasses para CUT, Força Sindical e para a UNE (União Nacional dos Estudantes) no documento encaminhado pelo presidente da Petrobras à comissão que investiga a Petrobras, confirmando a veracidade da reportagem. 
         Organizações Não Governamentais (Ongs) foram criadas a torto e direito nestes últimos anos e regadas com recursos públicos, uma grande parte delas, desviam recursos para campanhas políticas e, depois das campanhas, ainda continuam a fazer a festa da companheirada.  
         Infelizmente o presidente Lula deu um mau exemplo ao vetar o artigo na Lei que autorizava o Tribunal de Contas da União (TCU) a fiscalizar as contas de sindicatos, federações e confederações, tanto de trabalhadores como patronais. Se tivesse desvinculado a obrigatoriedade dos trabalhadores contribuírem para os sindicatos, vá lá, mas contribuição compulsória das pessoas ao governo é dinheiro público, como diz o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Marinus Marisco.  
         O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia disse que o partido vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar o veto do presidente Lula ao artigo que regulamenta a atividade das centrais sindicais. “O Congresso agiu de forma correta. Como se trata de contribuição obrigatória, imposta por lei, a cobrança de um dia de salário do trabalhador se transforma em um tributo. E todo tributo tem de ter a aplicação fiscalizada. Além do mais, até sindicalistas concordam em um ponto: o veto do presidente Lula beneficia a banda podre dos sindicatos”, diz o deputado Rodrigo Maia. 
         A atitude impensada do presidente Lula vai atiçar a ganância, não só nos sindicatos, mas nas entidades – Ongs e associações de todos os matizes – que ficam a vontade para deitarem e rolarem em cima de recursos públicos. Aliás, muitas delas hoje servem mais como cabide de empregos para apaniguados de políticos que aos próprios interesses da entidade. Outras, mais parecem uma agência de viagens que entidade sem fins lucrativos, pois as despesas com viagens “a serviço” chegam a superar o custo com pessoal. 
         Contudo, se os Tribunais de Contas ficam proibidos de fiscalizar os sindicatos e congêneres, o Ministério Público certamente vai ter que redobrar seu trabalho em todas as entidades “sem fins lucrativos”, especialmente naquelas que arrecadam recursos públicos. É necessário frear agora essa roubalheira que, num futuro bem próximo, vai se transformar num escândalo múltiplo daquele que estamos vendo no Senado Federal.  
         Ao contrário do que se dizia do ex-governador Ademar de Barros: “rouba mas faz”, para justificar a possível corrupção em seu governo. Hoje, em muitas dessas entidades, pode-se dizer que “roubam e nada fazem” – pelo interesse social, evidente.  
         Ou ainda pior, muitos sindicatos e muitas entidades, nem representam bem sua classe e muito menos a defendem.  
         
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
            [email protected]/  

Fonte: Folha de Dourados

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