Dólar fecha a R$ 2,33; Bovespa amarga retração de 3,13%
Câmbio – 30/03/2009
As casas de câmbio trocaram o dólar comercial por R$ 2,332, o que significa um avanço de 1,70% sobre a cotação de sexta-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado por R$ 2,470, em alta de 2,48%. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desaba 3,13%, aos 40.595 pontos. O giro financeiro é de R$ 2,97 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York perde 3,53%. Os preços da moeda americana dispararam, num dia de alta aversão ao risco e fortes perdas tanto nas Bolsas de Valores quanto no mercado de commodities (matérias-primas). A véspera do final de mês também traz um fator adicional de volatilidade: a habitual disputa entre “comprados” e “vendidos” pela Ptax, a taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central. Os contratos futuros de dólar e outros derivativos negociados na BM&F têm como referência para liquidação financeira justamente a Ptax do último dia útil do mês. Perto deste dia, os agentes financeiros “comprados” (que ganham com a alta do dólar) e os chamados “vendidos” (que ganham com a baixa) costumam atuar no mercado à vista para influenciar na formação das cotações. Essa volatilidade “de calendário” ganhou combustível hoje com a preocupação de investidores por todo mundo com os desdobramentos da economia americana, em que se discute a saúde financeira de bancos e montadoras, ambos setores dependentes de mais ajuda do Executivo, a um preço político que se torna cada vez mais alto. O nervosismo de hoje contrasta com o bom humor registrado nos últimos dias, quando o mercado “comemorou” o fim do monopólio das notícias negativas sobre a economia dos EUA. Economistas do setor financeiro, no entanto, já alertavam para o risco de um euforia antecipada. “Os indicadores econômicos começam a apresentar alguma ambiguidade, ao invés de sistematicamente surpreender para pior”, comenta o economista Maurício Molan, do banco Santander, em relatório distribuído nesta segunda-feira. “(…) o mercado parece precificar [calcular preço] que a recuperação econômica global já está caminho. Pode até ser, mas parece cedo”, acrescenta. Juros futuros O mercado futuro de juros, que referencia as tesourarias dos bancos, rebaixou as taxas projetadas nos contratos mais negociados. Hoje, o Banco Central admitiu que já espera um crescimento menor da economia brasileira em 2009 –rebaixou sua projeção de 3,2% para 1,2%– e estimou que a inflação deve bater 4%, abaixo do centro da meta para este ano (4,5%), o que reforça as expectativas por mais cortes da taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano. Economistas estimam que o juro primário caia para 9% até o final deste ano. No contrato com vencimento em abril de 2009, a taxa projetada recuou de 11,13% ao ano para 11,12%; no contrato para vencimento em janeiro de 2010, a taxa prevista caiu de 9,80% para 9,72%; e no contrato que vence em janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 10,34% para 10,32%.
Fonte: Folha Online



