Beto Lima - Fotos: divulgação

Beto Lima não se amarrava em quase tudo. Era um doce e romântico fiel da vida, libertário anarquista que se derramava nas presenças e ausências de cores em suas telas – azuis, amarelos e vermelhos fiavam-se ao preto-e-branco de uma breve e produtiva existência. O vento implacável da morte antes dos 40 não apagou a paz e a contemplação arrebatada incitadas por sua arte.

É nesse quadrante que os adjetivos se desafiam para traduzir o significado da produção artístico-cultural de Beto Lima, por meio de um olhar de simplicidade e respeito, preservador e de reverência, dirigido pela mais recente obra audiovisual da produtora Dalila Saldanha. “Beto Lima – Um Artista e seu Tempo” é clássico, é um caminhar extremamente sensível, que vai além do simples registro visual.


O documentário foi financiado com recursos da Lei Aldir Blanc e apoios da Prefeitura de Campo Grande (por meio da Secretaria de Turismo e Cultura e do Fundo Municipal de Investimentos Culturais) e do governo federal. É mais um clássico para o acervo nacional de artes e artistas, com o devido registro no Museu da Imagem e do Som. Curador do projeto e um dos principais incentivadores de Beto Lima, o artista plástico Humberto Espíndola faz este desenho:

“Ele foi um grande cometa, uma estrela que transitou pela arte em nossa cidade. Ninguém superou, em minha análise, nesses dez anos que precederam o final do século, a plástica original e personalística de Beto Lima”. Nascido em Campo Mourão (PR) em 20 de março de 1963, mudou-se nos anos 1970 para Campo Grande, que se tornou sua casa até o último suspiro, em janeiro de 2003, a dois meses de comemorar o quadragésimo aniversário. Foi derrubado pela Aids.

Documentário: Um passeio pelo affair existencial do inquieto e criativo Beto Lima

Autodidata, trafegava entre as várias escolas, sem nunca renunciar à técnica pessoal, impondo naturalmente suas vigorosas marcas, especialmente nos florais, gatos e bicicletas, estas fruto da influência de suas viagens para expor em outros países. Não deixou de pintar e de vender alegria e esperança nem mesmo quando passou a viver a dura realidade de um soropositivo da Aids.

O documentário tem produção executiva de Dalila Saldanha e curadoria de Humberto Espíndola. O produtor de campo é Geraldo Espíndola, fotografia de Altair Santos, que faz também com Maurício Costa Jr os papéis de cameraman e moviemaker. A trilha sonora é de Edvard Grieg (Peer Gynt, suíte nº 1) e na assessoria de imprensa o jornalista Edson Moraes.

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