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Dr., tenho ‘tiróide’?

Leia – 05/05/2008

Pergunta muito freqüente nos consultórios. A tireóide – do grego thyreoeidés, em forma de escudo – é uma glândula que todos nós temos e raramente alguém nasce sem ela (agenesia). Se uma criança nascer sem a glândula ou com carência de seus hormônios, revelada pelo teste do pezinho ( hipotireoidismo congênito), poderá evoluir para o retardo mental se não tratada em tempo, porém, poderá ter vida normal desde que faça a reposição hormonal. A glândula produz dois hormônios: T3 e T4, fundamentais para o metabolismo do organismo. Se estes estiverem reduzidos podem levar ao hipotireoidismo com sintomas como: cansaço, fraqueza, sonolência, pele seca, queda de cabelo, inchaços, dores em braços, pernas e articulações, tendência a engordar e à depressão; se estiverem elevados, no hipertireoidismo, poderão causar taquicardia (‘batedeira ou palpitação’), nervosismo, irritabilidade, insônia, exoftalmia (olhos saltados) e bócio (aumento da tireóide). Importante ressaltar que a glândula pode conter nódulos em cerca de 15% da população, mas nem por isso recomenda-se operar todos os casos. Não se faz o rastreamento para identificar a doença como no câncer de mama, de útero ou de próstata, devido aos baixos índices de mortalidade. Porém, quando há uma suspeita clínica, esta deve ser investigada através do ultrassom. Diante de um nódulo maior ou igual a 10 mm ou 1 cm  e suspeito de malignidade (irregular, hipoecogênico, com calcificações puntiformes, com vascularização aumentada) indica-se uma PAAF (punção aspirativa com agulha fina), uma espécie de biópsia, de amostra, para saber qual a atividade do nódulo e se deve ser operado. No entanto, esse método tem uma margem de erro que varia de 20 a 30%, necessitando, às vezes, de um seguimento cuidadoso e novas punções se persistir a suspeita. Também importante na avaliação do nódulo é a cintilografia – exame da medicina nuclear – que avalia a captação da tireóide com tecnécio ou iodo radioativo, sendo considerado ‘frio’ o nódulo que pouco capta esses elementos, revelando uma diferenciação das células da tireóide e aumentando a suspeita de malignidade do nódulo. Por fim, quando se indica uma operação da tireóide? Quando a PAAF indica câncer ou neoplasia maligna e lesões proliferativas suspeitas, a operação é necessária e sempre será indicada. A indicação da operação será relativa quando as alterações da tireóide progredirem para o bócio com queixas estéticas ou com sintomas compressivos (dor, dificuldade para engolir, respirar, ou falar), para o hipotireoidismo com nódulos, ou para o hipertireoidismo refratário a tratamento clínico e quando contraindicado o uso de iodo radiativo. Complicações esperadas da operação: 1 % dos pacientes têm rouquidão que pode ser transitória ou permanente; de 10 a 30 % sofrem hipocalcemia – falta de cálcio devido hipoparatireoidismo – queda do paratormônio (PTH) das glândulas paratireóides. Por fim, o ato cirúrgico deve ser avaliado pelo médico, paciente e seus familiares considerando seus riscos, benefícios, custos e prognóstico da doença.
Dr. Mário Eduardo Rocha Silva
Médico, Cirurgião de Cabeça e Pescoço.

Fonte: Folha de Dourados

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