A obra, que leva o mesmo nome do projeto, já alcançou mais de 5.500 espectadores, utiliza a dança como linguagem para gerar reflexões sobre a problemática que é a violência contra as mulheres
Projeto e espetáculo de mesmo nome, “Rompendo Silêncios”, da Ginga Cia de Dança, passa por Dourados (17/04), Ponta Porã (18/04) e Campo Grande (01/05), com apresentações e oficinas. A iniciativa une arte, reflexão social e formação de público, pois além de apresentação artística, as cidades receberão ações formativas, com oficinas gratuitas de dança contemporânea, bem como e momentos de diálogo com o público, com bate-papos após cada sessão.
O espetáculo foi apresentado no último final de semana nas cidades de Miranda e Anastácio, e anteriormente quatro vezes Capital, somando alcance geral de mais de 5.500 pessoas. A comemoração com esse novo projeto é alcançar desta vez a fronteira, sendo possível graças ao recurso da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (Minc), operacionalizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura de MS. O projeto tem como parceria, ainda, o Núcleo de Artes Cênicas da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e a Prefeitura de Ponta Porã.
“Levar o trabalho para o interior é uma decisão política e artística. A gente entende que não faz sentido concentrar esse tipo de produção só nos grandes centros. Quando chegamos nessas cidades, especialmente em regiões de fronteira, não estamos só apresentando um espetáculo, estamos nos colocando em contextos em que essas questões são muito presentes”, afirma Chico Neller, diretor e coreógrafo da Ginga Cia de Dança.
Vale lembrar que em Mato Grosso do Sul, entre 2021 e 2025, mais de 180 mulheres foram vítimas do maior crime de violência contra as mulheres, o feminicídio. O ano mais violento deste período foi 2022, quando 44 casos foram registrados. O levantamento é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontou também que o estado está entre os maiores em taxas de feminicídios do país.
Em 2025, o estado registrou 39 feminicídios, superando os 35 casos de 2024, com uma taxa acima da média nacional. Já nesses primeiros meses do ano de 2026, já são nove feminicídios registrados. Os dados mostram não apenas o crescimento da violência letal, como a fragilidade na rede de proteção.
Sobre o assunto, conforme avalia Chico Neller, para o público a obra chega de maneira direta tratando do assunto de violência contra as mulheres, mas sem ser explicativa. “Ela não organiza respostas, ela abre questões. O que tenho percebido é que as pessoas saem afetadas, muitas vezes em silêncio, elaborando. Esse tipo de reação, mais reflexiva do que imediata, me interessa porque indica que a obra continua operando depois que termina”, acredita.
Sobre o Espetáculo
“Rompendo Silêncios” é uma obra de dança contemporânea que investiga as estruturas invisíveis que atravessam as relações humanas, tensionando narrativas cristalizadas sobre poder, gênero e identidade. Inspirado no trabalho Silêncio Branco (2022), a obra amplia o debate sobre a violência para além de suas formas mais evidentes, propondo um olhar sensível sobre os silenciamentos que se instauram no cotidiano.
Em cena, os corpos transitam entre opostos e zonas de incerteza, rompendo com a lógica fixa de vítima e opressor e abrindo espaço para outras possibilidades de existência. A criação propõe uma experiência imersiva e provocadora, onde o movimento se torna uma linguagem de resistência, reflexão e transformação.
Entre o que é dito e o que permanece oculto, “Rompendo Silêncios” convida o público a atravessar camadas de sentido e imaginar novos modos de relação e convivência.
Sobre a oficina “Corpo (In) submissos”
O Projeto “Rompendo Silêncios” leva para as três cidades (Dourados, Ponta Porã e Campo Grande), além do espetáculo, uma vivência profunda. Partindo da dualidade entre submissão e insurgência, a prática investiga como o corpo absorve, reage e ressignifica experiências de opressão em silenciamento.
Aberta a artistas da dança, estudantes e ao público em geral, a atividade convida jovens a partir de 16 anos e adultos a uma vivência crítica e poética, onde o corpo se torna voz e a dança se manifesta como ato político.
As vagas são limitadas e podem ser feitas nos respectivos links:
Dourados: https://forms.gle/og5UGyih9XN23JiQA
Ponta Porã: https://forms.gle/sb8yVvD4UjR3pJ1BA
Campo Grande: https://forms.gle/qoCWHCeSQoKgWsGt5
Sobre a Ginga Cia de Dança
Completando 40 anos de história em 2026, a Ginga Cia de Dança está consolidada como um dos principais grupos de dança contemporânea de Mato Grosso do Sul. Ao longo de quatro décadas, a Ginga se destaca pela criação de obras que unem pesquisa estética, engajamento social e formação de público, ampliando o alcance da dança no estado e no país.
PROGRAMAÇÃO
📍 Dourados (MS)
OFICINA
📅 Data: 17 de abril
⏰ Horário: 09h às 11h
📍 Local: Sala de Preparação Corporal Do Núcleo de Artes Cênicas – UFGD (Dourados/MS)
🎟 Vagas: 20 participantes (jovens e adultos a partir de 16 anos) no Link: https://forms.gle/og5UGyih9XN23JiQA
ESPETÁCULO
📅 17 de abril (sexta-feira)
⏰ 20h
📌 Caixa Cênica do Núcleo de Artes Cênicas da UFGD
🎟 Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes)
📍 Ponta Porã (MS)
OFICINA
📅 Data: 18 de abril
⏰ Horário: 09h às 11h
📍 Local: Sala de Dança – Rua General Osório nº 2150 (antiga estação ferroviária) Ponta Porã – MS
🎟 Vagas: 20 participantes (jovens e adultos a partir de 16 anos) no Link: https://forms.gle/sb8yVvD4UjR3pJ1BA
ESPETÁCULO
📅 18 de abril (sábado)
⏰ 19h
📌 Auditório do Centro Internacional de Convenções de Ponta Porã
🎟 Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes)
📍 Campo Grande (MS)
OFICINA
📅 Data: 29 de abril
⏰ Horário: 19:30 às 21:30
📍 Local: Ginga Espaço de Dança – Rua Brigadeiro Tobias nº 956 – Bairro Taquarussu – Campo Grande – MS
🎟 Vagas: 20 participantes (jovens e adultos a partir de 16 anos) no Link: https://forms.gle/qoCWHCeSQoKgWsGt5
ESPETÁCULO
📅 01 de maio (sexta-feira)
⏰ 19h
📌 Aracy Balabanian
🎟 Entrada gratuita (retirada de ingressos 30 minutos antes)




