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Disque-denúncia em prol das escolas foi extinto na Câmara

Dourados – 09/10/2009

Waldemar Gonçalves – Russo    
    O lamentável episódio ocorrido por volta das 10h50 de ontem na Escola Municipal Armando Campos Belo, o CEU do Jardim Santo Brígida, que assim como o ocorrido em 2007 na Escola Estadual Menodora Fialho de Figueiredo, acabou sendo mais uma vez noticiário nacional e colocando mais uma vez o nome de Dourados de forma negativa.
    No crime em que teve como vítima Alisson Rodrigues, de 15 anos e que teve como autor o jovem Vanderlei Colman Sanches, de 18 anos, que foi preso quase uma hora depois dele ter dado cinco tiros a queima roupa no garoto, o fato poderia ter sido evitado se o disque-denuncia nas escolas, que era o 3424-6000, fosse mantido pela Câmara dos Vereadores de 1.996 até ao ano de 2000.
    Vale ressaltar que na época, o disque-denuncia, implantado pelo então vereador e presidente da Câmara Municipal, Raufi Marques e mantido em franca atividade pelo também presidente da Casa de Leis, vereador Joaquim Soares, foi desativado pelo vereador Humberto Teixeira Júnior, quando este assumiu a presidência da casa.
    O PROGRAMA
    Na oportunidade, a violência e a presença de desocupados, portadores e usuários de drogas nas portas das escolas da periferia da cidade, era muito grande e tinha saído do controle das autoridades policiais, todavia, com o programa implantado e que contava com a participação da Guarda Municipal, Policia Militar, Ministério Público, Juizado de Menores, Polícia Federal e Civil, Conselho Tutelar e até mesmo do Departamento de Operações de Fronteiras, a tranqüilidade voltou a reinar para quem realmente pretendia estudar com segurança.
    Coordenado pelo então vereador e ex-comandante do então GOF (Grupo de Operações de Fronteiras), coronel Adib Massad, o disque denuncia que foi na oportunidade instalada na Câmara Municipal, mantinha pelos três períodos -manhã, tarde e a noite- dois policiais militares em revezamento recebendo as denúncias de que em escola tal havia uma ou mais pessoas suspeitas ou grupos querendo promover desordem ou ameaças a quem estavam ali para estudar. “Lembro que o coronel Adib Massad recebia todos os dias pelo menos cinco denúncias anônimas de pais que temiam pela sorte de seus filhos. O coronel na hora solicitava apoio dos organismos policiais para checar as denúncias e muitas delas eram verídicas. Em poucos meses, a paz era uma realidade nas escolas. Os desocupados sumiram e os estudantes chegavam e iam embora para casa em paz”, disse o ex-vereador Joaquim Soares, não querendo questionar do porque o então vereador Humberto Teixeira Júnior colocou fim no disque denúncia. “O Ralfi Marques criou o programa e eu dei a continuidade. Agora, se o Juninho (Humberto Teixeira Júnior) achou por bem extinguir o programa, temos que respeitar a decisão dele, pois na época, o presidente da Câmara era ele”, minimizou o ex-vereador assim como muitas pessoas da cidade, lamentando a morte do garoto ocorrida ontem de forma estúpida e banal. “O triste é que era um garoto que nem começou a viver. Além da morte dele, temos que ressaltar que o que matou também destruiu a sua vida, pois ele foi preso e poderá pegar muitos anos de cadeia. Lamentável isso tanto para a família do que morreu, quanto para o de quem matou, não é mesmo. São duas famílias com certeza arrasadas”, disse o ex-vereador dizendo que está na hora das autoridades competentes se unirem em torno deste problema, que é o de crianças e adolescentes estar constantemente sendo flagrados pela polícia ou pela Guarda Municipal portando armas de fogo, facas e principalmente drogas pelas ruas e avenidas da cidade, principalmente nas imediações das escolas e em locais de festas. “Entendo que o disque denúncia deveria retornar, pois ele seria de grande valia para aqueles que querem estudar em paz e também para os familiares deles”, finalizou o ex-vereador.       
             

Fonte: Folha de Dourados

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