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Dourados tem 74% de positividade para chikungunya e mais de 3 mil casos prováveis

Redação –

O município de Dourados (MS) enfrenta um cenário de emergência em saúde pública com o avanço da chikungunya. Dados atualizados apontam que a cidade já soma 3.519 notificações da doença em 2026, com tendência de crescimento nas últimas semanas e sinais de sobrecarga no sistema de saúde.

Segundo o informe epidemiológico, são 3.081 casos prováveis da doença, dos quais 1.259 já foram confirmados. Outros 1.822 seguem em investigação, enquanto 438 foram descartados. A taxa de positividade — que mede quantos testes realizados dão resultado positivo — chegou a 74,2%, indicando alta circulação do vírus no município.

A taxa de ataque, que estima o número de pessoas afetadas em relação à população, está em 11,67 casos por mil habitantes.

Epidemia ainda em ascensão

A análise da curva epidemiológica mostra que a transmissão segue em expansão. Até a semana epidemiológica 12, os registros continuavam em alta. Já a aparente queda na semana 13 é atribuída ao atraso na atualização dos dados, comum em momentos de epidemia, quando há sobrecarga nos serviços de saúde.

O padrão recente também indica grande número de pacientes ainda na fase aguda da doença, o que pode resultar em complicações e evolução para fases mais graves nas próximas semanas.

Unidades de saúde e UPA sob pressão

As unidades básicas de saúde já registram aumento expressivo na demanda. Apenas pelo sistema municipal ArboNotifica, foram contabilizadas 1.531 notificações oriundas desses serviços, com destaque para regiões como Bororó, Jóquei Clube e Seleta.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o impacto também é evidente. A média diária de atendimentos saltou de 302 para 454 pacientes após o dia 23 de março — um aumento significativo que acompanha a escalada dos casos suspeitos de chikungunya.

Internações e mortes preocupam

Atualmente, 32 pessoas estão internadas em hospitais da cidade com suspeita ou confirmação da doença. Os casos estão distribuídos entre unidades como o Hospital Universitário e o Hospital Porta da Esperança.

O município também confirmou cinco mortes por chikungunya neste ano. As vítimas incluem idosos, adultos e dois bebês — um de três meses e outro de apenas um mês de idade. Todos os óbitos ocorreram entre moradores indígenas, o que acende um alerta específico para essa população.

Situação mais grave nas aldeias

As aldeias indígenas concentram parte significativa dos casos. São 1.933 notificações, com 914 confirmações e 218 atendimentos hospitalares.

De acordo com a análise das autoridades de saúde, embora a doença ainda tenha maior impacto entre indígenas, já há avanço consistente da transmissão para outras áreas do município.

Alerta para o sistema de saúde

O crescimento acelerado dos casos, aliado à alta taxa de positividade e ao aumento das internações, já provoca pressão sobre a rede de atenção primária, serviços de urgência e leitos hospitalares.

Especialistas destacam que o acompanhamento das próximas semanas será fundamental para avaliar o pico da epidemia e o impacto sobre os recursos de saúde disponíveis.

Enquanto isso, autoridades reforçam a importância de medidas de prevenção e do monitoramento contínuo dos casos, já que os dados ainda podem sofrer atualizações conforme novas notificações são registradas.

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