Desde 1968 - Ano 56

33.7 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioNoticiaEles atuam onde o caos começa: como o GRAD redefine o resgate...

Eles atuam onde o caos começa: como o GRAD redefine o resgate animal em desastres no Brasil

Quando desastres ambientais atingem o Brasil, a prioridade imediata é salvar vidas humanas, organizar evacuações e conter danos. No entanto, existe uma dimensão dessas tragédias que durante muito tempo permaneceu à margem das grandes operações: o resgate de animais. Em meio a esse cenário, surge uma atuação que rompe com o improviso e estabelece um novo padrão de resposta, onde técnica, preparo e estratégia passam a ser determinantes.

É nesse contexto que o Grupo de Resgate Animal se consolida como uma das iniciativas mais relevantes do país. Fundado oficialmente em 2011 a partir da união de médicos-veterinários e especialistas em emergências, o grupo nasceu com um objetivo claro: transformar o voluntariado em uma operação estruturada, baseada em protocolos e conhecimento técnico. Essa construção ganhou força após o desastre de Mariana, em 2015, quando ficou evidente a ausência de planejamento específico para o atendimento animal em situações de grande escala.

À frente desse movimento está a médica veterinária Carla Sassi, também bombeira civil, cuja atuação foi fundamental para consolidar o GRAD como referência na área. Sua liderança ajudou a desenvolver e difundir no Brasil a chamada medicina veterinária de desastres, um campo que exige preparo específico para atuar em cenários onde o tempo é crítico, os recursos são limitados e o risco é constante.

Embora tenha sua base histórica em Minas Gerais, o GRAD não se caracteriza como uma organização de atuação local. Seu modelo é nacional, estruturado a partir de uma rede de voluntários técnicos distribuídos por diferentes regiões do país, que são acionados conforme a ocorrência de desastres. Esse formato permite resposta rápida e atuação coordenada em cenários de alta complexidade, onde cada minuto pode fazer diferença.

O diferencial do grupo está justamente na forma como encara o resgate animal. Não se trata apenas de retirar animais de áreas de risco, mas de conduzir uma operação completa que envolve triagem clínica, estabilização, controle sanitário e organização logística em larga escala. A atuação exige conhecimento técnico, planejamento e integração com outras frentes de resposta, como equipes de emergência e órgãos públicos.

Após o resgate, inicia-se uma etapa igualmente estratégica. Os animais passam por avaliação clínica, identificação e encaminhamento para estruturas temporárias organizadas para garantir segurança, alimentação e tratamento. Sempre que possível, há um esforço para a reunificação com seus tutores, especialmente em cenários onde famílias foram deslocadas ou perderam contato durante o desastre. Quando isso não ocorre, o trabalho segue com foco em reabilitação e encaminhamento responsável.

Esse tipo de atuação evidencia uma mudança importante na forma como a causa animal vem sendo tratada no Brasil. Animais deixam de ser vistos como vítimas secundárias e passam a integrar o planejamento de resposta a emergências, não apenas por uma questão de empatia, mas também por seu impacto direto na saúde pública, no equilíbrio ambiental e na reconstrução das áreas afetadas.

Em um cenário global marcado pelo aumento de eventos climáticos extremos, iniciativas como o GRAD deixam de ser exceção e passam a representar uma necessidade estrutural. A presença de equipes preparadas para esse tipo de resposta contribui para uma abordagem mais completa, responsável e alinhada com os desafios contemporâneos.

Ao transformar o resgate animal em uma operação técnica de alta complexidade, o GRAD redefine o papel da proteção animal dentro de contextos de crise. Mais do que salvar vidas, sua atuação amplia o entendimento sobre o que significa responder a um desastre de forma integrada, onde cada vida importa e cada ação faz parte de um processo maior de reconstrução.

(Informações Petawards.com)

- Publicidade -

MAIS LIDAS