José Henrique Marques –

A greve dos educadores deflagrada em Dourados há uma semana está criando fissuras no relacionamento institucional entre a Prefeitura e Câmara de Vereadores. Com a crise, o prefeito Alan Guedes (PP) pode perder a maioria no Legislativo e até ser afastado do cargo diante da impopularidade de sua administração.

A causa dos grevistas tem amplo apoio popular e a simpatia unânime dos vereadores diante da legitimidade dos pleitos: cumprimento do Piso Nacional do Magistério e valorização profissional do administrativo educacional.

Até uma Comissão foi constituída pelo presidente da Câmara, Laudir Munaretto (MDB), a fim de colaborar na busca de entendimento entre o Simted e a Prefeitura que resulte no fim do impasse, que penaliza 33 mil alunos da rede municipal de ensino.

Ocorre que a inclusão na Comissão de dois vereadores oposicionistas (o petista Elias Ishy e o republicano Fabio Luis) desagradou o prefeito e seus prepostos “intelectuais” do dito núcleo duro de poder.

Nas tratativas da semana passada [infrutíferas], a Comissão Legislativa e demais vereadores foram ignorados pelos “hábeis” negociadores da Prefeitura, gerando nas redes sociais e na imprensa aliada a falsa impressão de que os vereadores não estão ajudando nas negociações.

Vereadores da base de sustentação política de Alan Guedes, ouvidos pela Folha de Dourados, disseram que estão incomodados com o “pouco caso” e “desrespeito” da Prefeitura com os aliados que, até aqui, apoiam o prefeito e incorporaram desgaste com pautas impopulares, como a criação da taxa do lixo, aumentos de salários do prefeito e de secretários, compra de robôs em Alagoas, a não distribuição da sobra do Fundeb de 2021 aos educadores, a visita a Dubai, por exemplo.

Até aliados de primeira hora de Alan Guedes disseram à Folha que se o prefeito não rever imediatamente sua postura “autoritária” pode perder a maioria na Câmara e, assim, diante da impopularidade causada pelo caos na saúde, buraqueira e escuridão de ruas e avenidas e a própria crise na Educação, pode ficar vulnerável e até sofrer um impeachment.  

A crise entre a Câmara e a Prefeitura veio à tona em 22 de fevereiro quando Daniella Hall (PSD) renunciou à liderança do prefeito, porque, embora ela tenha sido elegante em agradecer “a confiança”, o pano de fundo foi compromissos não honrados e dificuldades em atender demandas dos vereadores.

Na segunda-feira passada (14), os vereadores da base aliada se reuniram no gabinete de Laudir Munaretto e combinaram que não defenderiam Alan Guedes das críticas dos oposicionistas na sessão daquele dia para pressionar o prefeito, demonstrando “a falta” que eles fazem.

Depois, em reunião com diretores de escolas, um dos vereadores disse textualmente: “Ou nos atende, ou vamos todos pular do barco”.

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