Dois índios foram assassinados em menos de 24 horas
Amambai – 02/01/2008
Em menos de 24 horas, mais um indígena é assassinado em Amambai. Por volta das 23h de ontem, Creison Vasques, 29 anos, foi morto na aldeia Limão Verde, no município. Na madrugada do mesmo dia, 1h30, na aldeia Amambai, a vítima foi Celestino Franco, 62 anos. Ambas as aldeias praticamente fazem divisa com o perímetro urbano do município e mantêm contato constante com não-índios.
Creison foi encontrado morto com ferimentos na cabeça e uma perfuração no peito. O corpo foi encaminhado para exame necroscópico. Conforme boletim de ocorrência, polícia suspeita que os autores tenham sido os próprios irmãos da vítima, Dilma Nelson e Egildo Nelson. Porém, quando a polícia os encontrou eles estariam muito embriagados e foram encaminhados à delegacia.
Celestino foi morto a pauladas no interior da aldeia Amambai, pouco depois do réveillon. A aldeia é a maior da região, contando com cerca de oito mil índios da etnia guarani-kaiowá. A polícia já teria suspeitos.
O prefeito de Amambai, Sérgio Diozébio Barbosa (PMDB), atribui a violência nas aldeias do município à ausência da Funai. Segundo ele, a Operação Sucuri vai ao município apenas quando há conflito, não conseguindo fazer um trabalho preventivo.
O escritório da Funai de Amambai informou ao Midiamax que a Operação Sucuri, responsável pela fiscalização nas aldeias do cone-sul do Estado, conta com quatro pessoas para atender cerca de 40 aldeias.
Somente o município de Amambai, somadas todas as aldeias, tem uma população indígena de 11.247 indígenas.
Diozébio avalia que um dos graves problemas na região é o alcoolismo nas aldeias. Embora seja proibida a venda de bebida alcoólica a indígenas, conforme lei federal, eles acabem adquirindo o produto, lembra Diozébio. “A Operação Sucuri é muito temporã”, disse ainda.
O prefeito lembra também que só vem à tona as mortes, que são noticiadas, mas é comum esfaqueamento e outros tipos de violência não-letais nas aldeias.
Fonte: MídiaMax



