Economia viveu da euforia ao medo da crise em 2008
Economia – 30/12/2008
O ano de 2008 foi marcado por momentos distintos na economia de Mato Grosso do Sul. Nos primeiros meses, a euforia, acompanhando o cenário nacional, de aquecimento econômico. A partir de outubro, a insegurança gerada pela crise internacional, que fez as empresas pisarem no freio, reduzirem produção e enxugarem os quadros de funcionários.
Já em 2007 a alta nas exportações, recuperação de preços dos grãos, do boi e elevação do nível de emprego começaram a refletir no consumo e nos setores do comércio e serviços, gerando um efeito em cadeia.
No setor da construção civil o “boom”, gerado tanto pela vinda de novos empreendedores do setor imobiliário, indústrias, supermercados e investimentos privados, fez “sumir” a mão-de-obra e vários materiais elementares do mercado, como aconteceu com o cimento.
Em Campo Grande a instalação de novos supermercados agitou o setor e a concorrência e fez os que já estavam estabelecidos investirem em suas estruturas e melhorar as ofertas para não perder clientela. Ao mesmo tempo, a pecuária prosperava com o preço do bezerro e do boi gordo nas alturas. Foi um alívio para os produtores, que amargaram vários anos de custos elevados e remuneração baixa. Já os consumidores assistiram aos preços dos principais cortes de carne bovina subirem em draticamente 100%, nas gôndolas.
Aliás, foram os alimentos os principais responsáveis pelo aumento do custo de vida da população ao longo do ano. Com os alimentos em alta, as terras também valorizaram.
Ao mesmo tempo o setor da mineração comemorava a decolada das exportações. Isso fez com que Corumbá, que já em 2006 havia assumido o posto de 2º município em importância econômica de Mato Grosso do Sul, ocupasse o posto de maior exportador do Estado.
Reviravolta – No segundo semestre o cenário começou a mudar. As primeiras manifestações de problemas partiram das indústrias do setor frigorífico. Com o alto abate de matrizes nos últimos anos a oferta de boi diminuiu e as unidades exportadoras, que conseguem pagar melhor pela arroba do boi gordo, conseguiram ampla vantagem na compra de animais.
Frigoríficos menores suspenderam atividades, demitiram funcionários e houve até casos de calote, como do Campo Oeste. Segundo a Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), a unidade operava em nome de “laranjas” e deve R$ 12 milhões na praça, a maior parte referente a bois entregues para o abate e não pagos aos produtores.
O ano também foi decisivo para a Cooagri, a principal do Estado e uma das maiores do País. A crise colocou produtores contra a cooperativa da região sul, que entraram na Justiça para retirar grãos estocados e colocados como garantia de pagamento de dívidas. O resultado é a venda da Cooagri, que deve ser efetivada em 2009.
Construção – Em outubro a crise imobiliária dos Estados Unidos propagou seus efeitos pelo mundo, retraindo a oferta de crédito, desvalorizando ações e inibindo o consumo. O dólar foi às alturas. O setor agropecuário, altamente dependente de financiamentos privados, por tradings (empresas que financiam a agricultura por meio da compra antecipada de safras), foi fortemente afetado.
As mineradoras anunciaram suspensão de atividades e milhares de trabalhadores de carvoarias foram demitidos. O setor de automóveis foi um dos que mais sentiu os efeitos, com redução drástica nas vendas.
A queda já era esperada, como uma acomodação, devido ao ritmo muito acelerado dos últimos anos, mas a proporção foi maior do que se podia imaginar.
Para amparar a economia, o governo estadual adotou medidas de socorro, reduziu alíquotas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e os valores de referência para cobrança do imposto, as chamadas pautas fiscais.
Socorro – O governo federal lançou um pacote, prevendo desoneração da renda do trabalhador, com a criação de alíquotas intermediárias de Imposto de Renda, e isenção do IPI (Imposto sobre Produto Importado). Com esta medida, os últimos feirões de veículos registraram alta de até 40%, segundo o setor.
A despeito da turbulência e das demissões em massa, concentradas principalmente nos setores de mineração e frigorífico, os principais indicativos econômicos apontam que o ano deve ser encerrado com saldo positivo para Mato Grosso do Sul.
No acumulado de janeiro a novembro foram geradas 24.969 novas vagas de trabalho, 23% a mais que no mesmo período de 2007. A maior parte dos novos empregos foram criados nos setores de Serviços, Agropecuária, Comércio e Indústria (nesta ordem).
No comércio, dados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) mostram que as vendas têm superado as de 2007, com movimento de Natal 3,5% maior que o do ano passado.
A balança comercial aponta que no período de janeiro a novembro foram exportados mais de US$ 2 bilhões, crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano passado.Segundo a Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul) no acumulado deste ano já foram constituídas 7.043 empresas, aumento de 7% comparado a todo período de 2007 (de janeiro a dezembro). Por outro lado, analisando o mesmo período o número de empresa extintas passou de 1382 a 1482.
Em novembro o relatório divulgado pelo governo do Estado apontava que a arrecadação de ICMS havia crescido 20% em 10 meses, atingindo os R$ 3,3 bilhões.
Embora os números apontem um saldo positivo o momento não é de tranqüilidade. A perspectiva é que a crise continue produzindo efeitos pelo menos nos primeiros meses de 2009.
Fonte: Campo Grande News



