Alan Guedes, Barbosinha, Jeferson Bezerra, Professor Joca, Mauro Thronicke, Racib Harb e Wilson Matos

José Henrique Marques

Num processo eleitoral absolutamente diferente com as restrições da pandemia da covid-19 e da entrada definitiva das redes sociais nas campanhas, Dourados chega neste 15 de novembro na expectativa de que o veredito das urnas ateste ou não a veracidade das pesquisas divulgadas por institutos não tradicionais e desconhecidos, com exceção de um ou outro.

Se as pesquisas estiverem corretas o deputado estadual do DEM, José Carlos Barbosa, o Barbosinha (DEM), será eleito prefeito de Dourados com boa margem de votos sobre seu principal adversário – o presidente da Câmara de Vereadores Alan Guedes (PP), com o candidato do Republicanos Racib Harb marchando por fora, mas longe dos ponteiros na corrida sucessória pelo posto da prefeita Délia Razuk (sem partido).

Quanto aos institutos de pesquisas cabe salientar que todos são idôneos ou competentes até prova ao contrário, embora a diferença entre os ponteiros variou muito despertando desconfiança generalizada. Nessa altura da campanha nenhum fato novo, de última hora, pode virar o jogo. É consagração ou desmoralização desses institutos.

Mas, em todo caso, pela robustez e visibilidade das campanhas, a eleição será mesmo decidida entre Barbosinha e Alan. É impensável um azarão atropelar e cruzar a reta final em primeiro. Ambos têm apoios importantes, estiveram na ribalta nos últimos quatro anos por força dos mandatos e, a rigor, desenvolveram consistentes e objetivas campanhas.

Barbosinha demonstrou que realmente é um candidato preparado pela sapiência que adquiriu ao longo da vida – privada e pública. Esse é o bônus. O ônus, e bem explorado por Alan, é a experiência de liderar a bancada governista na Assembleia Legislativa na votação de matérias impopulares. Também pesa contra o Democrata a proximidade com figuras políticas enrascadas com a Justiça. Alan também explorou isso – e bem.

Esses ônus colaram na imagem de Borbosinha, apesar de todo esforço dele e de sua equipe de marketing em dissipar essas ameaças. Mas, não havia como, são verdades as assertivas, embora o candidato do DEM seja ficha limpa e não está envolvido em nenhum esquema, como o da JBS.

Tudo bem que o jogo político seja pesado, sujo e impiedoso. Alan Guedes utilizou as armas que tinha, mas lhe faltou honestidade intelectual e, como um homem correto, sabe disso – são as circunstâncias. Afinal, até março passado, Alan era do DEM, da mesma turma de Barbosinha. Saiu porque se desentendeu com o deputado estadual Zé Teixeira, o maioral do partido em Dourados. Foi com apoio desse grupo, inclusive financeiro, que o presidente da Câmara ingressou na carreira política com sucesso.  

Os contra-ataques de Barbosinha revelando o passado recente de Alan e outros ataques de menor calibre, como a insinuação de que tem apoio de Délia Razuk e de que fora conivente com operações policiais na Prefeitura, contiveram um crescente do candidato do PP nas pesquisas, mas deixou o jogo embolado, estranho, com o povo desconfiado e muita gente optando por outros nomes.

Por outro lado, não há mais dúvida que a onda sectária bolsonarista de 2018 passou, talvez pela ausência do presidente nessas eleições. Mas ficaram as brumas: o desejo de mudança, de afastar da vida pública os corruptos, do apreço às pautas conservadoras.

Em Dourados há mais ingredientes a somar nesse sentimento hegemônico no País: os crônicos problemas na saúde, nos buracos e na falta de iluminação pública nas ruas, para ficar apenas nos principais.

É evidente que essas feridas terão mais chances de serem curadas com Barbosinha, que tem apoio incondicional do Governo do Estado e de figuras proeminentes do governo Bolsonaro como a ministra da Agricultura Tereza Cristina e o suplente de senador e amigo do presidente, Rodolfo Nogueira. Não é pouco.

Ao atacar ex-companheiros, Alan fechou portas e terá que trabalhar muito, caso eleito, para construir pontes, embora torça muito pelo afastamento de Reinaldo Azambuja pelo STJ e a ascensão do vice Murilo Zauith (DEM), de quem é muito próximo.

Então, se o eleitorado votar em peso na tese bolsonarista vendida nas entrelinhas por Alan Guedes, ele poderá ser eleito prefeito de Dourados numa disputa acirrada com Barbosinha, que por sua vez vencerá com folga se o eleitor pensar apenas em seu quintal, no seu bairro.

Somente essas duas premissas para tentar vislumbrar o pensamento do eleitorado douradense, que ficou durante toda a campanha pensativo e calado, analisando a propaganda eleitoral e assistindo os golpes baixos disparados por apoiadores dos dois candidatos nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.

Quanto as demais candidaturas, vale a máxima de que na política perde apenas quem não disputa eleição. Racib, Wilson Matos (PTB), Professor Joca (PT), Mauro Thronicke (PSL) e Jeferson Bezerra (PMN) fizeram campanhas limpas e propositivas, com ou outro arroubo verbal. Todos saem cacifados para futuras eleições em 2022 e 2024.

Mas, por cautela e pelo sim pelo não, convém lembrar de que de urna e cabeça de juiz ninguém sabe afirmar o que, de repente, pode vir à luz. Portanto, como são homens de fé, ainda resta esperança para Racib, Wilson, Joca, Mauro e Jeferson.

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