Dourados apresenta projeto sobre saúde dos negros em Brasília
Saúde – 25/03/2008
A coordenadoria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial de Dourados, Edna Aparecida da Silva, está em Brasília participando do Encontro Nacional de Gestores, que termina na quinta-feira. Durante o encontro, Edna vai apresentar o projeto “Raça/Cor/Gênero: Equidade em Saúde”, que é desenvolvido pela UFGD em parceria com a prefeitura há seis meses na unidade de saúde do Jardim Maracanã I.
No posto, as pessoas atendidas são fichadas com base na raça, cor e gênero. Isso não acontece nos demais postos de saúde de Dourados e da grande maioria das cidades do Brasil. Com o projeto, a coordenadoria, ligada à Secretaria de Governo, cujo secretário é o professor Wilson Biasotto, pretende chamar a atenção sobre a saúde da população negra e também catalogar dados.
De acordo com Edna, hoje é sabido que a saúde da população negra ocorre de maneira diferenciada no Brasil. Existem doenças e outros problemas de saúde pública que afetam os negros de maneira intensa. “E aqui em Dourados? Qual é a nossa realidade? Por isso a importância deste projeto”, ressalta.
A unidade de saúde do Maracanã foi escolhida devido a presença na região do Grupo Afroaxé, que apóia o projeto. O projeto é a UFGD, com o curso de Ciências Sociais, coordenado pela professora Marisa Lomba. Outros apoiadores são o Curso de Enfermagem da Uems, as Escolas Laudemira Coutinho e Clarisse Bastos Rosa e o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a possibilidade de as meninas negras com idades entre 15 e 19 anos ter filhos nascidos vivos é de 19%, enquanto que no caso das meninas brancas é bem maior (29%). Já as crianças negras têm 60% a mais de chances de morrerem de doenças infecciosas e parasitárias que as brancas. O risco de morte por desnutrição é 90% maior entre as crianças negras e pardas. Esses dados são do programa “Saúde Brasil 2005”, do Ministério da Saúde.
Por isso, segundo Edna, há necessidade de implantar este projeto em toda a rede de saúde do município para que possa também se ter dados locais a respeito da saúde da população negra. “Hoje não se sabe do que adoecem os negros e como eles estão sendo tratados”, diz.
Fonte: Folha de Dourados



