Dólar sobe nesta quinta, mas queda no ano é de 12%
Economia – 31/07/2008
O dólar fechou em leve alta nesta quinta-feira, acompanhando a cautela internacional com a economia dos Estados Unidos em um dia de ajustes técnicos no mercado de câmbio. A moeda americana subiu 0,06%, para R$ 1,563.
A alta dos juros é a principal razão apontada para o recuo do dólar. Nas últimas três reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi elevada de 11,25% para 13% ao ano como parte do combate à alta da inflação.
Com o juro maior, aumenta a remuneração dos investimentos em renda fixa no Brasil, o que atrai estrangeiros para o País.
O aumento dos juros no Brasil deve manter o dólar abaixo de R$ 1,60 em agosto, mas a tendência de baixa da moeda não deve repetir a intensidade de ciclos anteriores, disseram analistas nesta quinta-feira. Em julho, a moeda americana teve queda de 2,13%.
“O viés, realmente, é de apreciação (do real). Mas o real não tem muito fôlego”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB.
Segundo a equipe de estratégia global em câmbio do Merrill Lynch, as operações de carry trade – nas quais os investidores tomam dinheiro a juros baixos no exterior e aplicam nos juros altos do Brasil – devem continuar a manter o real valorizado no semestre.
“A atratividade da taxa é fantástica”, disse Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.
Esse efeito sobre o câmbio pode estar ocorrendo mesmo com a saída de dólares do País, disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora. Para ele, se essas operações continuarem a mostrar força, o dólar pode seguir rumo a R$ 1,50.
Contas externas Mas a deterioração das contas externas deve, mais à frente, frear a desvalorização do dólar. No primeiro semestre, o Brasil teve déficit de US$ 17,4 bilhões nas transações correntes, recorde para o período, com o aumento das remessas de lucros e dividendos.
E “no curto prazo há o fortalecimento do dólar frente às outras moedas”, completou Padovani, em referência à recuperação da divisa no último mês em meio aos sinais de que a economia dos Estados Unidos pode ter evitado uma recessão.
“Resumindo: o câmbio fica onde está, só um pouco para baixo no próximo mês”, disse o economista. Para os analistas do Merrill Lynch, o dólar chega ao final de setembro a R$ 1,55.
Fonte: Reuters



