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Dourados deve decretar estado de emergência

Economia – 06/01/2009

Em razão da forte estiagem que atingiu em cheia a cidade de Dourados, o prefeito Ari Artuzi deverá decretar na quarta-feira o estado de emergência. Reunião técnica realizada ontem no gabinete do prefeito com o secretário de Planejamento e Agricultura Maurício Peralta e demais entidades ligadas ao setor do agronegócio e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural deu o sinal de que a decreto deverá ser confirmado.      Para a caracterização da situação de emergência é necessário analisar os fatores preponderantes e os  agravantes no município. O primeiro é relacionado à intensidade dos danos e o segundo aos prejuízos sociais e econômicos causados pela estiagem.     Relatório técnico apresentado na reunião de ontem apontam que os impactos das perdas na lavoura são suficientes para decretar a emergência. Cada entidade apresentou números diferentes, que oscilaram de 35% a 50%. Estiveram presentes membros da Defesa Civil, Embrapa, Agraer, Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar, Banco do Brasil, Sicred, Agrosoja e demais cooperativas e entidades relacionadas ao setor.      De acordo com o secretário de agricultura, a emergência pode ser decretada a partir do momento que ocorrer perdas superiores a 10%, dessa forma, os resultados discutidos na reunião apontam que o prefeito Ari deverá adotar a medida. Peralta disse que Artuzi aguarda apenas a resposta de duas comissões técnicas: o quadro definitivo do aspecto da perda real da lavoura e o aval do setor jurídico, para amparar a medida.     “Caso seja necessário decretar emergência, e é o que tudo indica, queremos ter todo o amparo jurídico para que seja reconhecido pelos governos estadual e federal”, disse o secretário.     Ele resume que várias são as situações que a região da Grande Dourados enfrentou com a estiagem. “Em algumas propriedades a perda da soja foi de 30%, mas em outras chegou a 70%. Todo esse quadro é irreversível, não há solução”, frisa Maurício Peralta. De acordo ele, com a decretação de emergência tanto o município como os produtores rurais ganham benefícios para negociar as perdas causadas pela estiagem.      O decreto de emergência tem o apoio do vereador Gino Ferreira (DEM), líder ruralista de Dourados, e do presidente do Sindicato Rural, Mariosvaldo Zeuli. Antes mesmo da posse do prefeito o vereador se mostrava preocupado com a situação, no entanto que propôs o decreto a Ari Artuzi. “A decretação significa a garantia plena da ocorrência de uma situação anormal, pois não temos o objetivo de recorrer aos cofres do Estado ou da União, para solicitar recursos financeiros, mas para dar ao produtor rural novas possibilidades de renegociar suas dívidas num momento deliciado”, esclarece o vereador Gino. A forte estiagem castigou inclusive o rebanho bovino.      O presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados, Bruno Tomazini, explica que grande parte da soja cultivada é precoce e super-precoce. “O grande período de estiagem fez com que a planta florasce sem desenvolver a vagem”, comenta, dizendo que esse ciclo será prejudicado, mesmo com as chuvas ocorridas nos últimos três dias. “Os maiores beneficiados serão os produtores que utilizaram o plantio tardio”, explica.    Bruno Tomazini disse ainda que as chuvas ocorridas foram isoladas. “Teve propriedades vizinhas que chegou a chover em apenas uma delas, mesmo assim foram pancadas de chuvas que não são suficientes para resolver o problema da estiagem”, frisa, informando que a região mais afetada compreende a extensão dos municípios de Fátima do Sul e Caarapó, onde produtores tiveram perda de até 100% da lavoura.    Em 2005 Mato Grosso do Sul registrou uma das maiores crises no setor agropecuário, quando 60 prefeitos, inclusive de Dourados, decretaram a situação de   emergência em virtude da estiagem. O decreto foi estratégico para amenizar o sofrimento dos produtores e assegurar a recuperação do agronegócio.

Fonte: O Progresso

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