Douradenses estão descrentes com a Justiça
Cidade – 07/08/2009
Waldemar Gonçalves – Russo
Em contato com diversas pessoas residentes em Dourados e também em cidades da região, a reportagem através de mais uma enquete popular apurou que a maioria das consultadas disse estar descrente com a Justiça brasileira, no que diz respeito às operações desenvolvidas pela PF (Polícia Federal) no combate ao crime organizado não só em Mato Grosso do Sul, como em outros Estados.
A descrença com a Justiça do país pode ser observada pela maioria dos consultados, quando da realização da operação Owari, que traduzido da língua japonesa para a portuguesa quer dizer ponto final, posteriormente anexo a ela, a operação Brothers, que quer dizer irmãos, que foram realizadas na manhã do dia 7 passado.
Na operação que acabou sendo desmembrada em duas supostas quadrilhas feitas pela Polícia Federal por determinação da juíza Dileta Terezinha e resultou na prisão de 43 pessoas, entre empresários, políticos e servidores públicos, somente uma família composta por três dos seis integrantes, e um funcionário deles, além de um vereador, este porque foi surpreendido com armas de grosso calibre em sua casa, ficou uma semana na penitenciária Harry Amorim Costa, pois acabaram sendo soltos por meio de um hábeas corpus concedido por um desembargador do Tribunal de Justiça, na capital do Estado, embora todos eles tivessem prisão preventiva decretada.
Os demais que tiveram prisão temporária decretada pela juíza não ficaram 24 horas porque também foram beneficiados com hábeas corpus concedido pelo mesmo desembargador.
POBRE DANÇA
Para muitos dos entrevistados, a PF atendendo a juíza fez a parte dela, que era o de cumprir os mandados de prisões, porém a forma como todos foram liberados, pairaram dúvidas quanto a rapidez do desembargador nas concessões dos hábeas corpus aos envolvidos. ‘Se eles fossem pobres, será que sairiam rápidos lá da cadeia’ indagou Rafael Dantas de Oliveira, residente em Dourados há 10 anos, dizendo que foi surpreendido com as prisões dos acusados, em especial da família, e muito mais ainda, com a liberação de todos em um tempo que classificou ter sido recorde. ‘A doutora Dileta, a Federal estão de parabéns, mais a Justiça lá da capital, não’ concluiu o rapaz.
Já para Natanael Caíres, em sua opinião, somente o pobre dança nas mãos da Justiça quando vai para a cadeia, uma vez que ele, geralmente não tem dinheiro para contratar bons advogados para defendê-lo. ‘É sempre assim. Tanto aqui em Dourados como em outra cidade do Brasil a polícia atende ordens de juizes e prende os acusados, e ai vem a Justiça e solta, mais pode ver, são só os bacanas. Pobre, pobre fica lá mofando na cadeia, diz o rapaz que assim como os demais ouvidos na enquete, disseram estar descrentes com a Justiça, pois entendem que a juíza e os federais fizeram à parte que couberam para cada um deles, e lamentando segundo afirmaram, a decisão do Tribunal de Justiça do Estado que fez uma outra parte, que foi a de conceder em tempo recorde, os habeas corpus para os supostos envolvidos nos esquemas de fraudes ilícitas; lavagem de dinheiro; formação de quadrilha entre outros delitos.
Fonte: Folha de Dourados



